Christine é boazinha

Confesso que a grande novidade acerca da resposta de Lagarde a Seguro foi o facto de haver uma resposta de Lagarde a Seguro.

 

No contexto nacional, já quase toda a gente aprendeu a tratar Seguro com o carinhoso desdém que ele merece. O mesmo desdém adoptado, aliás, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia. 

 

Analisando um pouco do conteúdo, facilmente se verifica que Lagarde “chove no molhado”. Fala do díficil equilíbrio entre ajustamento orçamental e aposta em políticas de crescimento e de mais dois ou três lugares comuns. A posição do FMI sobre o assunto é clara (embora muitos queiram lançar o véu da dúvida) e só a ingenuidade pueril do líder a prazo do PS o levou a expor-se ao ridículo de balbuciar algumas coisas acerca de uma carta que tinha enviado. Sobre as eventuais respostas, nada!

 

Seguro, seguindo a linha socialista que nos conduziu à indigência, exigia a presença de responsáveis políticos na análise à situação económica do país. Os políticos, porventura os mesmos que, como ele, assistiram, impávidos e serenos, à viagem rumo à fossa onde hoje estamos atolados. Os políticos que, ao invés de estarem presentes nesta ou naquela avaliação, talvez devessem ser presentes à barra dos tribunais.

Por Qué No Te Callas [9]

Quando a única ferramenta de que se dispõe é um martelo, tudo serve de prego.

 

O antigo Soares regressou do seu período de baixa para nos alegrar o dia. Manhoso como os abutres, sabe que a moda do momento entre os “descontentes” é a Grândola. Resultado: tudo é pretexto para se colar a ela, seja a morte de um esquerdista, a vitória do Real Madrid em Barcelona, ou a unha do pé encravada.

 

Agora, foi a morte de Stéphane Hessel, entre outras coisas autor dos livros Indignai-vos e Empenhai-vos (e nós sabemos como o verbo empenhar, para os nossos socialistas, tem o valor de lei). Disse o idoso Soares que:

 

Quando se está a cantar a “Grândola, Vila Morena”, uma das pessoas que será lembrada é com certeza ele.

 

Não deixa de ter a sua piada: a maioria dos actuais cantadeiros de Grândola nem sequer se consegue lembrar da letra de Grândola, quanto mais de quem foi Stéphane Hessel. 

Palavras, leva-as o vento

É uma assinatura desta esquerda folclórica: faz o número circense da praxe com a cantoria do “Grândola” – e foge para não ouvir o que o interlocutor tem para dizer.

Esta gente enche a boca com democracia, debate de ideias e diálogo – e desmente-se na primeira oportunidade. O seu objectivo nunca é ouvir os argumentos do adversário para os poder rebater – é proibi-los pelo simples facto de existirem.

Ainda

Numa conversa que tive, há anos, com um vizinho então emigrado em Londres, ouvi dele um arroubo de poesia: “Lisboa tem uma luz muito própria”. E depois riu-se do seu próprio romantismo, mas reiterou que há ali uma luminosidade que não se encontra noutras cidades.

 

Não me surpreende demasiado que Lisboa esteja no top-10 das cidades mais belas do mundo. Eu também acho Lisboa uma cidade bonita. Aliás: eu ainda acho Lisboa uma cidade com algumas zonas muito bonitas. E é um testemunho da sua beleza que assim o seja, apesar dos esforços de sucessivos alcaides, com António Costa e respectiva trupe à cabeça, para a enterrar numa eternidade de imundície, folclore e estaleiros.

Não-notícia

Associação José Afonso apoia manifestação de 2 de Março.


Dizer que a Associação José Afonso apoia QUALQUER manifestação tem o mesmo valor que dizer que a água molha.

 

Mas não deixa de ser irónico: à associação com o nome de José Afonso, artista que cantava a igualdade entre os homens (embora, como qualquer bom comunista, quisesse dizer “só os do meu lado são dignos dessa igualdade”), dá-se uma visibilidade nada igualitária. Por esse Portugal fora, há imensas associações, igualmente úteis e desejosas de ver publicado o seu apoio à manifestação mas que, por não terem o nome de alguém famoso, são disso privadas. Só para dar um exemplo: a Associação Cultural e Recreativa da Vila do Corcunda, conhecida de alguns pelos seus torneios de chinquilho.

Anita a cavalo

Anda tudo em polvorosa pela avalanche de notícias sobre a presença de carne de cavalo em lasanhas e hambúrgueres. António Nunes, o Torquemada da ASAE sempre sedento de protagonismo controleiro, está feliz como um cágado ao sol.

 

Pessoalmente, nunca me chocou comer carne de cavalo (que sempre achei excelente), embora compreenda o porquê de, para muitos, a ideia ser um tabu semelhante a comer cão. De resto, aquilo que me deixou chocado nesta história é que naquelas lasanhas que se compram nos supermercados, e que me parecem uma zurrapa com sabor a lama quente, existisse realmente alguma carne verdadeira.

E viva a liberdade de expressão

Antropólogo e performer (?), Paulo Raposo, activista da turba “Que se lixe a Troika” e grande defensor da liberdade de expressão, afirma que a banda sonora dos últimos protestos a que temos assistido foi escolhida para “apelar àquilo de que a troika se esqueceu: os valores de igualdade, de liberdade e de fraternidade”. É o mesmo Paulo Raposo que, no seu site, não permite comentários. Sintomático.