Aquivos por Autor: António Pinto

O impeachment

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A propósito do impeachment brasileiro, que vai permitir ao povo livrar-se de uma presidente arrogante, incompetente e corrupta, tenho assinalado a insurgência de eminentes figuras da esquerda portuguesa.

 

Parece que a história do recurso a um instrumento constitucionalmente previsto para derrubar uma força política eleita nas urnas só vale deste lado do Atlântico. 

All Hail Centeno

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Centeno surpreendeu tudo e todos com o esboço do orçamento de Estado para 2016. Porquê? Porque prevê uma revisão em baixa do défice de 2015 para 2,6% e, sabe Deus como, um crescimento do PIB de 2,1%(!) em 2016 acompanhado de uma redução da dívida pública para 126% do Produto Interno Bruto. 

 

Importa recordar que tudo isto sucederá paralelamente à reposição dos cortes salariais na Função Pública, redução do horário de trabalho para 35 horas, reposição dos feriados, aumentos de pensões (ainda que vestigiais), reversão das concessões dos transportes, negociação com os donos da TAP para controlo da maioria do capital da empresa (custos desconhecidos), entre outros mimos para adoçar a boca ao eleitor.

 

Com olhos no futuro, Centeno é o homem certo para mediar e resolver o conflito israelo-árabe, converter os militantes do estado islâmico à fé cristã, acabar com o flagelo da fome no Mundo ou provar que o Elvis está mesmo vivo. Depois de executar um orçamento com estas premissas, o céu é o limite!

Das presidenciais

Começo por afirmar, sob pena de crucificação, que simpatizo com a figura de Marcelo Rebelo de Sousa. É diferente de afirmar que considero ter o perfil ideal para Presidente da República, mas simpatizo com a figura.

 

Estas eleições presidenciais são diferentes de todas as anteriores. O perfilamento de figuras caricatas que se propõem, à esquerda, ocupar o Palácio de Belém sugere um desrespeito indigno pelo cargo maior da democraca portuguesa. Do vácuo confrangedor de Sampaio da Nóvoa à mimadice birrenta da pequena burguesa Marisa Matias, safam-se Vitorino Silva, o calceteiro Tino, o único preocupado em apresentar ideias, mantendo um discurso coerente e Henrique Neto, um homem aparentemente sério, embora politicamente seja pouco mais do que um arredondamento.

 

Todo o restante visco tem apenas uma preocupação em mente: atacar Marcelo. Ataques pessoais, vis, mesquinhos, que dizem mais sobre quem os profere do que sobre o seu objecto. Da hiperactividade aos apoios políticos do pai de Marcelo, ouvimos um pouco de tudo. Sempre num registo raso e desprezível, característico desta esquerda que engoliu o garfo e se sente novamente legitimada para rotular de fascistas todos aqueles que não se revêem nesta mole imunda de gente empenhada em incendiar Portugal, para depois fazer nascer das cinzas uma deformidade vermelha aberrante, que tão bons resultados tem alcançado noutras latitudes.

 

Esta será, e é triste dizê-lo, a principal razão pela qual votarei em Marcelo Rebelo de Sousa. Apraz-me ter a garantia de que, pelo menos, no final do seu mandato, a cadeira onde se senta no Palácio de Belém estará razoavelmente limpa.

Considerações acerca da situação política actual – a extrema-esquerda

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A extrema-esquerda está finalmente a mostrar de que massa é feita. Movida não pelo desejo de dar um contributo construtivo num momento particularmente sensível da nossa história política, mas antes pela sede de vingança, sem olhar a meios, que sempre alimentou, mal disfarçada, nos seus obscuros corredores. É a mais pura anti-política.

 

Qualquer força extremista, totalmente descompassada face aos preceitos democráticos que nos guiam e orientada unicamente pelo impulso destruidor de se definir contra algo e nada mais deveria ser ilegalizada. É verdade para o nazismo e outros movimentos radicais e xenófobos, também o deveria ser para a extrema-esquerda, responsável, por esse Mundo fora, por algumas das maiores atrocidades que a humanidade conheceu. Uma força política que não recrimina de forma inequívoca e veemente o regime comunista soviético ou a selvajaria de Pyongyang não deveria existir. Simplesmente. Assumo esta opinião sem qualquer reserva.

 

Há quem goste de pensar que Portugal é um país de “esquerda”. Acontece que Portugal é um país de burgueses, pseudo-burgueses e proto-burgueses. Quando juntamos estes dois ingredientes, a mistura fétida que resulta é um estilo de esquerda caviar, intimamente hipócrita. Cavaco salvar-nos-á de um governo de esquerda (ou, pelo menos, nisso quero acreditar), e é só por esse motivo que Portugal continuará a ser um país de esquerda. Nenhum país, em nenhum continente, que tenha sofrido os horrores da governação comunista é de esquerda, pelo menos de forma voluntária. O mesmo se passaria em Portugal. Perante o caos, esta pequena turba burguesa voltar-se-ia rapidamente para a direita, como já fez no passado, por bem menos.

 

PCP e Bloco, que há menos de um mês, e com uma agenda muito própria, vilipendiavam o anafado golpista Costa, são os mesmos que agora se propõem a viabilizar um governo seu. A vontade de canibalizar o PS é indisfarçável. Não simpatizo com o PS mas tenho, contrariado, de lhe reconhecer o peso que tem no centro-esquerda democrático. Está esse peso sob fogo cerrado. PCP e Bloco, mais separados do que juntos, soltaram amarras e procuram capitalizar este momento. Ao aceitar, de forma maliciosa ou ingénua, negociar com esta trupe de circo, Costa torna o voto no PS completamente inútil e, pior do que isso, perigoso. Será este o seu legado.

Considerações acerca da situação política actual – o Presidente

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  • Licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeira.
  • Doutorado em Economia pela Universidade de York, Reino Unido.
  • Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
  • Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa.
  • Diretor da revista Economia, da Universidade Católica Portuguesa, entre 1977 e 1985
  • Investigador da Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal.
  • Ministro das Finanças e do Plano em 1980-81 no Governo do Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro.
  • Presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984.
  • Exerceu funções como Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995.
  • Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (Reino Unido), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia).
  • Membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha, do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation.
  • Distinguido na Alemanha com o Prémio Carl Bertelsmann que a Fundação Bertelsmann decidiu atribuir a Portugal pelo sucesso das políticas de melhoria do mercado de trabalho e de luta contra o desemprego.
  • Prémio Joseph Bech (1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua contribuição para a construção europeia.
  • Freedom Prize (1995), na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua ação como político e economista.
  • Distinguido, em Nápoles, com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e ação no reforço da solidariedade e de uma ativa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”.
  • Autor de vasta obra relevante nas áreas de Economia e Finanças.

 

Sei que para muitos o mérito é algo totalmente irrelevante, mas é este o currículo do homem que agora se sujeita, sem precisar desta merda para nada, a ser invectivado por pequenas e sabujas criaturas, subprodutos de um sistema político perverso e corrupto.

 

Alguns usam o seu nome em tom mesquinho e jocoso. Eu uso-o para lhe agradecer. Muito obrigado, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.

Crash Bandicoot da política portuguesa

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Costa fecha a porta a um entendimento com a direita e, pelos vistos, o entendimento à esquerda também não está fácil.

 

Costa semeia ventos, colhe tempestades e espalha o caos à sua volta, disposto a desfazer, de uma forma mais, menos ou nada legítima, todos os obstáculos que se colocarem entre si e o poder.

 

Costa é um estilo de Crash Bandicoot da política portuguesa…