Acho que, neste momento que Portugal atravessa, fazem falta figuras relevantes no plano intelectual, social, político e outros. Alguém sabe onde anda este?
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Pessoal e intransmissível
O pequenino César dos Açores revelou o segredo menos escondido desde os seios de Cicciolina: que dá o seu apoio “pessoal” ao inexplicável Sampaio da Nóvoa. Afirma também que o PS “faz muito bem em não ter uma posição oficial de apoio a qualquer dos candidatos”. Fui dar uma olhada aos mandatários e apoiantes “pessoais” de Nóvoa. Só para citar alguns:
Correia de Campos
Gabriela Canavilhas
Isabel Moreira
Rui Vieira Nery
Rosa Mota
Carlos Lopes
Miguel Vale de Almeida
Lídia Jorge
António Pedro Vasconcelos
António Arnaut
Ana Gomes (deixou de ser altura de Portugal ter uma mulher presidente?)
Mário Soares
Jorge Sampaio
Augusto Santos Silva
Edite Estrela
Inês de Medeiros
João Galamba
Jorge Lacão
Vieira da Silva
Capoulas Santos
João Cravinho
José Carlos de Vasconcelos
(e etc, etc, etc…)
Esta lista de horror[es] que apoia[m], a “título pessoal”, o enevoado Nóvoa, mais não é que o PS histórico, o PS institucional e o habitual ramalhete de “independentes” eternamente pendurados na lapela do PS estatal. Mas que não haja dúvidas: o PS não tem posição oficial sobre os candidatos.
Errar é humano
O apoio de Ramalho Eanes a Sampaio da Nóvoa não abona a favor deste – apenas desabona Ramalho Eanes.
Ainda Sampaio da Nóvoa
Algumas pessoas questionam-se o porquê de o PS ter avançado, ainda por cima em fase tão precoce, com um desconhecido como Sampaio da Nóvoa para a presidência. Eu tenho uma teoria.
Na década de 90, Mansell foi campeão de Fórmula 1 na Williams – e saiu no final desse ano. Prost foi campeão na Williams – e saiu no final desse ano. Damon Hill foi campeão na Williams – e saiu no final desse ano. Comentava-se que isto era a forma de a Williams, na altura uma força dominante na Fórmula 1, mostrar que podia fazer qualquer um campeão – e por isso nem se preocupar em segurar aqueles que o foram.
A candidatura de Sampaio da Nóvoa parece ser algo semelhante. Isto é apenas o PS, na sua habitual arrogância, a considerar a Presidência da República como propriedade sua – e a mostrar que conseguirá lá colocar qualquer palerma que se preste a ser útil.
Jornal do incrível
Há pouco, ouvi Daniel Oliveira dizer – sem ter sequer a delicadeza de corar – que “Sampaio da Nóvoa tem um percurso político”. Felizmente, porque a insanidade ainda não chegou a tanto, todos os seus companheiros n’O Eixo Do Mal se riram na sua cara.
Não sei se isto serve para estatística, mas aqui vai: no meu último almoço em família, faz hoje um par de semanas, perguntei quem já tinha ouvido falar em Sampaio da Nóvoa. Ninguém se acusou. Isto dirá alguma coisa sobre o tal percurso político. Talvez o tenha feito, sim, mas devagarinho e por estradas secundárias – para fugir aos radares da polícia.
Pontos de pressão
Sampaio da Nóvoa diz candidatar–se para combater “grupos de pressão”. Será que inclui nestes o grupo de pressão sobre jornalistas constituído pelos dirigentes socialistas – pretéritos e actual?
Como se eu ainda precisasse de ser convencido…
Sampaio da Nóvoa avança para Belém “inspirado em Soares e Sampaio”. O proto-candidato vê neles “um legado de liberdade e uma herança que temos a obrigação de honrar e de renovar”. Sim: Soares, o cavalheiro que passou um mandato a fazer campanha contra o Governo de Cavaco Silva (“o gajo”) e não descansou enquanto não viu o seu PS no governo; Sampaio, o cavalheiro que geriu a sua agenda e arranjou uns pretextos manhosos para deitar abaixo um governo maioritário, só descansando quando viu o seu PS no governo. Soares deu-nos Guterres; Sampaio deu-nos Sócrates; Sampaio da Nóvoa quer-nos dar António Costa.
Talvez seja a isto que se costuma chamar “pesadas heranças”.
