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Um telefonema

Sexta-feira passada, ainda não eram seis horas da tarde, recebi um telefonema da minha mãe: queria saber quem fora o juiz sorteado para o processo Marquês. Quando lhe disse ter sido Ivo Rosa, ela exclamou: “Bolas… lá vai aquele pilantra do Sócrates safar-se.”. Que a minha mãe, pessoa que nunca dedicou à política mais do que um vago interesse, o suficiente apenas para ver “quem tem cara honesta”, soubesse algo tão rebuscado como a data de um sorteio de juízes (ou será mais apropriado escrever “sorteio”?) e as previsíveis consequências do seu resultado, denota bem o impacto deste assunto-Sócrates.

E se…?

E se desperdiçar água fosse uma contraordenação?

 

Um advogado e um jurista do Porto, muito curiosamente poucos dias depois de um raide mediático protagonizado pelo Ministro do Ambiente, vão apresentar um conjunto de propostas que incluem, entre elas, uma contraordenação para quem desperdiçar água. Ora eu proponho: e se desperdiçar dinheiro público fosse uma contraordenação? Estarão este distinto advogado e este distinto jurista igualmente dispostos a apresentar um conjunto de propostas neste sentido?

Um oximoro

Chego com atraso de dias (embora preferisse nunca) a uma declaração de Rita Ferro Rodrigues: “precisamos urgentemente de humoristas feministas em Portugal”. A razão, cara Rita, para não haver humoristas feministas em Portugal, é muito simples de explicar: é que se há coisa a que as feministas sempre se mostram completamente imunes – é ao sentido de humor. Mais depressa passaria um camelo pelo buraco de uma agulha.

 

“Humorista feminista” é um oxímoro.