Alexandra Lucas Coelho diz que quer “negras e negros no parlamento de Portugal”. Pois o que eu quero é pessoas competentes e honestas no parlamento de Portugal – qualquer que seja a cor de cada uma delas.
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… mas umas são mais iguais do que outras
A propósito do fogacho dos coletes amarelos (que mostra o quanto o português é um ser domesticado), o pequenino e nada augusto César dos Açores veio a público dizer que “é necessário firmeza contra manifestações que coloquem em causa a ordem pública”. Está visto que manifestações boas são só as organizadas pelos próprios.
Parece que me ouviram…

(na capa de hoje do CM)
Um telefonema
Sexta-feira passada, ainda não eram seis horas da tarde, recebi um telefonema da minha mãe: queria saber quem fora o juiz sorteado para o processo Marquês. Quando lhe disse ter sido Ivo Rosa, ela exclamou: “Bolas… lá vai aquele pilantra do Sócrates safar-se.”. Que a minha mãe, pessoa que nunca dedicou à política mais do que um vago interesse, o suficiente apenas para ver “quem tem cara honesta”, soubesse algo tão rebuscado como a data de um sorteio de juízes (ou será mais apropriado escrever “sorteio”?) e as previsíveis consequências do seu resultado, denota bem o impacto deste assunto-Sócrates.
Crónica de uma bancarrota anunciada

Isto é 2009/2011 repetido, não como tragédia mas como farsa. Este povo que não se governa nem se deixa governar pensa que se persistir nas mesmas asneiras, alguma vez a realidade há-de dar, talvez por cansaço, um resultado diferente.
E se…?
E se desperdiçar água fosse uma contraordenação?
Um advogado e um jurista do Porto, muito curiosamente poucos dias depois de um raide mediático protagonizado pelo Ministro do Ambiente, vão apresentar um conjunto de propostas que incluem, entre elas, uma contraordenação para quem desperdiçar água. Ora eu proponho: e se desperdiçar dinheiro público fosse uma contraordenação? Estarão este distinto advogado e este distinto jurista igualmente dispostos a apresentar um conjunto de propostas neste sentido?
Um molusco
Depois de (mais) um dia de incêndios em que são confirmados pelo menos 27 mortos, João Quadros, o atento auto-intitulado humorista que gosta de chamar “puta”, “cabrão”, “azeiteiro”, “cornudo”, “filho da puta” e etc. àqueles que não são da sua simpatia política, escreve uma crónica sobre… iogurtes.
Ponto e parágrafo
A trémula Constança Cunha e Sá diz na TVI que “não é a favor de um PSD extremado”. Na verdade, nós há muito percebemos que a trémula Constança “não é a favor de um PSD” – ponto final.
Os objectivos
A ministra da Administração Interna demitiu a directora do SEF por, expressão surpreendente vinda de quem vem, “incumprimento dos objectivos da tutela”. Posso, com isto, assumir que o sucedido em Pedrógão Grande esteve claramente dentro dos “objectivos da tutela”.
Um oximoro
Chego com atraso de dias (embora preferisse nunca) a uma declaração de Rita Ferro Rodrigues: “precisamos urgentemente de humoristas feministas em Portugal”. A razão, cara Rita, para não haver humoristas feministas em Portugal, é muito simples de explicar: é que se há coisa a que as feministas sempre se mostram completamente imunes – é ao sentido de humor. Mais depressa passaria um camelo pelo buraco de uma agulha.
“Humorista feminista” é um oxímoro.