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Um triste senador

“Fartei-me do Santana como PM, estava a deixar o país à deriva”, disse Jorge Sampaio citado pelo Expresso, assim mesmo O Santana. Isto mostra muito o tipo de pessoa que é o nebulosíssimo Sampaio. Não estou, por exemplo, a ver Cavaco Silva dizer “Fartei-me do Pinto de Sousa como PM, estava a levar o país à bancarrota”– mas, enfim, cada um é como é.

 

Tal como é sintomático que Sampaio diga, sobre a sua dissolução de um parlamento maioritário e convocação de eleições antecipadas, “De vez em quando é preciso dar voz ao povo – e percebi qual era o sentimento do povo”. Sim, é preciso dar a voz ao povo mas só quando pressentimos que o seu “sentimento” nos convém.

 

Sampaio nomeou Santana porque o PS, liderado por um Ferro Rodrigues encalacrado no processo Casa Pia, não estava em condições de disputar eleições. Depois de Sócrates ter tomado o poder no partido, demitiu o governo na primeira oportunidade com uns pretextos manhosíssimos. Sampaio não fez mais do que imolar Santana Lopes e gerir a sua própria agenda conforme as conveniências para o seu partido. Sampaio não passou de um Soares em modo sonso.

A máquina de propaganda a todo o vapor

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Vi salvo erro na Sexta-Feira, com estes dois olhos que a terra há-de comer, que o programa da tarde na Sic tinha convidado para perorar à sua audiência de donas-de-casa e funcionários públicos – Isabel Moreira! Já há um par de semanas, o jornal de grande informação Dica da Semana tinha na capa – Vieira da Silva! A isto se pode chamar “asfixia propagandística”.

Da infantilização


The First Rule of Con
: Find somebody who wants something for nothing, then give him nothing for something.

 

Os “lesados do BES” propõem-se processar o Banco de Portugal porque, afirmam, as reportagens da SIC provam que sabia dos seus problemas e não procedeu como devia. Tem piada: eu pensava, cá na minha inocência, que a gestão do BES teve muito mais responsabilidade em “não proceder como devia”…

O desinvestimento da automatização

O problema do actual contexto político com os actuais actores políticos é notícias, provavelmente feitas com boa-fé, poderem dar azo a interpretações manhosas.

 

Um exemplo. O Jornal Económico apresenta-nos isto:

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Depois, lemos a notícia e nada mais é apresentado senão números e estatísticas retiradas da Pordata. Não é feita nenhuma contextualização, nada. Imagino já, num qualquer próximo debate parlamentar, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa esganiç… dizerem em voz alta e de dedinho em riste: aqui está a evidência do desinvestimento nos transportes públicos. A interpretação da realidade: aqui está a evidência da automatização e modernização dos equipamentos.

Haja alguém que lhes explique

São José Almeida escreve no Público:

“O escândalo dos dez mil milhões de euros que foram colocados em contas offshore por bancos portugueses entre 2011 e 2015, sem que dessas transferências tenha sido tributado um tostão, é apenas um sintoma dessa impunidade.”

Alguém com paciência para falar a criancinhas que explique isto à senhora e restantes camaradas dela que se limitam a amplificar a desinformação da esquerda parlamentar: transferir dinheiro para um offshore não é um acto ilícito nem obriga automaticamente ao pagamento de qualquer imposto. O dinheiro das pessoas que o enviam para um offshore é delas, não é do Estado, do PS ou do fisco.