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Os grandes-educadores

Pedagogia – eis o que o Governo se propõe fazer junto dos doentes nas urgências hospitalares “para reduzir o número de doentes que procuram as instituições sem critérios de emergência médica”. Se fosse um governo de centro-direita a dizer algo assim, o que a esquerda não espumaria. Como é um governo da esquerda boazinha, já a culpa é do doente e faz-se “pedagogia”. Talvez para que ele, na próxima, não seja piegas…

Onde é que ela já terá visto tal coisa?

A eurodeputada Marisa Matias (BE) considerou “uma farsa” o ‘diálogo estruturado’ que hoje decorre no Parlamento Europeu sobre a possível suspensão de fundos estruturais a Portugal e Espanha porque a Comissão Europeia já tem a decisão tomada.

Eu também considerei “uma farsa” o suposto “diálogo estruturado” que, há um ano, Costa manteve com os vencedores das legislativas sobre uma possível solução governativa a três – porque Costa, claramente, já tinha a sua decisão tomada.

Um lapso temporal

A propósito da detenção do director do Museu da Presidência por suspeitas de vários crimes, as caixas de comentários são logo invadidas por gente a ligá-lo a Cavaco Silva. Estas almas bondosas, no seu afã de tentar salpicar Cavaco com qualquer tipo de porcaria possível, parecem querer que nos esqueçamos de que Diogo Gaspar foi escolhido pessoalmente por Jorge Sampaio, não por Cavaco Silva – e isto em 2001. É um pequeno lapso temporal que convém não deixar passar em claro.

Criancices

Catarina Martins é, claro, contra as hipotéticas sanções a Portugal pela UE. A sra. vice-primeira-ministra empertiga o nariz e questiona:

“Bruxelas dizia que a austeridade era ser bom aluno. E agora quer sancionar aquilo que foi feito de acordo com o que dizia?”

Alguém com paciência para criancinhas que explique à sra vice-primeira-ministra que não, as sanções não são pelas correcções que fizemos e nos permitiram reduzir o défice. O que está a fazer a UE puxar da palmatória é, precisamente, o inverso: que este simulacro de governo esteja a fazer tudo em desacordo com o que foi feito e com os resultados desastrosos que já se notam.

O valor simbólico para Costa

Ontem, dizia-se que o governo pagava ao melhor amigo de António Costa um “valor simbólico” para negociar vários casos importantes (reversões de privatizações, “lesados” do BES, etc). Hoje sabe-se que o valor simbólico é… 2000 euros mensais. Simbólico para Costa – mas bem real para todos nós porque é o contribuinte que o paga.