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Um duplo crime

A acreditar no jornal Sol, alguém próximo do anterior governo terá enviado um SMS a Galamba para que este avisasse Sócrates que “iria ser feito qualquer coisa contra ele muito rapidamente”. Isto configura um duplo crime: violação do segredo de justiça – e ser amigo de João Galamba.

 

Ao Sol, pelo que se pode ler, não interessou perguntar ao depilado Galamba o nome da sua fonte. Ao Sol pode não interessar – mas a mim interessa e muito.

 

Eu quero saber quem foi que, próximo do governo anterior, se esteve “cagando para o segredo de justiça”. Já tivemos um passado rico em capelinhas e avisos: Costa e Ferro Rodrigues que, defecando-se para o segredo de justiça, conspiraram por telefone para manipular um processo que envolvia o seu correligionário Pedroso; o procurador Lopes da Mota que, borrando-se para o segredo de justiça, avisou a sua amiga Felgueiras; o mesmo procurador Lopes da Mota que, anos depois, pressionou os juízes do caso Freeport para se despacharem a fechar a investigação sob pena de represálias. É lamentável pensar que ainda não se conseguiu desparasitar o espaço político desta gentinha.

Falta de tudo

Arons de Carvalho, constante socialista e vice-presidente da ERC (nomeado, já agora, durante o anterior governo PSD), conversa com Sócrates, em privado, sobre o processo deste contra o Correio da Manhã e chega a fornecer-lhe elementos da defesa do jornal. Ninguém se demite, ninguém é demitido, ninguém é processado, ninguém sequer leva uma palmatoada na mão? Onde estão os jornalistas sempre tão pressurosos pela pureza da sua classe – quando o interveniente é da direita?

Os amigos são para as ocasiões

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Noronha Nascimento, ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça que, por ordem do então PGR Pinto Monteiro, foi a galope apagar as escutas telefónicas entre Sócrates e Armando Vara gravadas no processo Face Oculta, vem agora dizer que Sócrates deve ser julgado no Supremo Tribunal de Justiça.

 

E quem é Noronha Nascimento?, pergunta o leitor. Pois é o indivíduo à direita de José Sócrates na fotografia anexa, tirada durante a apresentação do livro assinado por este último. À esquerda de Sócrates, por acaso e apenas mero acaso, está Pinto Monteiro.

Arquivo

Claude Drumm levantou-se.

– Senhor juiz – prosseguiu ele -, penso que pedirei à corte que este processo seja arquivado.

O juiz assentiu.

– Muito bem – disse -, se…

Perry Mason levantou-se.

– Senhor juiz – disse ele -, protesto contra o pedido. Creio que esclareci com antecedência a minha posição em face disto. A acusada deste processo merece ter o seu nome limpo. Com uma dissolução da causa, isso não seria possível.

(Erle Stanley Gardner, O caso do cão uivador)

 

Já os advogados de Sócrates querem o seu caso arquivado – não vá a coisa correr mal…

Correcção ao Expresso

O Expresso, honra seja feita ao Balsemão que não parece abandonar os amiguinhos, titula:

Juiz acusa Ministério Público de fazer “ficção jurídica” no caso Sócrates.

Permite-me, caro Expresso, fazer uma pequena correcção ao que anuncias. Uma coisa pequena mas que, penso, tem pertinência jornalística:

Juiz amigo de Sócrates acusa Ministério Público de fazer “ficção jurídica” no caso Sócrates.

De que se ri Sócrates?

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De que se ri Sócrates? E de que se riem Vitalino Canas, o baladeiro José Lello, o menino-dos-papás Paulo Campos e restantes figurões, figurinhas e figurantes desta fotografia?

 

Talvez se riam porque Rui Rangel, o juiz que tem um longo historial de calotes a mecânicos e clínicas de lipoaspiração abdominal, que tem pública e repetidamente criticado o trabalho de Carlos Alexandre no processo de José Sócrates, que é suficientemente amigo de José Sócrates para combinar almoços com ele em Nova Iorque – foi sorteado em Julho para apreciar um recurso da defesa de Sócrates. Rangel podia pedir escusa por claro conflito de interesses? Poder podia – mas não era a mesma coisa.

 

De que se ri este gangue da fotografia? De todos nós.