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Analfabetismo

O Público, na sua edição de hoje, publicou uma carta de 2011 que o então líder da oposição Pedro Passos Coelho enviou ao então primeiro-ministro José Sócrates:

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 Anunciou a publicação desta carta com os dizeres em chamada de primeira página:

PÚBLICO revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país.

A direcção do Público concluir, a partir desta carta, que Passos Coelho está a exigir algo, só me permite concluir que a direcção do Público é constituída por analfabetos – porque a alternativa seria a direcção do Público ser constituída por um grupo de reles canalhas.

Do nosso jornalismo de causas

Da nojeira que foi ontem o Prós & Contras, (mais) um claro frete da frente socialista/socrática para espalhar a dúvida sobre as investigações a Sócrates, sobrou um pequeno serviço público: ficou provado que, pela primeira vez desde que me lembro, um governo não instrumentalizou a televisão pública tornando-a mera caixa de ressonância de si próprio. Aquele Prós & Contras, sobre a Operação Marquês que está em andamento e exibido durante um governo PSD/CDS, pouco diferente seria se fosse sobre a Operação Freeport (que nunca chegou a andar) exibido durante um governo PS.

 

Este país está perigoso.

O mistério dos quadros de José Sócrates

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Sócrates tinha vários quadros em casa, quadros esses de Eduardo Batarda, Almada Negreiros, António Ramalho, Silva Porto ou Júlio Pomar – tudo, como é bom de ver, gente cujas obras podemos comprar no mercado de Azeitão, entre uma fartura e um par de sapatos. Os quadros foram encontrados na casa da empregada doméstica da sua mãe – ele diz não saber como eles foram lá parar. Os quadros terão sido pagos por alguém – mas ele diz não se recordar por quem. Sócrates nem se recorda de comprar o quadro de Júlio Pomar que tinha na sala de jantar.

 

A casa desta empregada doméstica começa-me a recordar as grutas onde uns cavalheiros pouco recomendáveis, no século passado, esconderam o seu saque de obras de arte.

A pulseira do 44

Sócrates recusa ir para prisão domiciliária e diz porquê em mais uma carta. Eu não a li – prefiro ler os livros comprados na Feira do Livro que sempre são melhor ficção. Contudo, é óbvio o porquê de ele não querer ir para prisão domiciliária: em Évora, está a comer à conta do contribuinte; em casa, estaria a comer às suas custas. E como bem sabemos, Sócrates é uma pobre pessoa sem meios, tanto assim que até teve de pedir um empréstimo para ir estudar para Paris.

Agarrem-me senão…

Cândida Almeida recorre ao velho esquema das insinuações: fala de algo… dizendo que não pode falar sobre esse algo. Segundo o Correio da Manhã, terá reconhecido que a investigação a Dias Loureiro relacionada com o BPN foi abafada.

 

Primeiro: estamos a falar de quando o primeiro-ministro era o ex-querido-líder Sócrates, o tal “Menino de Ouro do PS” cuja hagiografia foi apresentada por… Dias Loureiro, que se “emocionou com o lado dos afectos” de Sócrates. Como é bom de ver, uma mão lava a outra.

 

Segundo: Cândida Almeida não “pode explicar” porque é que a investigação a Dias Loureiro não avançou. OK. Mas então e todas as outras (a Sócrates incluído) que não avançaram, “pode explicar”?

Mein Kampf

Não ditadas a um colaborador próximo mas sim escritas a tinta vermelha, vão aparecendo nos jornais as cartas que Sócrates escreve na sua cela preventiva. O mesquinho em mim pergunta se também terão sido escritas em francês e depois traduzidas pelo autor.

 

Brincadeiras à parte, penso que há potencial para outro best-seller. A Fundação Mário Soares, entre atribuir obras a Sherlock Holmes e armazenar primeiras edições de Rui Mateus, devia publicar as memórias do cárcere de Sócrates. Até já pensei num título que, se me é permitida a imodéstia, parece-me bem chamativo e muito adequado à personalidade do autor: “A Minha Luta“.

Romaria

Romaria (substantivo feminino): peregrinação religiosa a igreja, ermida ou lugar santo.
(dicionário Priberam online)

 

A SIC afirma que a prisão de Évora tem sido espaço de romaria devido a Sócrates. Acho a escolha da palavra romaria particularmente feliz, pois acreditar na inocência de Sócrates só pode, mesmo, ser uma manifestação de fé. 

 

NOTA: estou convicto de que, à conta de Sócrates, já houve mais gente a visitar Évora nesta semana do que passageiros a aterrar no Aeroporto de Beja – desde a sua inauguração.