João Abel de Freitas, economista (o que quer que isso signifique hoje em dia) que publica regularmente no Jornal Económico, diz-se apreensivo. Apreensivo, diz-se ele, pelo destino dos CTT e da TAP privatizados (curiosamente, não se diz apreensivo por um sistema de Saúde e por uma Educação em pantanas consequência das cativações públicas). O problema (bom, um dos muitos problemas) de todo aquele longuíssimo texto ideológico de João Abel de Freitas é que parte logo de uma falácia repetida até à náusea pelos esquerdistas:
Eu sei perfeitamente que um esquerdista nunca se desdiz perante essa coisa menor chamada “factos”, mas aqui vai um excerto de uma notícia publicada em Maio de 2011 (ainda era governo o PS de Sócrates que tinha acabado de assinar o acordo com a troika):
António Costa diz que esta visita da troika “não tem nada a ver com as visitas anteriores“. Tem razão. As anteriores serviam para acompanhar a saída da bancarrota; esta e as próximas vão servir para acompanhar a (re)entrada em bancarrota.
Andar a discutir quem chamou a troika é, mais uma vez, iludir aquilo que deveria estar a ser discutido nesta campanha: porque é que ela veio e o que fazer para que não volte.
Passando por cima de JMT, com muita cordialidade profissional, mencionar de passagem a manchete de ontem do jornal onde escreve mas não a sua extrema criatividade, o que ele escreve é muito correcto. Mais correcto só se tivesse escrito algo como:
Andar a discutir quem chamou a troika é, mais uma vez, iludir aquilo que deveria estar a ser discutido nesta campanha: porque é que ela veio e o que fazer para que não volte. Andar ainda a discutir quem chamou a troika é garantia de que ela regressará.
O Público, na sua edição de hoje, publicou uma carta de 2011 que o então líder da oposição Pedro Passos Coelho enviou ao então primeiro-ministro José Sócrates:
Anunciou a publicação desta carta com os dizeres em chamada de primeira página:
PÚBLICO revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país.
A direcção do Público concluir, a partir desta carta, que Passos Coelho está a exigir algo, só me permite concluir que a direcção do Público é constituída por analfabetos – porque a alternativa seria a direcção do Público ser constituída por um grupo de reles canalhas.
Eu já antes comentei isto: quando se dá relevância às declarações de alguém, é jornalismo questionável não mencionar detalhes públicos sobre esse alguém que possam influenciar a interpretação que se lhes faz.
Resumir o currículo deste sr. Luis Bernardo a “ex-jornalista” parece-me altamente redutor – e desinformativo. Luis Bernardo tornou-se ex-jornalista em 1997, mas tem no seu trajecto profissional alíneas muito mais recentes e que podem fazer-nos reinterpretar o seu papel nesta manifestação: Luis Bernardo foi o fidelíssimo assessor de imprensa de José Sócrates, o seu maior especialista de spin e o tal “Luis” do famoso:
A repórter e a redação do jornal I não consideraram relevante para a notícia a referência a este rico currículo do ex-jornalista Luis Bernardo? Porquê? Será porque, se o fizessem, teriam forçosamente de perguntar:
O que faz o assessor de imprensa do Primeiro-Ministro que nos trouxe a troika na organização de manifestos intitulados “Que se lixe a troika”? Não acha haver aqui uma certa hipocrisia?
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