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Inquestionável

Marcelo disse hoje, na abertura da Banking Summit em Lisboa, que:

 

“(…) a Governação em 2015 deixou com inquestionável mérito um trilho aberto e começado a percorrer de drástica redução do défice, de sensibilização para a prioridade nacional do saneamento das contas públicas e de crescimento da economia portuguesa.”

 

Marcelo, que passou os primeiros dois anos de mandato de braço dado com Costa a fazer uma pútrida guerrilha contra Passos Coelho, fala agora do seu “inquestionável mérito”. Que inquestionável canalha é este Marcelo!

O Diabo está nos detalhes

São publicados textos a explicar as duas razões que tramaram Miguel Relvas – e depois mencionam apenas uns detalhes jurídicos.

 

Sejamos honestos. As duas razões que tramaram Miguel Relvas foram: termos um primeiro-ministro chamado Pedro Passos Coelho que, perante dúvidas sobre o currículo académico do seu braço-direito político, deu carta-branca ao ministro da Educação para fazer uma investigação séria; e termos um ministro da Educação chamado Nuno Crato que, incumbido de tal tarefa, não hesitou em agir em conformidade e decretar a nulidade do diploma daquele que era – repito – tão somente o braço-direito político do seu primeiro-ministro.

 

Comparemos: quando o currículo académico do primeiro-ministro Sócrates esteve sob escrutínio, ele “ordenou” ao ministro Mariano Gago uma “investigação” – e este inventou uns pretextos manhosos para fechar a universidade em questão e enterrar as informações relacionadas com o caso.

 

No fim de tudo, o que fica é isto: durante quatro anos tivemos um primeiro-ministro e um ministro da Educação íntegros; nos seis anos antes, tivemos um manhoso como primeiro-ministro e um pau-mandado como ministro do ensino superior.

Analfabetismo

O Público, na sua edição de hoje, publicou uma carta de 2011 que o então líder da oposição Pedro Passos Coelho enviou ao então primeiro-ministro José Sócrates:

carta_passos_sócrates.jpg

 Anunciou a publicação desta carta com os dizeres em chamada de primeira página:

PÚBLICO revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país.

A direcção do Público concluir, a partir desta carta, que Passos Coelho está a exigir algo, só me permite concluir que a direcção do Público é constituída por analfabetos – porque a alternativa seria a direcção do Público ser constituída por um grupo de reles canalhas.

Costa ganhou? Sim e não…

Acompanhei o enfadonho debate de ontem. Uma hora e meia sem uma única ideia para a próxima legislatura, nem de um lado nem do outro. Uma hora e meia de lavagem de roupa suja e conversas patetas acerca do passado. Uma hora e meia vazia, que nos faz arrepender de não termos estado a fazer qualquer outra coisa.

 

Costa ganhou o debate, quanto mais não seja porque conseguiu manter Passos Coelho permanentemente a reboque das suas acusações. Tomou a liderança, Passos seguiu, de forma ingénua. Explicou-se demais, normalmente mal, e acabou por não conseguir fazer passar a sua mensagem. Costa esteve agressivo e acutilante, embora raras vezes honesto, e Passos foi… passivo, talvez demasiado confortável com a tendência nas intenções de voto, que se mostra consistentemente favorável. Por isso, Passos terá entrado para não perder, para o empate. Como normalmente sucede com quem entra para empatar, perdeu.

 

Mas é importante analisar esta vitória. Costa ganhou no estilo, ganhou na postura, mas não no conteúdo. Não conseguiu, por um segundo que fosse, dissociar-se do legado socrático que paira sobre si como um fantasma inquieto, não apresentou uma única ideia ou medida concreta para os próximos 4 anos e até teve aquele deslize do “se tem saudades do eng. Sócrates vá visitá-lo e debata com ele…”, de uma deselegância que nos fez recordar que estavámos, afinal, na presença de um socialista.

 

Costa ganhou, é verdade, mas foi uma vitória pífia. Dificilmente terá convencido eleitores a votar em si, simplesmente porque não apresentou qualquer alternativa viável. Dificilmente terá sido suficiente para inverter a tendência que se tem verificado nas sondagens. Fica, no entanto, o aviso a Passos Coelho. Relaxar em cima dessa tendência pode ser uma estratégia perigosa. Colar Costa ao ex-recluso 44 não chega e a procissão ainda vai no adro.

 

Falta menos de um mês. A ver vamos!

Não havia nexexidade

Passos Coelho elogia Dias Loureiro qualificando-o como “um empresário bem-sucedido”. Passos Coelho, pelos vistos, está mortinho por perder as eleições.

 

Não é nada que não se tenha visto antes. Quando Armando Vara era um “banqueiro bem-sucedido” (após ter sido um bancário mal-sucedido), recordo-me de ver Jorge-Mota-Engil-Coelho gabá-lo como “uma formiguinha de trabalho”. Jorge Coelho, não o esqueçamos, grande amigo de Dias Loureiro. Isto é um círculo muito fiel…

Ana Gomes, um Rottweiler com eles no sítio

 

Surge hoje a notícia de que a União Europeia vai investigar Passos Coelho, Relvas e a Tecnoforma, tudo motivado por uma queixa de Ana Gomes.

 

Ponto prévio: concordo com o apuramento de responsabilidades em processos menos claros, independentemente do quadrante político dos intervenientes.

 

Posto isto, parece-me irónico que a queixa tenha partido desta máscula eurodeputada. Ana Gomes esteve com a sua frondosa queixada bem presente enquanto o ex-querido líder, agora reduzido à condição de comentadeiro da estação pública, e respectivos apaniguados transformavam Portugal num tipo de faroeste sem lei. Apesar de fazer parte de um tipo de oposição interna ao sultanato de Sócrates no PS e de ter sido comparada a um “rottweiler à solta” por um dos elementos do seu gabinete, não consta que tenha sido levantada qualquer investigação a Sócrates por iniciativa da senhora.

 

Numa outra perspectiva, finalmente surge uma notícia acerca de Relvas após a sua saída do Governo. Todo este silêncio mediático poderia levar uma qualquer mente paranóica a assumir que houve uma acção concertada para o afastar. Longe de nós pensar que algo deste género se pode passar aqui no rectângulo.