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A queda

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O geriátrico Soares foi ontem visitar o amigo e “bom homem” Sócrates à prisão. De cabeça perdida à saída, pois vergonha ou moral nunca teve para perder, disparou em todas as direcções.

 

O que afligia Soares? Ver um amigo, bom homem e impecável primeiro-ministro, vítima de um auto-de-fé? Sentir a sombra negra do fascismo abater-se de novo sobre a sua tão amada pátria, com prisões na calada da noite? Ver esse pilar da ética republicana chamado Partido Socialista sob uma perseguição política? Acordar de manhã e ver que já não tem fraldas na despensa?

 

Não. O velho Soares está desesperado (pois foi medo aquilo que lhe pressenti ontem) porque vê Ricardo Salgado, Maria de Lurdes Rodrigues, Armando Vara, Isaltino, Sócrates a braços com a justiça. Soares pressente o final da impunidade de que gozava toda uma mole de “bons rapazes e raparigas” que se serviam do Poder e da sua proximidade como se fossem Donos Disto Tudo. Soares receia que, finalmente, ele próprio veja a sua imunidade soárica revogada. E imagino que, algures nas catacumbas da sua fundação manhosa, filas e filas de máquinas trituradoras estejam a reencenar aquilo que foram os últimos dias da Stasi por alturas da queda do Muro.

O Segredo

Andam agora os defensores de Sócrates muito preocupados com a violação dessa coisa chamada “segredo de justiça”. Eu gostava de saber, em particular, o que diz sobre o tema o líder parlamentar socialista Ferro Rodrigues, que há uns anos foi gravado a dizer precisamente estar-se cagando para o segredo de justiça.

Sócrates is in the building

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A decisão de Carlos Alexandre quanto à medida de coação a aplicar a José Sócrates enquanto aguarda julgamento é um sinal. Um sinal de várias coisas.

 

A primeira é expressa no fundamento da própria decisão: deixar Sócrates em liberdade representava um risco para a integridade da investigação. Ao que parece, a PGR concorda. Outra, menos expressa mas também evidente, parece apontar para o facto de haver provas incriminatórias que deixam, ao juíz, poucas dúvidas e lhe dão o à-vontade de deixar em prisão preventiva alguém com o perfil mediático do ex-PM. Também parece que a Justiça deixou de ser apenas um sorvedouro dos recursos públicos e começou, de facto, a funcionar. Sem olhar a nomes ou tendências políticas (o caso dos vistos gold ilustra na perfeição este argumento).

 

Na mesma semana em que foi publicado um estudo que mostra o que todos sabiam em relação ao Magalhães, que foi um rotundo fracasso, o seu principal vendedor voltou a colocar Portugal nas bocas do Mundo.

 

Por fim, algumas notas:

1. Panfleto de propaganda online: Câmara Corporativa (ao bom estilo Mohammed Saeed al-Sahhaf)

2. Eu bem avisava…

Sócrates no devido lugar [2]

Este tipo de crime, pela sua própria essência, torna-se muito difícil de provar. Contudo, não me sai da cabeça que para um juiz deter um ex-primeiro-ministro, e ainda por cima um com o perfil público de José Sócrates, tem de estar acrescidamente convicto da linha de investigação. Para tal, imagino que possua informações que considera seguras: por exemplo, obtidas via alguém que esteja dentro do circuito da banca. Pessoa que conheço aventava que teria sido Vara a “soprar” isto ao ouvido de alguém interessado. Não acredito nisso: os mafiosos, honra lhes seja feita, não costumam delatar amigos com quem partilham uma vida de “negócios”. Por outro lado, recordei-me da ameaça, nos idos de Setembro, proferida pelo dinossáurico Soares: que quando Ricardo Salgado falasse, e iria falar, as coisas iriam ficar de outra maneira. Será que…?

Sócrates no lugar devido

Ontem à noite não vi televisão nem liguei o computador. Hoje de manhã, não vi televisão nem liguei o computador. Já passava do meio-dia quando, num quiosque, li na primeira página do DN “José Sócrates detido”. Continuei a andar alguns metros até interiorizar aquelas três palavras e recuei para me convencer de não ter imaginado aquilo que lera. Pensei como era curioso eu ter estado, durante tantas horas, naquela espécie de bolha, completamente alheado do que sucedera.

o escroque

Quem me conhece, sabe que não sou um optimista. Fui vencido tantas vezes que o meu espírito já não contempla a hipótese. Imagino que seja possível que amanhã Sócrates seja libertado e regresse à sua vidinha, com o seu sorrisinho hipócrita e acrescido da auréola de mártir. Mas hoje, pelo menos hoje, vivi num país em que um escroque, por mais bem envernizado, tem de olhar por cima do ombro. E isso, caramba!, foi bom.

Pior é sempre possível

O António questiona-se sobre como foi possível a reeleição de Dilma. Eu não tenho respostas definitivas – mas sempre vou dizendo que não chamamos aos brasileiros “povo irmão” por acaso. Os brasileiros, apesar de todas as evidências, votaram pela manutenção do petismo; os portugueses, apesar de todas as evidências, mostram-se dispostos a votar o regresso dos socráticos. Onde está a diferença?

O corajoso povo da Covilhã

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Curiosamente, muito pouco tempo depois de António Costa transformar o PS numa espécie de albergue para os defuntos socráticos, eis que emerge o nosso bandoleiro favorito. 

 

Homenageado na Covilhã, pelas mãos do edil socialista, pois claro, Sócrates, o Magnífico, falou de dívidas de gratidão, relações desequilibradas e de ajustes de contas.

 

Juntamos a esta narrativa o passado azarado deste aplicado estudante e vemos que entregar-lhe as chaves da cidade foi um verdadeiro acto de coragem.

Quem se mete com os nossos, leva!

A RTP (o tal canal de televisão que está controlado pelo Governo) foi ouvir o velho Soares, esse grande economista, a propósito do BES. Nunca vi a RTP pedir a opinião do palhaço Batatinha sobre a política integracionista de Putin. 

 

Primeiro, acho queriducha a constante simpatia que as gentes do PS, um partido supostamente de esquerda, têm para com os bancos e o grande capital.

 

Segundo, parece óbvio que os banqueiros, certamente mal habituados pelo constante desvelo maternal com que o PS olha para as suas diabruras, encaram o dinheiro dos contribuintes como uma solução para os buracos cavados pelas suas vigarices.

 

Terceiro, ao contrário do que o jurássico Soares afirma, não foi o Governo a atirar o BES para o charco. O BES foi parar ao charco (ou melhor, às areias movediças, pois quanto mais se mexe mais se enterra) graças às “liberdades criativas” de uns cavalheiros que o dirigiam.

 

Quarto, a ameaça de “Quando Ricardo Salgado falar, e vai falar, as coisas vão ficar de outra maneira”. Na essência, o decano Soares está a dizer que quem se mete com Ricardo Salgado, leva – tal como Jorge Coelho dizia que “quem se mete com o PS, leva”. Aliás, acho que o PS poderia generalizar: quem se mete com os nossos, leva.

 

Acontece que eu quero que Ricardo Salgado fale. Eu quero que Salgado fale tudo – mas é mesmo tudo, não um “tudo” seleccionado para conveniência de alguns. Tenho a certeza de que haveria muitos nomes conhecidos nessa lista, a começar por alguns que contribuíram para o regresso da família a Portugal.

 

Quando foi o BPN, o governo de então achou por bem queimar dinheiro do contribuinte de forma a deixar toda a gente satisfeita: banqueiros e futebolistas que tomam pequenos-almoços. A coisa não correu bem. Agora, o Governo adoptou estratégia diversa: não acorrer com pazadas de dinheiro do contribuinte para tapar os buracos abertos por um burlão bem relacionado. Até pode acontecer que a coisa corra igualmente mal – mas é uma diferença de postura interessante.

O aríete do socratismo

Recordo-me de várias pessoas opinarem que a votação de Marinho Pinto nas europeias seria um voto de protesto contra os partidos. Pensei então que estavam errados e hoje, enquanto o vejo em entrevista na TVI24, mais convencido fico.

 

Quem votou em Marinho Pinto não o fez em protesto contra os partidos políticos. O voto em Marinho Pinto foi um voto de socialistas – em protesto contra a direcção do PS. Marinho Pinto, hoje como antes um dos mais fanáticos apóstolos de Sócrates, recebeu o voto dos socráticos que o premiaram por aquilo que Seguro, apesar de toda a sua invertebralidade, não se rebaixou a fazer: a apologia do consulado de um louco.

Marinho Pinto é, simplesmente, o aríete do socratismo.