Por qué no te callas? [2]

Eu andava com a ideia de sugerir ao António que atribuíssemos um prémio “Por Qué No Te Callas?”. Receio, contudo, que se tornasse um prémio “Mário Soares” – com atribuição diária.

 

Infernizando-nos semanalmente com a publicação no DN de uma coluna de opinião/desfaçatez, o velho Soares bolçou hoje (entre outras pequenas maravilhas):

 

O Governo não comunica com os portugueses o que agrava o descontentamento e a incompreensão de uma situação que só tende a agravar-se. Não admira assim que os suicídios cresçam, como nunca antes sucedera, (…)

 

É atribuída a Einstein uma frase em que afirmava, de entre o Universo e a estupidez humana, só ter a certeza da infinitude da segunda. É óbvio que Einstein não conhecia a falta de escrúpulos do velho Soares.

Relvas e Futre

Quem me conhece, sabe das minhas reticências em relação a Miguel Relvas. Mas se é verdade que a RTP estava a sondar Futre e foi de Relvas que partiu a iniciativa de bloquear mais uma transferência milionária, não posso fazer mais nada senão saudar a sua decisão. Não é que eu tenha algo contra Paulo Futre – com excepção de não conseguir compreender uma única palavra do seu portunhol; tenho é contra “propostas irrecusáveis” feitas à custa do contribuinte.

Isaltinando

A acreditar no jornal Sol, Isaltino Morais já não pode ser chamado corrupto – apesar de ter sido julgado e provada a sua culpa.  Uns advogados manhosos, pagos regiamente, encontram sempre forma de anular condenações por “irregularidades processuais” (expressão que entrou em definitivo no léxico português). E entretanto houve prescrição, não podendo ser feito novo julgamento. Palpita-me que algo semelhante se vai passar no caso Face Oculta. E se fossem investigados Sócrates e os seus corsários, a mesma coisa.

 

Se isto não muda, é todo um país que vai prescrever.

Estou para ver

Quando os ocupantes da escola da Fontinha foram despejados, as franjas folclóricas foram muito rápidas a inundar a Internet e caixas de electricidade com sátiras a Rui Rio. Agora que a Câmara de Lisboa se prepara para acção semelhante, estou para ver quanto tempo essas mesmas franjas, armadas com os seus justiceiros pincéis 20, demorarão para manipular as efígies de Helena Roseta e António Costa.

Por qué no te callas?

Já chega. Façam-no parar. A sério! Açaimem-no. Os jornais insistem em colocar o microfone à frente do velho Soares para que ele, com moralidade inexistente, exercite a sua cara-de-pau sem qualquer escrutínio. Ana Sá Lopes, neste triste episódio, parece uma sopeira: “o sr. dr. isto”, “o sr. dr. aquilo”, “o sr. dr. acha”…

 

Sempre que Soares fala, eu sinto-me insultado.

 

Ao querer afastar-se da troika, e culpar o actual governo pelas dificuldades que alguns sentem, o escorregadio Soares parece aquelas pessoas que passaram décadas a fumar seis maços diários – e depois culpam o médico por perderem o cabelo na quimioterapia.

Os extremos que não se tocam

Apesar de perceber onde o João quer chegar, creio que ele deixou de fora um importante factor: o receio em relação à extrema-direita, manifestamente contrastante com o desinteresse leviano devotado aos resultados dos grupos de extrema-esquerda, advém do facto de ser inconcebível, para qualquer povo europeu, ser governado pela extrema-esquerda. Isto é, com o nível de maturidade política atingido na Europa Ocidental, todos sabemos que a extrema-esquerda nunca será olhada como uma alternativa válida para o poder. Não passa do voto de protesto, ou da contabilização do voto do analfabeto que não sabia onde por a cruz. Já a extrema-direita representa um perigo mais real, mais estruturado, e daí o receio generalizado.

 

Em relação aos resultados das eleições e e às expectativas orgásmicas dos socialistas após a magríssima vitória de Hollande, só um comentário: Merkel trocou de cão…

Sobre as eleições francesas e gregas

O centro do discurso político na Europa não é um centro geométrico: está claramente deslocado para o lado esquerdo. Só assim de justifica que quando a extrema-direita recebe 18% dos votos numas eleições, se puxem cabelos como se tal fosse a prova das profecias Maias; e quando a extrema-esquerda conquista 16% dos votos numas eleições, se olha para tal como uma simples curiosidade. Para muita gente, parece haver uma extrema maléfica e uma extrema (quando muito) pitoresca.

Uma questão de fé

A esquerda-lírica tem executado piruetas de cachalote por causa da campanha de ontem das lojas Pingo Doce (quanta publicidade gratuita…). Fazem-no por variados argumentos, cada um deles tolo e facilmente rebatível. Mas o que mais me diverte é este: “ofende a dignidade do Dia do Trabalhador”.

 

Para esta esquerda, que gosta de se exibir ateia, o Dia do Trabalhador parece então ser uma espécie de Sabat, durante o qual o povo se deve recolher em contemplação de São Marx, escutar o sermão de Frei Arménio Carlos, e entoar em coro a Internacional. Ou seja: um dia reservado à fé.