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O dia em que votei em Garcia Pereira

Consigo precisar: foi no dia 14 de Janeiro de 2001 – as segundas presidenciais Sampaio.

 

Nunca me tinha abstido até aí e fazê-lo não era opção que me atraísse. Sampaio não me inspirava confiança com o seu ar de sonso que passa pelos pingos da chuva – como bem recordamos, o futuro veio a dar-me razão. Ferreira do Amaral era apenas um cordeiro sacrificial para o PSD marcar presença; Abreu o funcionário comunista que o PCP escolhera para se sentar numa cadeira; o onírico Rosas foi o Abreu do Bloco. No meio desta gente, o camarada Garcia, eterno candidato do MRPP a tudo o que é eleição e com quem eu nunca partilhei uma única opinião política, pareceu-me o único candidato com alguma genuinidade. Garcia Pereira, se assim o quisermos entender, era o Alencar do meu Ega. Portanto, optei pelo voto inútil.

 

Faz-me, por isto, um bocado de impressão todo este processo que desaguou na sua demissão do partido pelo qual sempre deu a cara. É, contudo, também verdade que este é o retrato fiel dos grupúsculos de estrema-esquerda: como pressupõem a verdade absoluta daquilo que defendem, se perdem a culpa só pode ser do mensageiro – pois a mensagem, essa, nunca está errada.

 

Não faz mal: Pacheco Pereira há muito que se perfila para tomar o seu lugar.

Os extremos que não se tocam

Apesar de perceber onde o João quer chegar, creio que ele deixou de fora um importante factor: o receio em relação à extrema-direita, manifestamente contrastante com o desinteresse leviano devotado aos resultados dos grupos de extrema-esquerda, advém do facto de ser inconcebível, para qualquer povo europeu, ser governado pela extrema-esquerda. Isto é, com o nível de maturidade política atingido na Europa Ocidental, todos sabemos que a extrema-esquerda nunca será olhada como uma alternativa válida para o poder. Não passa do voto de protesto, ou da contabilização do voto do analfabeto que não sabia onde por a cruz. Já a extrema-direita representa um perigo mais real, mais estruturado, e daí o receio generalizado.

 

Em relação aos resultados das eleições e e às expectativas orgásmicas dos socialistas após a magríssima vitória de Hollande, só um comentário: Merkel trocou de cão…