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A preocupação de Elisa

Elisa Ferreira acusa a Europa de se preocupar mais com o Syriza do que com a sra. Le Pen. Bom, eu digo que a Europa até tem razão para a distinção: é que o Syriza está no poder – e a sra. Le Pen, tanto quanto sei, ainda não está.

 

O que não percebo é porque raio a sra. Elisa Ferreira está mais preocupada com os nacionalistas franceses que podem eventualmente chegar ao poder – do que com os nacionalistas gregos que já estão de facto no poder coligados com o Syriza.

Sobre as eleições francesas e gregas

O centro do discurso político na Europa não é um centro geométrico: está claramente deslocado para o lado esquerdo. Só assim de justifica que quando a extrema-direita recebe 18% dos votos numas eleições, se puxem cabelos como se tal fosse a prova das profecias Maias; e quando a extrema-esquerda conquista 16% dos votos numas eleições, se olha para tal como uma simples curiosidade. Para muita gente, parece haver uma extrema maléfica e uma extrema (quando muito) pitoresca.

O perdão da dívida

A cimeira dos líderes europeus, surpresa das surpresas, resultou na tomada de decisões. Depois de meses e meses de arrastamento e marasmo, alguém se lembrou de tirar a cabeça da areia e, bem ou mal, tentar fazer alguma coisa para travar a incessante galopada da crise das dívidas soberanas. A consequência mais imediata das deliberações levadas a cabo (nomeadamente a respeitante ao perdão de 50% da dívida helénica), cá no burgo, será, com certeza, uma exaltação do coro da nossa esquerda marxista, quais arautos da inevitabilidade, afirmando que há muito tinham definido esse como o único caminho possível. Daí a deduzir que se foi possível para a Grécia também será possível para Portugal será um minúsculo passo. A ver!

 

No chorrilho de críticas feitas por pessoas que nada percebem acerca de coisa nenhuma, que aparece sempre que alguém faz alguma coisa, já li, algures, que o reforço do Fundo de Estabilização para 1 bilião de euros (valor que, pela sua dimensão, manifestamente, ninguém consegue sequer compreender) iria implicar uma contribuição portuguesa e, consequentemente, mais medidas de austeridade. Lendo até ao fim, bom hábito que se foi perdendo com o passar dos anos, fica claro que o reforço do fundo não será efectuado com recurso a contribuições adicionais por parte dos países da zona Euro, mas sim por um misto de privados e investimentos financeiros de larga escala. Mas pedir a esta gente para ler qualquer coisa é, claramente, pedir demais.