Aquivos por Autor: António Pinto

O elo mais fraco

 

Portas acha-se maior do que o partido, maior do que o Governo e maior do que o País. Agiu, muito cheio de si mesmo, seguro de que daria início a uma jogada de poder brilhante. Não pensou em nada nem em ninguém para além do seu inflado ego. Vaidoso e traiçoeiro como sempre, lançou Portugal numa espiral de indefinição.

 

Nada disto, porém, está a correr como Portas esperava. Ao demitir-se, de forma “irrevogável”, abriu, inadvertidamente, espaço ao impensável: um Governo de coligação sem Portas e, quiçá, um CDS sem Portas. Há alguns sinais neste sentido. Desde o seu insurdecedor silêncio às vozes contundentes de figuras do partido como Lobo Xavier ou Nobre Guedes. E agora isto.

 

Veremos o que acontece, mas é bom não esquecer que quem vive pela espada, pela espada morrerá.

Portas igual a… Portas

Portas fez o que sabe e agiu de acordo com o sangue que lhe corre nas veias. É um verme político. Achará, porventura, que retirará dividendos eleitorais desta sua postura. Estes dividendos podem ser capitalizados de duas formas:

 

1. Vamos para eleições e Portas apresenta-se como o mártir que, apesar de todas as adversidades, manteve os liberais desenfreados sob controlo;

 

2. Passos assume o Governo minoritário e dá a Portas o poder de um acordo de incidência parlamentar. Manda e desmanda no Governo e apresenta-se a eleições, talvez para o ano, como o herói que moldou o orçamento, tornando-o mais people friendly.

 

Talvez Portas conte com esta segunda opção. Talvez lhe passe pela cabeça que a sua demissão relâmpago, sem qualquer respeito ou lealdade institucional, não terá qualquer efeito na sua popularidade. Talvez considere que meia dúzia de danças numas feiras espalhadas pelo país enquanto enverga um alegre boné azul apagam tudo.

 

Quero acreditar que não. Quero acreditar que o tiro lhe sairá pela culatra. Não me passa pela cabeça que o País ilibe semelhante canalha.

O chocolate de Vítor Gaspar

Se Gaspar cometeu erros? Cometeu. Se se enganou nas previsões que foi fazendo? Seguramente que sim. É por isso que foi um mau Ministro das Finanças? Não me parece. 

 

Vítor Gaspar teve a coragem de começar a fazer aquilo que todos sabiam ser necessário fazer há pelo menos 15 anos. Ninguém, antes dele, se aventurou por esse caminho, sinuoso e impopular. A cada dia que passava a factura crescia e os nossos políticos foram descansando com a segura certeza de que, um dia, alguém haveria de pagar, sem que outro alguém fosse responsabilizado. Chegou um não político e o paradigma mudou, de um dia para o outro. Vítima de jogadas políticas rasteiras, dentro e fora do Governo, Gaspar afasta-se, incompatível com o novo ciclo do ajustamento, mais virado para o crescimento (?).

 

Vivemos uma era curiosa, na qual os responsáveis pela situação em que estamos enfiados têm programas regulares na estação de televisão pública e dão entrevistas do alto de um pedestal, como fez Teixeira dos Santos. 

 

De notar que as únicas semelhanças entre o segundo mandato deste senhor e o consulado de Gaspar são a duração e uma terrível e pesada herança deixada por… Teixeira dos Santos. De resto, é como comparar merda com chocolate.

Ana Gomes, um Rottweiler com eles no sítio

 

Surge hoje a notícia de que a União Europeia vai investigar Passos Coelho, Relvas e a Tecnoforma, tudo motivado por uma queixa de Ana Gomes.

 

Ponto prévio: concordo com o apuramento de responsabilidades em processos menos claros, independentemente do quadrante político dos intervenientes.

 

Posto isto, parece-me irónico que a queixa tenha partido desta máscula eurodeputada. Ana Gomes esteve com a sua frondosa queixada bem presente enquanto o ex-querido líder, agora reduzido à condição de comentadeiro da estação pública, e respectivos apaniguados transformavam Portugal num tipo de faroeste sem lei. Apesar de fazer parte de um tipo de oposição interna ao sultanato de Sócrates no PS e de ter sido comparada a um “rottweiler à solta” por um dos elementos do seu gabinete, não consta que tenha sido levantada qualquer investigação a Sócrates por iniciativa da senhora.

 

Numa outra perspectiva, finalmente surge uma notícia acerca de Relvas após a sua saída do Governo. Todo este silêncio mediático poderia levar uma qualquer mente paranóica a assumir que houve uma acção concertada para o afastar. Longe de nós pensar que algo deste género se pode passar aqui no rectângulo.

 

MST, o tudólogo idiota

 

Miguel Sousa Tavares, nos seus delírios etílicos, decidiu chamar palhaço ao Presidente da República. Consequência lógica, a PGR abriu-lhe um inquérito.

 

Após uma análise superficial dos comentários que abundam nas redes sociais, surpreende-me ver a quantidade de pessoas que acham perfeitamente normal dedicar ao Chefe de Estado semelhantes epítetos. Mais estranho ainda, verificar que muitas pessoas acham que o facto de ter sido alguém lamentavelmente vísivel a proferi-los é comparável à conversa de café que tem lugar entre anónimos.

 

Muito mais do que qualquer taxa, imposto, despedimento ou corte salarial, é este tipo de cultura democrática que grassa por aí que me faz não ter qualquer esperança na concretização de um milagre que nos tire da fossa.

O bolsar verborraico de José Lello

 

Uma viagem pelas redes sociais que descamba nas atoardas socialistas é má, uma destas viagens que passa pelos delírios psicóticos da matilha socrática é péssima, mas uma que termina na conta de Twitter do inenarrável José Lello é um autêntico pesadelo. Fiel a si mesmo, maldoso, rasteiro e ignorante, achou que publicar isto, aqui, seria uma excelente ideia:

“Pai de Passos diz que”filho está morto por se ver livre disto”.Os portugueses estão desesperados por se verem livres dele.Morto ou vivo!”

Mais um defenestrável deputado socialista com problemas crónicos de inversão do aparelho digestivo.