José Milhazes lançou um livro interessante, que aborda o golpe de 1977 em Angola à luz da purga que verdadeiramente foi.
Mais um magnífico exemplo do conceito de democracia que os comunistas, invariavelmente, adoptam.
José Milhazes lançou um livro interessante, que aborda o golpe de 1977 em Angola à luz da purga que verdadeiramente foi.
Mais um magnífico exemplo do conceito de democracia que os comunistas, invariavelmente, adoptam.
Segundo o Expresso, o DCIAP está a investigar o PGR de Angola por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Quem saltou (anquilosadamente) em defesa de uma das principais figuras do Estado angolano, esse oásis de idoneidade? O ancestral Soares:
“(…) equívocos eventualmente existentes devem ser desfeitos com boa vontade recíproca”.
Com uma flexibilidade moral eternamente jovem, o geronte Soares afirma que devemos respeitar “acrescidamente” o posto do PGR angolano – mesmo que o próprio, nas suas acções, não o esteja a fazer. Da mesma forma, diz que “a polémica desencadeada pela notícia não é positiva para ninguém”; imagino então que, por oposição, a existência de corrupção impune nos principais actores do Estado angolano seja positiva para todos (para alguns terá sido, certamente).
O remoto Soares tem uma exigência de valores para com os seus amigos bastante relativa, agora como no passado. Hoje, não se importa se Portugal for visto como um cúmplice, por inacção, da cleptocracia angolana. Continua, afinal, o mesmo homem que, enquanto Presidente da República, visitou o seu amigo Bettino Craxi, fugido à justiça italiana por corrupção.
Como diria Arménio Carlos, os amigos são para as ocasiões. E Soares tem-se sempre desvelado, com o coração palpitante, por paixão a Angola e ao povo angolano. Enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros, garantiu “em nome de Portugal o direito inalienável dos povos colonizados à independência” (aquilo que alguns cantam como a “descolonização exemplar”). Depois, esforçou-se por manter boas relações com o MPLA e Savimbi (como a palavra “Negócios”, do seu pretérito ministério, pareceu clarividente). As suas declarações de hoje não são mais do que a continuidade desta luta de sempre pelos laços fraternos luso-angolanos.