Do jornalismo (2)

Eu já critiquei o jornalismo que se faz por cá. Num mundo em que o mais valioso, para um jornal, é receber cliques vindos do Google, a qualidade daquilo que se publica deixa de importar tanto e, nessa economia de pageviews, os preços mais baixos da publicidade deixam, num mercado pequeno como o português, de suportar os custos exigidos pela investigação jornalística.

Mas o que se passou com este cavalheiro chamado Artur Baptista da Silva, que durante meses se passeou como economista, funcionário da ONU, professor universitário e sábio, dando palestras e participando em “programas de debate” na TV, não é apenas sintoma da fraca qualidade do jornalismo que temos. É também um sinal de como algum “jornalismo”, mais interessado em fazer combate político do que em cumprir o seu papel, não se preocupa minimamente em escrutinar aqueles cuja mensagem serve os seus interesses.

Mecenato

Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes no consulado de Sócrates e Mário Lino, veio criticar a suspensão do TGV. Considera-a um “profundo retrocesso para a economia portuguesa”.

 

Interessante, a desfaçatez destas gentes. Mas ainda mais interessante é este argumentário:

 

“o projeto (…) poderia sustentar-se economicamente por si próprio, beneficiando de fundos comunitários entretanto perdidos por Portugal.”

 

O projecto, pelo que percebo, podia ser auto-sustentável – mas na condição de beneficiar de fundos comunitários. É um argumento genial: a sua auto-suficiência derivaria não da sua utilidade, graças aos pagamentos de quem dele usufrui, mas da sua simples existência – recebendo um subsídio por ter sido construído.

 

Continua a ser este, afinal, o conceito de sustentabilidade económica que as mentes socialistas abraçam. É como se fôssemos um país sustentado por mecenato.

Prazo de validade expirado

Como qualquer produto cujo prazo de validade expirou há muito, Mário Soares já devia ter sido retirado da circulação pública.

 

Fui questionado sobre o porquê de não ter comentado as recentes actuações do velho Soares. A razão é simples de explicar: ao contrário do que acontece ou sempre aconteceu com este, eu tenho necessidade de trabalhar para sobreviver. Numa impressionante (e lamentável) demonstração de vitalidade para alguém com a sua idade, o antigo Soares fez de comentar as suas manifestações de pulhice – um trabalho a tempo inteiro. O que explica a caterva de jornalistas que o segue em procissão.

 

Mas tenho-o visto e lido. Principalmente lido. Li a famosa carta-aberta, que se pressente composta pelo próprio dinossauro de tão pobre é o vocabulário que já vai minguando. E, principalmente, li a mais recente homilia publicada no DN.

 

Sobre ele e esta, Duarte Marques, líder da JSD, afirmou:

 

“Em Portugal, a Mário Soares parece que tudo se perdoa, mas há limites para a estupidez.”

 

Admitamos que Einstein estava errado, que eu estou errado e que Duarte Marques está certo. O problema é que mesmo havendo um limite para a estupidez humana, o que não há certamente é um limite para a vileza do obsoleto Soares – em si, a própria definição do infinito. Por isso, eu acho que Duarte Marques foi muito contido. Se eu estivesse no seu lugar, teria dito

 

“Em Portugal, a Mário Soares parece que tudo se perdoa, mas devia haver limites para a filha-putice”.

0 aviões e 10 moscas

Li que no terceiro trimestre desembarcaram no Aeroporto de Beja – 0 passageiros.

 

Um aeroporto em Beja é um desafio à razoabilidade – curiosamente, obra de um governo cujo ministro das Obras Públicas ridicularizou em público a ideia de um aeroporto em Alcochete com o argumento de ser “um deserto”.

 

Um aeroporto que custou 30 milhões de euros e não tem passageiros, faz tanto sentido como um hospital sem doentes. A diferença, infelizmente para nós, é que este hospital pertence ao reino da ficção:

 

Os Mini e as 4L

Há quem diga que António Costa nutre um ódio visceral por carros. Discordo. Como nunca vi A.C. afadigar as perninhas gordas nas ciclovias que vai pintando nos passeios, ou espremendo-se num autocarro da Carris ou numa carruagem do metropolitano, inclino-me mais para uma cobiça envergonhada comum nestes burgueses de Esquerda.

 

Costa proibiu (como as gentes de Esquerda adoram o verbo proibir!) a circulação de carros com mais de 12 anos no centro da cidade. Agora, Costa vai instalar em semáforos um sistema de vigilância (como estas gentes de Esquerda adoram o verbo vigiar!) que irá identificar as matriculas dos prevaricadores. A justificação para isto é a omnipresente “qualidade do ar”.

 

Que magnífico exercício de hipocrisia! O lisboeta (residente ou de passagem) tem que suster a respiração por causa de um cocktail infernal que se evola da cidade: lixo, dejectos, urina, poeira das constantes obras. E o indizível António Costa pretende-nos salvar – proibindo os Mini.