Remexer o ar

O palermóide Seguro vem agora dizer, num arroubo de poesia, que se fosse primeiro-ministro (os deuses nos protejam desse advento!) a austeridade seria uma necessidade mas não uma estratégia prioritária.

 

Seguro cada vez mais me recorda essa má memória de nome Guterres. O seu projecto político é gastar. O seu discurso político é feito de chavões ocos ou demagogias canalhas.

 

Mas forcemos Seguro a olhar para a realidade:

 

A razão para estarmos agora na necessidade de austeridade resulta em grande parte da estratégia prioritária dos consulados socráticos: gastar, endividar, oferecer negócios aos amigos. E Seguro, então, assistia calmamente ao desastre na bancada parlamentar que aplaudia de pé Sócrates e o naufrágio de um país.

O que é o comunismo?

A greve geral tornou-se um mecanismo de utilização recorrente por parte da facção terrorista do PCP. Chegaremos, em breve, a um tempo em que será convocada uma greve geral todos os meses. Perdendo em números e perdendo em atenção, nada mais resta aos peões de brega do Partido que não a organização de “piquetes de greve”, cuja principal função é assegurar que o direito constitucional à greve é cumprido, enquanto que outro direito constitucional, o direito ao trabalho, é reprimido com violência sempre que as autoridades policiais não estão a olhar. Não merece, por isso, grande atenção. Confrontou-me, antes, com a evidência de um facto acerca do comunismo. Um facto que tendemos a esquecer.

 

O comunismo é um modelo de concepção socio-económico que já teve várias oportunidades, em diversos contextos, de dar provas. Que o digam os povos fustigados pelos seus horrores, levados, à laia de cobaias, aos mais baixos patamares de dignidade que a condição humana pode prever. O comunismo falhou. Falhou sempre e inapelavelmente. Falhou em termos económicos, sociais e humanos. Viveram-se, sob a égide de ditadores comunistas, alguns dos episódios mais arrepiantes que a História guarda, algo envergonhada, nos seus anais. Todos conhecemos os resultados obtidos pelos campeões vermelhos da democracia em cenários tão díspares como Cuba, Coreia do Norte, China, ex-URSS, ex-RDA ou Venezuela, por exemplo. É uma história manchada pelo vermelho do sangue, pelo sofrimento das vítimas que sucumbiram a regimes de repressão brutal, inconcebíveis à luz do Mundo moderno.

 

À nossa pequena escala, vemos que os países aflitos são, curiosamente, aqueles onde a extrema esquerda tem mais peso. Portugal e Grécia são ilustrações perfeitas deste pensamento. Países onde os princípios comunistas estão, ainda, teimosamente enraizados, como se pode constatar na lei laboral, por exemplo. Custa, muito sinceramente, perceber como é possível que facções políticas radicais de esquerda obtenham, em eleições, cerca de 20% ou mesmo 30% (caso grego) dos votos. O voto de protesto não justifica promover a eleição de pessoas oriundas de uma ideologia que produziu algumas das mais sinistras personalidades da história humana, como Estaline, Mao Tse-Tung ou Kim Il-Sung. Nada justifica! Estes ideais radicais e desnecessários no Mundo moderno deveriam, isso sim, seguir o caminho da ilegalização, à semelhança, por exemplo, do nazismo.

O hirsuto Otelo

A Lusa foi ouvir Otelo (a que propósito se lembraram dele? Irão ouvir todos os loucos no Júlio de Matos?). Este diz que a revolução está iminente e termina:

 

“Tal como lhe disse em novembro do ano passado, com 800 homens eu fazia uma operação militar e mudava o regime. Mais do que mudar o governo, é preciso mudar o regime”.


Sim, nós já percebemos que o problema de Otelo é mesmo o regime – esta coisa da democracia é uma chatice.

A importância de um nome

José Luis Judas, por certo carinhosamente chamado “o Judas” pelos seus ex-camaradas do PCP, é um dos nomes apontados no PS para as autárquicas em Cascais. No seu caso, seria um regresso – regresso a uma casa em que foi polémico.

 

Eu tenho reticências. Não por causa do tal processo que lhe foi movido e entretanto arquivado por falta de provas (o prato do dia na nossa Justiça). As minhas reticências devem-se ao facto de o seu regresso ser apoiado por “um grupo de empresários locais”. Sempre que “empresários locais” se manifestam satisfeitos com um autarca ou candidato a tal, os meus níveis de desconfiança disparam.

 

Há um outro ponto que me causa desconforto: a displicência com que o PS olha para o poder local. João Gil (o insuportável “músico”) foi considerado pelo PS para Cascais. João Gil? Qual o pensamento político que se conhece de João Gil – sem contar o sempre ter gravitado à volta do PS? Certamente que as suas ideias para a autarquia não estão expostas nas suas musiquetas – delas, as únicas coisas que consigo retirar são cólicas.

 

Para terminar, uma nota curiosa: o PS mostrou-se – pois, claro que sim – incomodado com as recentes declarações de António Borges sobre os empresários. Leiamos então este excerto de uma entrevista de José Luis Judas em 2009:

 

Acha que temos uma classe empresarial fraca?

Simplesmente não existe. São analfabetos do ponto de vista da literacia e do ponto de vista empresarial.