O jogo da Glória

 

Li em alguns blogues afectos à Esquerda, e nas caixas de comentários dos jornais, protestos pelo aproveitamento político que a Direita (como os senhores da Esquerda gostam de cuspir as consoantes da palavra Direita) estaria fazendo deste episódio Glória Araújo. A senhora, dizem eles, cometeu um erro na sua vida privada, pede desculpa por isso e esquece-se o assunto.

 

Estão, estes senhores, a querer enviesar a questão.

 

Aquilo que um deputado faz na privacidade é com ele. Não me interessa para nada se um deputado, seja de que bancada for, celebra o seu aniversário com bebedeiras de cair ou açoites nas nádegas. Se não é ilegal e não é contrário a princípios que defende na sua actividade, não tenho nada a ver com isso.

 

Mas quando alguém, seja ele quem for, acha ser boa ideia conduzir com uma taxa de álcool de 2,4g/l, não está a fazer algo privado. Está, isso sim, a cometer um crime e a colocar terceiros em perigo – e isto não é um acto privado, é um acto público (e bem público).

Eles estão a chegar

 

O título da notícia está muito bem pensado e é precisamente o que eu diria:

 

Devagarinho, António Guterres regressa a Portugal

 

Os candidatos à presidência da República aí estão a posicionar-se. O Alto Refugiado das Nações Unidas nunca conseguiu esconder o seu desejo pelo cargo. Basta recordar a sua inacção enquanto Primeiro-Ministro para perceber que, já então, ele tinha apetências por cargos mais institucionais do que executivos. Aliás, não tomar nenhuma decisão parecia ser a ideia de paraíso para António Guterres.

Por Qué No Te Callas [8]

O ancestral Soares diz que:

 

(…) é preciso “pôr os mercados no lugar” sob pena de o mundo poder caminhar para um terceiro conflito à escala mundial (…)

Soares, confuso e demente, já sonha com a Terceira Guerra Mundial. É muito cruel, esta sociedade moderna, na qual as famílias não se dignam prestar os cuidados devidos aos seus velhos e os deixam andar por aí, perdidos, a exibirem-se nestes tristes espectáculos.

O livro de estilo comum

Quase apetece dizer que há uma cartelização nas primeiras páginas dos jornais.

 

Na edição de hoje do Correio da Manhã, lê-se que

 

Dúvidas de Cavaco valem 1,8 mil milhões

 

Já o Jornal de Notícias titula que

 

Dúvidas de Cavaco valem 1,8 mil milhões

 

O Público, felizmente, optou por ser original e pensar pela sua própria cabeça:

 

Dúvidas de Cavaco sobre OE valem 1,5 mil milhões

Como fazer jornalismo de investigação

De como Guadalupe Portelinha, da Associação Abril, fez o que o medíocre Nicolau Santos do Expresso não soube (ou quis) fazer:

 

Foi na preparação do ciclo de conferências que Guadalupe Portelinha começou a desconfiar. “Fiz uma pesquisa na internet e não aparecia o nome dele em lado nenhum. Hoje qualquer anónimo aparece e achei estranho. Ainda assim, não tirei logo conclusões porque por vezes em Portugal não se reconhece o valor das pessoas.” Não tardaram outros motivos. Um contacto na ONG Vida fez–lhe chegar a informação de que o estudo em causa era plagiado e de que já teriam mesmo contactado a ONU em Nova Iorque, que disse desconhecer a estrutura invocada por Baptista da Silva. Portelinha explica que nas últimas semanas pensou que restassem poucas dúvidas de que pelo menos o percurso não correspondia à realidade, não obstante a capacidade argumentativa, até por ter informação de que já havia jornalistas a investigar a questão. Foi por isso que viu com surpresa o destaque dado ao orador pelo “Expresso” na última sexta-feira. “Nunca disse nada porque sabia que a situação já era do conhecimento dos jornais e não recebemos resposta ao email enviado à ONU.”


Eu chamo particular atenção para a parte que destaquei: “Fiz uma pesquisa na internet e não aparecia o nome dele em lado nenhum. Hoje qualquer anónimo aparece e achei estranho.” Já Nicolau Santos esclarece, num texto com oito pontos, que:

 

8.    O Expresso e eu próprio assumimos este erro e iremos reforçar os mecanismos que permitam um controlo acrescido sobre a credibilidade das fontes com que lidamos diariamente.


Tem piada: se houvesse a mínima vergonha na cara, Nicolau Santos ter-se-ia demitido e o Expresso apresentaria isto no início da lista. Mas não: é o último ponto do rol, o “controlo acrescido sobre a credibilidade das fontes”. O controlo acrescido, pelo que Guadalupe Portelinha mostrou, é ir a um motor de busca – uma complicação para estes jornalistas, grandes na sua própria imaginação.