Aquivos por Autor: António Pinto

Revoluções a granel [2]

Vasco Lourenço disse isto.

 

Já sabemos que a golpada que o camarada Vasco e os seus compinchas prepararam há uns anos não correu exactamente como estavam à espera. Se houvesse condições, afirma o patusco Vasco, lideraria outra revolução. A que condições se refere o “capitão de Abril”?

 

Talvez hoje Portugal não seja um país tão “revolucionável”. Talvez isso tenha a ver com o facto de ter os cofres vazios.

 

Citando o João: Por qué no te callas?

Outra vez, Joana?

 

Joana Amaral Dias dizia, algures no meio de uma aula de civismo e honestidade intelectual que lhe foi generosamente dada por António Pires de Lima, que as forças políticas tinham não só o direito como o dever de influenciar “as ruas”.

 

Primeiro: é bom ter a confirmação de que não houve qualquer presença política na manifestação.

 

Segundo: a senhora já mudou outra vez de casa?

 

Querido, aumentei a manifestação

Assistimos, no sábado, a mais uma manifestação. À pretensão inorgânica de um movimento claramente organizado, juntaram-se os emplastros do costume (PCP, BE e CGTP). Esta é, para mim, uma das fraquezas destes “movimentos cívicos”. A permeabilidade a estruturas políticas de extrema-esquerda, os cravos vermelhos e os punhos erguidos irão sempre afastar das manifestações pessoas que, apesar de terem legítimas razões para protestar, não se reconhecem no estilo caceteiro da esquerda portuguesa.

 

Foram-se aventando, ao longo do fim-de-semana, números que desde logo me pareceram absurdos: 500 mil, 800 mil em Lisboa, mais de 1,5 milhões no país… o Público analisou a questão. Concluíu que o Terreiro do Paço cheio (que não estava, nem de perto nem de longe) leva cerca de 180 mil pessoas, isto contando com uma densidade de 4 pessoas por metro quadrado (para se ter uma ideia, a densidade observada no metropolitano, em hora de ponta). Isto reforça, claramente, a minha primeira ideia.

 

Claro que vozes se ergueram contra estes números. Verdades desconfortáveis que atrapalham mitos não são bem-vindas. Há sempre uma solução: fazer uma manifestação contra o Público.

O governador esquecido

Vitor Constâncio, governador do Banco de Portugal durante a orgia desenfreada de roubos do BPN, afirma que é “pertinente que Portugal tenha mais um ano para corrigir o défice orçamental”.

 

Também será pertinente perguntar: qual o verdadeiro peso do BPN nesse défice?

 

Talvez Constâncio, que estava à frente da entidade reguladora quando tudo aconteceu, possa responder.

Christine é boazinha

Confesso que a grande novidade acerca da resposta de Lagarde a Seguro foi o facto de haver uma resposta de Lagarde a Seguro.

 

No contexto nacional, já quase toda a gente aprendeu a tratar Seguro com o carinhoso desdém que ele merece. O mesmo desdém adoptado, aliás, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia. 

 

Analisando um pouco do conteúdo, facilmente se verifica que Lagarde “chove no molhado”. Fala do díficil equilíbrio entre ajustamento orçamental e aposta em políticas de crescimento e de mais dois ou três lugares comuns. A posição do FMI sobre o assunto é clara (embora muitos queiram lançar o véu da dúvida) e só a ingenuidade pueril do líder a prazo do PS o levou a expor-se ao ridículo de balbuciar algumas coisas acerca de uma carta que tinha enviado. Sobre as eventuais respostas, nada!

 

Seguro, seguindo a linha socialista que nos conduziu à indigência, exigia a presença de responsáveis políticos na análise à situação económica do país. Os políticos, porventura os mesmos que, como ele, assistiram, impávidos e serenos, à viagem rumo à fossa onde hoje estamos atolados. Os políticos que, ao invés de estarem presentes nesta ou naquela avaliação, talvez devessem ser presentes à barra dos tribunais.

E viva a liberdade de expressão

Antropólogo e performer (?), Paulo Raposo, activista da turba “Que se lixe a Troika” e grande defensor da liberdade de expressão, afirma que a banda sonora dos últimos protestos a que temos assistido foi escolhida para “apelar àquilo de que a troika se esqueceu: os valores de igualdade, de liberdade e de fraternidade”. É o mesmo Paulo Raposo que, no seu site, não permite comentários. Sintomático.