Eu sei, António, quais são as condições que impedem o rotundo Vasco Lourenço de se lançar, a passo largo, rumo à revolução: é a artrite nos joelhos; são os bicos de papagaio; é a mão que já vai tremendo; é o farto ventre que evidencia o aburguesamento das efervescências de juventude…
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Revoluções a granel [2]
Vasco Lourenço disse isto.
Já sabemos que a golpada que o camarada Vasco e os seus compinchas prepararam há uns anos não correu exactamente como estavam à espera. Se houvesse condições, afirma o patusco Vasco, lideraria outra revolução. A que condições se refere o “capitão de Abril”?
Talvez hoje Portugal não seja um país tão “revolucionável”. Talvez isso tenha a ver com o facto de ter os cofres vazios.
Citando o João: Por qué no te callas?
Revoluções a granel
Otelo Saraiva de Carvalho mostra-nos, aqui, posições curiosamente paradoxais, em especial esta:
“Quanto ao teor das suas declarações, que já provocaram polémica por serem entendidas como um apelo ao tumulto, o ‘militar de Abril’ defende que a ‘Revolução dos Cravos’ teve como um dos seus objetivos garantir-lhe precisamente esse direito: “O de poder dizer as alarvidades que eu quiser, porque o que eu digo é a minha opinião e, num país livre, eu não posso ser condenado por expressá-la”.
Examinando as palavras deste homem com alguma minúcia, esbarramos com a seguinte idiossincrasia: Otelo acha que um golpe militar lhe deu a liberdade para instigar outros golpes militares, ainda que a ideia seja classificada pelo próprio como uma “alarvidade”. Temos, aqui, um vislumbre da extrema complexidade intelectual deste homem. Uma pequena afirmação, que contém três ou quatro conceitos que se incompatibilizam e ridicularizam entre si. Otelo precisa de acordar do sono profundo em que entrou por alturas do PREC e do verão quente de 75 e perceber que a incitação ao tumulto e à insurreição seja de que sector da sociedade for é um crime grave, justamente punido por lei. Existe, no entanto, a muito provável atenuante da inimputabilidade…