Aquivos por Autor: António Pinto

Seguro, perdido no bosque

Seguro está rodeado de predadores. A situação de Seguro no PS faz lembrar o argumento de alguns filmes de meados dos anos 90, de concepção algo descuidada, nos quais um anti-herói insuspeito era largado num bosque e, após duas horas de avanço generosamente concedidas, era alvo de uma perseguição incansável por parte de um grupo de vilões armados até aos dentes. Seguro foi largado no bosque (PS), foi-lhe dado algum tempo de avanço (o suficiente, esperam os caçadores, para que o desgoverno socrático caia no esquecimento) e agora os vilões saíram da cabana.

 

Este é o primeiro momento de clímax desta película. É aqui que começa o suspense. No entanto, ao contrário do que sucede nestes filmes, nos quais o mal amanhado protagonista, contra tudo e contra todos, acabava sempre por prevalecer, Seguro parece condenado a sucumbir às primeiras flechas, confirmando o seu papel desmaiado de líder transitório, caminhando para o túmulo poeirento da História no qual nada é recordado, armado com o ténue conforto de que ali, pelo menos, saberá com o que contar.

 

Resta uma importante questão: quem terá a “honra”, entre o assustador friso de vilões socialistas, de dar a Seguro a paz misericordiosa pela qual, com aquele olhar desorientado, o próprio parece implorar? Uma análise superficial atira António Costa para o topo das preferências (talvez não de Arménio Carlos, agora inclinado para interlocutores mais… arianos), mas imagine-se o seguinte: Costa abdica de Lisboa e o PS perde a Câmara para Seara. Numa altura em que as malogradas conferências de imprensa de Gaspar parecem, cada vez mais, fazer parte do passado, estará o anafado edil na disposição de correr um risco que, se correr mal, mas mesmo muito mal, lhe pode custar a carreira política?

ADSE – a granada de fragmentação do PS

O tema ADSE estilhaçou a estratégia que o nosso amigo Tó Zé tinha delineado para o PS: capitalizar as medidas difíceis que este Governo tem de tomar e, sem propor uma única medida ou alternativa digna desse nome, ganhar eleições. Álvaro Beleza saiu da toca e desafinou a orquestra.

 

Desde então, têm-se feito ouvir vozes de notáveis e menos notáveis do PS bradando a sua indignação perante tão vil posição. Aqui, claro destaque para José Lello, com um brilhante “a maioria dos funcionários públicos são eleitores do PS”. Sintomático. Desde que descobriu o Facebook, José Lello não mais parou de debitar as suas doutas opiniões. Talvez tenha passado ao lado de uma outra grande carreira, onde talvez, apesar de tudo, fosse mais contido nos disparates.

 

A tudo isto assiste o patrono indiscutível da família socialista, o adoentado Soares, confortavelmente acomodado numa cama fofinha do Hospital da Luz que tem, curiosamente, protocolo com a ADSE. Adoro quando os meus textos saem assim redondinhos.

O que é o comunismo?

A greve geral tornou-se um mecanismo de utilização recorrente por parte da facção terrorista do PCP. Chegaremos, em breve, a um tempo em que será convocada uma greve geral todos os meses. Perdendo em números e perdendo em atenção, nada mais resta aos peões de brega do Partido que não a organização de “piquetes de greve”, cuja principal função é assegurar que o direito constitucional à greve é cumprido, enquanto que outro direito constitucional, o direito ao trabalho, é reprimido com violência sempre que as autoridades policiais não estão a olhar. Não merece, por isso, grande atenção. Confrontou-me, antes, com a evidência de um facto acerca do comunismo. Um facto que tendemos a esquecer.

 

O comunismo é um modelo de concepção socio-económico que já teve várias oportunidades, em diversos contextos, de dar provas. Que o digam os povos fustigados pelos seus horrores, levados, à laia de cobaias, aos mais baixos patamares de dignidade que a condição humana pode prever. O comunismo falhou. Falhou sempre e inapelavelmente. Falhou em termos económicos, sociais e humanos. Viveram-se, sob a égide de ditadores comunistas, alguns dos episódios mais arrepiantes que a História guarda, algo envergonhada, nos seus anais. Todos conhecemos os resultados obtidos pelos campeões vermelhos da democracia em cenários tão díspares como Cuba, Coreia do Norte, China, ex-URSS, ex-RDA ou Venezuela, por exemplo. É uma história manchada pelo vermelho do sangue, pelo sofrimento das vítimas que sucumbiram a regimes de repressão brutal, inconcebíveis à luz do Mundo moderno.

 

À nossa pequena escala, vemos que os países aflitos são, curiosamente, aqueles onde a extrema esquerda tem mais peso. Portugal e Grécia são ilustrações perfeitas deste pensamento. Países onde os princípios comunistas estão, ainda, teimosamente enraizados, como se pode constatar na lei laboral, por exemplo. Custa, muito sinceramente, perceber como é possível que facções políticas radicais de esquerda obtenham, em eleições, cerca de 20% ou mesmo 30% (caso grego) dos votos. O voto de protesto não justifica promover a eleição de pessoas oriundas de uma ideologia que produziu algumas das mais sinistras personalidades da história humana, como Estaline, Mao Tse-Tung ou Kim Il-Sung. Nada justifica! Estes ideais radicais e desnecessários no Mundo moderno deveriam, isso sim, seguir o caminho da ilegalização, à semelhança, por exemplo, do nazismo.