Aquivos por Autor: António Pinto

Ainda a manifestação

Independentemente de se concordar ou não com a medida relativa à TSU ou outras, espanta-me algo: este povo activo e atento, participativo e informado, que agora sai à rua por uma causa e se empenha em transmitir os seus sentimentos, é exactamente o mesmo povo que, ao longo de 6 penosos anos durante os quais Portugal caminhou o seu “green mile”, foi passando os seus sábados soalheiros nas praias da Costa.

 

Porque será?

Pouco Seguro

O nosso caro António José Seguro, que se começa a assumir mais como uma caricatura do que qualquer outra coisa, tomou de assalto os nossos ecrãs, em horário nobre, para bradar uma série de posições, claramente cozinhadas nas caves do Rato. Foi um Seguro ultrapassado pelos acontecimentos, aquele que ontem nos “entrou pelas casas dentro”. Com um ar algo assarapantado, nota-se claramente que sente a matilha socrática a respirar-lhe na nuca, mais à laia de ameaça do que de incentivo.

 

Seguro é a principal causa de desespero dos portugueses. Não vou acrescentar o meu nome à longa lista de encartados economistas que todos os dias comentam e criticam as decisões deste Governo. Não vou dissertar acerca dos méritos e vícios das políticas liberais. Não vou, tão-pouco, assinalar criteriosamente as características de personalidade, positivas ou negativas, do nosso Primeiro Ministro. Compreendo, no entanto, que a maior parte dos portugueses esteja, neste momento, descontente. Compreendo, mais ainda, o seu total desespero ao olhar para o suposto líder da oposição e ver um homem acabrunhado, sem ideias, preso a uma ala fanática e criminosa do seu partido.

 

Seguro é, actualmente, o maior garante da estabilidade política nacional, simplesmente porque ninguém no perfeito domínio das suas capacidades intelectuais pode ver nele uma alternativa.

O “Bom” professor

Mário Nogueira é, neste momento, uma figura menor do Herri Batasuna português. Esbraceja, vocifera, lidera manifestações inócuas e diz um ou outro disparate sem que muitas cabeças se virem. É um daqueles sindicalistas de carreira que, felizmente, as pessoas aprenderam a desrespeitar.

 

Em condições normais, é essa também a minha postura em relação a Mário Nogueira. Acredito, no entanto, que há um mínimo de dignidade abaixo do qual ninguém deve descer, independentemente de quão duvidoso é o seu carácter, um módico de honestidade que deve ser observado em qualquer intervenção pública, seja ele concordante, ou não, com os padrões que regem, a cada momento, a vida de qualquer criatura. Mário Nogueira, dirigente sindical por definição, poucas vezes terá pisado uma sala de aula. Acresce a este facto um outro, tão ou mais interessante: Mário Nogueira, docente efectivo do Agrupamento de Escolas da Pedrulha, em Coimbra, viu-lhe ser atribuída a classificação de “Bom”, enquanto docente, apesar de não exercer a actividade há cerca de 21 anos.

 

Com estas premissas em mente, torna-se quase folclórico que este fóssil do regimento sindicalista português venha recomendar ao Ministro Nuno Crato que “sinta o cheiro de uma sala de aula”. Existem, seguramente, muitos cheiros que Mário Nogueira dominará na perfeição. Lamentavelmente, o de uma sala de aula não será um deles.

Soares é triste

Todo um conjunto de “inverdades” tem sido proferido acerca deste processo da RTP. Tudo começou com um cenário levantado por António Borges, que não passou disso mesmo: de um cenário. À boa maneira cá do burgo, esse cenário passou a anúncio e de anúncio passou a balbúrdia. Ninguém quis ficar de fora do ruído que se seguiu, contribuíndo para duas semanas de uma intensa telenovela.

 

Desta feita foi Mário Soares, que desempenha o clássico papel do velho tirano, a meter a sua “colherada”. Diz o ancião que, se assistirmos, impávidos e serenos, a esta onda de privatizações, seremos todos responsáveis. Soares sabe uma coisa ou duas acerca de responsabilidade, embora apenas no plano teórico. Nunca assumiu qualquer responsabilidade e, assim que lhe pareceu remotamente que poderia ser responsabilizado por algo, fugiu.

 

Soares, que tem tido uma semana invulgarmente agitada, também veio colocar-se ao lado de Seguro na sua recusa de mais austeridade. Não sou um particular admirador de Seguro, mas acho que ninguém merece estas companhias. Estou solidário: a última coisa de que um homem precisa quando está a arder é de ser regado com gasolina.

 

Soares, o homem das multas pagas por todos nós, continua o seu show de hipocrisia. Na verdade, todos assistimos impávidos e serenos, pelo que seremos todos responsáveis. Soares já não é fixe, Soares é triste e devia estar calado.

O duo dinâmico

Mário “Ramsés” Soares voltou a atacar.

 

Desta vez para dizer que a licenciatura de Miguel Relvas não era concebível para uma pessoa de bem. Soares, porventura esquecido da licenciatura dominical do anjo Sócrates e do silêncio cúmplice ao qual se remeteu quando o caso foi ventilado, vem agora falar como se o passado nunca tivesse existido. Ah… como seria bom para o cidadão Soares que as suas acrobacias (também elas angelicais?) fossem esquecidas no fundo baú do tempo!

 

A hipocrisia e a soberba dos velhos de esquerda inundou, esta semana, os holofotes dos media, com dois protagonistas improváveis a actuar, lado a lado: Soares e Januário. Vieram falar de corrupção e diabruras.

 

Cada um com a sua especialidade.

O defenestrado

Um trabalho da Sábado acerca dos erros cometidos pelos alunos nas provas das diferentes disciplinas aponta como exemplo um aluno que, no exame de História, afirmou que em 1640, em vez de Miguel de Vasconcelos, foi defenestrado Vasco Gonçalves.

 

Não se trata de um erro, mas de wishful thinking…

Ah, a manifestação é na rua? Então não vou…

A enorme manifestação anti-Relvas, que nasceu nas redes sociais e que, pelos vistos, por lá se ficou, juntou apenas 500 revolucionários. Dos mais de 3 mil que haviam confirmado a sua presença via Facebook, cerca de 2500 não chegou a perceber que o ajuntamento iria ocorrer fora do mundo virtual. 

 

Este mega-movimento, gerado por quem não tem nada que fazer e alimentado por interesses jornalísticos com quem Relvas ousou meter-se, foi uma montanha que pariu um rato. Fico satisfeito, não por nutrir particular simpatia por Miguel Relvas, mas por verificar que a estratégia dos media de tentar derrubar uma figura, seja ela qual for, através do enxovalho barato e à custa desse enorme guarda-chuva chamado jornalismo de investigação, não pega por estas bandas. Gostava que me esclarecessem: quem faz isto é melhor do que Relvas?

 

A manifestação convocada por Miguel Gonçalves Mendes (o realizador do documentário acerca de Saramago e da mulher que lhe escrevia os livros, Pilar), claramente apartidária, pois claro, foi tratada pelo comum dos mortais com a vénia do desprezo. Esteve lá, no entanto, Manuela Moura Guedes, seguramente saudosa dos tempos de liberdade de expressão do sultanato socrático.