Aquivos por Autor: António Pinto

Os diabinhos negros e os bispos vermelhos

D. Januário Torgal Ferreira foi ontem à TVI24 cantar uma missa. Uma missa conhecida, daquelas a que nos habituaram outro tipo de intérpretes. D. Januário veio falar de “diabinhos negros” no Governo, ao mesmo tempo que reforçava o seu estatuto de bispo vermelho. Esta é uma daquelas situações em que, para o senhor bispo das Forças Armadas, a separação entre a política e a religião deve ficar fechada na gaveta.

 

Afirmou este bispo, entre outras pérolas da retórica da cassete, que os membros do anterior Governo, quando comparados com o actual Executivo, eram autênticos anjos. Ora, comparar José Sócrates a um anjo é um exercício deveras interessante. Como se sabe, no fulgor desenfreado das suas trafulhices, Sócrates operou autênticos milagres, tendo no final desaparecido, deixando para trás uma imagem difusa e espectral, envolta em névoa.

 

Já temos, na nossa ilustre praça, muitos hipócritas, canalhas, salafrários, vendilhões do templo, mentirosos e terroristas de pacotilha. Não precisamos de bispos que também o sejam.

Pode esperar sentado!

Ponto prévio: muito provavelmente, Soares já não entende as implicações do que diz, escreve ou pensa. Está tonto, vazio da intencionalidade maldosa que o caracterizou nos seus anos mais activos, longe do fulgor cego com que ajudou a desbaratar este País numa das épocas mais frágeis da sua história.

 

Ainda assim, o jurássico barão socialista devia pautar as suas espectrais aparições por algum pudor, ou, em alternativa, alguém que o rodeie e que ainda esteja na plena posse das suas capacidades intelectuais deveria contribuir para que isso acontecesse. De facto, falar da situação económica e social do país, falar dos números do desemprego e atribuir esta espiral descendente a um Governo que tem um ano de actuação é de uma falta de vergonha inaceitável.

 

Soares está triste. Assumiu que a sua pesada figura política ainda poderia ter um último fôlego com a emergência de uma mini-revolução. Enganou-se. Está, pelo menos, a demorar muito. A demorar tempo demais para aquele que o ancião do reino tem disponível.

Comunista sofre

Um estudo realizado em Coimbra mostra que quem mais sofre com eventuais sobrecargas de trabalho são as mulheres e, pasme-se… indivíduos que seguem ideologias de esquerda.

 

Não deixa de ser paradoxal o efeito que uma carga excessiva de trabalho exerce sobre o bem-estar dos fiéis seguidores vermelhos. Paradoxal porque, sempre que um acidente lhes permite chegar ao poder num qualquer país que, fruto das circunstâncias, se encontra sem rei nem roque, impõem cargas de trabalho absolutamente monstruosas e, por sinal, não muito bem remuneradas, aos povos desses países. Como em tudo, nisto o bom comunista é hipócrita: trabalhar muito é bom… mas para os outros!

A novela Relvas

Temos assistido, nas últimas semanas, ao desenrolar da novela Relvas.

 

Desde o seu início, todo o tipo de personagens, algumas mais sinistras do que outras, têm passado pelos holofotes para dar a sua valorizada opinião. De Seguro a Marcelo, de Zorrinho a Louçã, de Jerónimo a Capucho, todos se têm mostrado extremamente interessados no assunto. Alguém que aterre agora no rectângulo ou alguém que tenha andado incrivelmente distraído nos últimos anos até pode pensar que episódios com secretas, tráfico de influências e outras acrobacias do género são caso virgem em terras lusitanas.

 

De facto, para que este bolo não fique sem cereja no topo, falta apenas aventar a opinião do Pinóquio e do Cardeal Richelieu da política portuguesa, Mário Soares.

Os extremos que não se tocam

Apesar de perceber onde o João quer chegar, creio que ele deixou de fora um importante factor: o receio em relação à extrema-direita, manifestamente contrastante com o desinteresse leviano devotado aos resultados dos grupos de extrema-esquerda, advém do facto de ser inconcebível, para qualquer povo europeu, ser governado pela extrema-esquerda. Isto é, com o nível de maturidade política atingido na Europa Ocidental, todos sabemos que a extrema-esquerda nunca será olhada como uma alternativa válida para o poder. Não passa do voto de protesto, ou da contabilização do voto do analfabeto que não sabia onde por a cruz. Já a extrema-direita representa um perigo mais real, mais estruturado, e daí o receio generalizado.

 

Em relação aos resultados das eleições e e às expectativas orgásmicas dos socialistas após a magríssima vitória de Hollande, só um comentário: Merkel trocou de cão…

1º de Maio, venha cá!

Ontem foi um dia histórico. As lojas Pingo Doce conseguiram congregar um número muitíssimo mais elevado de pessoas do que todos os sindicatos e respectivas agremiações juntos. Para lá da análise papalva à promoção levada a cabo por esta cadeia de lojas, interessa entender o alcance político e sociológico desta acção do grupo Jerónimo Martins.

 

O 1º de Maio é um dos feriados mais queridos da esquerda mundial. Cá no burgo sucede o mesmo. Ao celebrá-lo com um autêntico hino ao capitalismo e ao consumismo furioso, afastando as pessoas das habituais manifestações de rua e colocando-as nas suas lojas, contribuindo para os lucros de um dos maiores grupos empresariais portugueses, Soares dos Santos envia um sinal claro e fere de morte os ideais da esquerda radical em Portugal, mostrando que o povo os troca, com um rasgado sorriso no rosto, por umas quantas baguetes e meia dúzia de pacotes de leite em promoção.

 

Bravo!