Aquivos por Autor: António Pinto

O parque da Lurdes

Apesar de relegados para uma modesta insignificância pelos resultados das últimas eleições legislativas, em 2011, os fantasmas socialistas que assombraram a nação ao longo da última década e meia, com especial ênfase para os 6 anos de sultanato socrático, ainda não se transformaram nos espectros poeirentos e longínquos que a nação guarda no sotão do tempo e dos quais se envergonha. É tudo muito recente.

 

Ontem, a inqualificável Maria de Lurdes Rodrigues deu um triste espectáculo durante uma audição em sede de comissão parlamentar. Foi com desplante que afirmou que candeeiros de Siza numa escola pública (ao módico preço de €1.700 a unidade) não são um luxo e foi com liminar desrespeito pelo esforço dos contribuintes que, orgulhosa, esta ex-governanta socialista concluiu: 

“O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”

Todos sabemos, lamentavelmente bem demais, as consequências das “festas” faraónicas do anterior governo. Foi tudo uma enorme “festa”, adocicada pelo sabor da certeza de que outros pagariam. Maria de Lurdes Rodrigues introduz, aliás, outro conceito refrescante: a “irregularidade tipificada”, para justificar os 500 milhões de euros em pagamentos indevidos feitos ao longo do edificante processo de requalificação das escolas públicas.

 

Maria de Lurdes Rodrigues personificou ontem, sem vergonha ou qualquer tipo de pudor, aquilo que foi a governação socialista ao longo das páginas negras escritas entre 2005 e 2011. Quem fala desta forma, no actual contexto nacional, merece ser julgado. Não à luz do nosso sistema judicial, mas sob os preceitos do Código de Hammurabi.

O Mundo avança…

Enquanto os “coletes vermelhos” vão devorando as sandochas à porta das empresas onde deveriam estar a trabalhar, o Mundo não pára e vai reconhecendo o esforço que, em Portugal, todos estamos obrigados a fazer:

 

– Descida dos juros da dívida pública

 

– Standard and Poor’s afirma que Portugal tem boas hipóteses de evitar a reestruturação da dívida

 

– Portugal emite dívida a um ano com os juros mais baixos dos últimos 2 anos (antes da chegada do pacote de ajuda internacional)

 

É caso para dizer: os cães ladram, a caravana passa…

Perigoso ou apenas tolo?

O primeiro teste do camarada Arménio como testa de ferro vermelho está a ser um profundo fiasco. Senão vejamos:

 

– 5% de adesão na Autoeuropa

– 50% (números dos sindicatos) na CGD

– as ligações do Barreiro, Montijo, Cacilhas e Seixal estão a funcionar, pela primeira vez em dia de greve geral

– 20% de adesão nas Finanças de benfica (a dos cocktails molotov)

– Hospital de Santa Maria funciona com normalidade

– Metro do Porto opera as principais linhas, responsáveis por transportar 80% dos habituais passageiros

 

Se calhar, o facto do camarada Arménio não ter tomado banho não o ajudou particularmente a arregimentar as tropas, mas não serve de desculpa. 

 

O camarada Arménio é, de todas as formas, uma personagem engraçada, como se vê aqui, onde explica de forma eloquente que um tipo que quer ir trabalhar mas não pode, porque a greve dos transportes o impede, é contabilizado nos números da central como um grevista. E é contabilizado porquê? Porque ele até queria fazer greve, mas como não tem liberdade para tal, porque o patrão é mau, utiliza a greve dos transportes para fazer a sua própria greve. É este género de argumentos propagandísticos, clássicos da escola comunista da Guerra Fria, que faz do camarada Arménio uma caricatura. Um tipo que diz que os conflitos na Grécia são provocados por infiltrados de extrema-direita, com a conivência das autoridades, no sentido de denegrir a luta dos trabalhadores e dos sindicatos, não pode ser levado a sério em pleno século XXI.

 

O João acha que ele é uma pessoa perigosa. Eu acho que é apenas tolo, deslocado no tempo e insignificante.

Soares: o cidadão esquecido

Soares tarda em perceber que já não é ninguém. Dissimula, teimosamente, a sua insignificância com artigos como este, publicado no El País. Traz à luz, mais uma vez, como tem sido seu apanágio nos últimos tempos de liderança da oposição em Portugal, ideias erradas, perversas e francamente falaciosas. Diz, como sempre disse, as maiores atoardas sem que seja, como nunca foi, responsabilizado pelas mesmas.

 

Ao afirmar que Portugal devia seguir um caminho parecido com o espanhol (alívio das metas do défice sem consultar a UE), o provecto cidadão esquece-se dos mais variados factos importantes: Portugal não é Espanha, não tem a margem de manobra que Espanha tem e, lamentavelmente, os portugueses demoraram muito mais tempo a perceber que estavam a ser comidos por dentro por uma corja política sem escrúpulos e sem pudores; Espanha não está sob um programa de apoio externo que obriga, como o cidadão soares deveria saber, ao cumprimento restritivo de determinadas metas económicas; Espanha tem uma economia muito mais pesada do que Portugal, muito mais importante no cenário macro-económico ocidental, o que lhe dá um certo “à-vontade” e uma alavanca negocial que Portugal já perdeu no século XVII.

 

Alheio a tudo isto (que interessam os dados objectivos da realidade, quando apenas servem para atrapalhar a credibilidade do discurso do maior buda do socialismo português?), continua este cidadão (que, convém lembrar, foi o responsável pela primeira película da série “Troika em Portugal”) a largar as suas “bujardas” onde e como lhe aprouver. É um ser sem importância, não mereceria sequer este insignificante post não fosse pela mais flagrante hipocrisia que insiste em exibir. 

 

Já se sabe que soares é esquecido, mas o povo não deveria ser…

A Economia do PS

Seguro afirmou, há uns dias, que Portugal não tem Ministro da Economia. 

 

Ainda que fosse verdade, passar de sumidades como manuel pinho ou vieira da silva para nada é uma inegável melhoria. É disto que o suposto líder da oposição tende a esquecer-se com facilidade: lidera um partido responsável pela chegada da famosa troika, pejado de ushabtis inúteis à espera que alguém, finalmente, lhes feche o túmulo e caracterizado, essencialmente, por uma ex-liderança no exílio.

I’m not in the Moody’s

A Moody’s fez outro vôo rasante pela Europa e cortou o rating de mais seis países. O problema disto é o que toda a gente sabe: estas agências de notação não são ingénuas, suportando interesses financeiros fortíssimos. Ao desvalorizar a economia europeia, permitem-se criar as condições necessárias para que elas próprias invistam nestes países, comprando “ao preço da uva mijona”.

 

Mais grave é pensar que estes cortes não surgem sustentados em qualquer argumentação objectiva. Ocorrem, inclusivamente, num contexto de (moderado) optimismo após o adiamento da tragédia grega.

 

Está na hora da Europa se começar a defender dos ataques destes postos avançados dos investidores privados norte-americanos. Deixaram crescer demasiado a bolha, agora que andem em cima dela.  

Mudam-se as moscas…

Decorre, por estes momentos, o congresso da CGTP. Carvalho da Silva despede-se (?) do cargo de líder sindical depois de 35 anos de uma brilhante carreira… de nada. A um sindicalista devoto e profissional, comunista e católico (assim o definiu a RTP), nada mais se lhe reconhece, como contributo social, económico ou qualquer outro, do que a instigação à agitação social gratuita e a organização de manif’s vermelhas a descer a Avenida. Parece ser esta a fórmula mágica para ser um sindicalista de carreira em Portugal: pôr a cassete a tocar e sair para a rua, de cartazes na mão. Em sede própria, nem uma proposta aproveitável.

 

Perante aquilo que seria uma oportunidade para mudar de rumo e colocar o sindicalismo português na senda do excelente trabalho feito por sindicatos em alguns países da Europa, a CGTP adopta a postura que qualquer organização de matriz comunista tem adoptado ao longo da história de erros que tem sido o comunismo no Mundo: assobiar para o lado, cerrar fileiras e ensimesmar-se. Arménio Carlos parece ser mais do mesmo ou pior: um sindicalista encartado com um percurso profissional totalmente desconhecido, fiel seguidor da doutrina comunista desde há 30 anos (não é díficil, está exactamente igual), cego às importantes mudanças sócio-económicas que o planeta atravessou nas últimas décadas, prepara-se para manter a pesada intersindical de cachaço erguido e pêlo eriçado, rosnando à sociedade que vai calmamente passando por si.