O Banco de Portugal revê em baixa as previsões económicas para este ano – que são muito abaixo das (miragens) apresentadas pelo governo. Torna-se evidente o problema que António Costa tem com Carlos Costa: o que lhe convinha era um dócil Constâncio II para apresentar, sem problemas de consciência, os números que o “patrão” lhe soprasse ao ouvido.
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A narrativa

Saem notícias de que o PIB “desacelerou”, de que a economia “estagnou”, e vem o depilado Galamba bolçar que é a narrativa da coligação negada pelos factos (ou algo parecido, nunca varia muito). E depois, lemos/ouvimos com atenção as notícias e percebemos que a economia afinal cresceu 1,4% em relação a igual período do ano passado (ou seja, comparando maçãs com maçãs e não nêsperas com dióspiros). Aposto que, daqui a uns meses, se a economia decrescer 1,5% em relação ao trimestre anterior mas crescer 0,03% em relação ao período homólogo do ano anterior, já não haverá estagnação e Galamba dirá “0,03% é positivo, é crescimento em relação ao ano passado” – e o nosso jornalismo engolirá até à última gota.
Para Soares, quanto pior melhor
Com o recuperar da credibilidade nos mercados, o Governo consegue antecipar o pagamento do empréstimo do FMI. Com a queda do preço do petróleo, as previsões para o crescimento económico, que já permitiam algum optimismo, tornam-se ainda melhores.
Talvez por isto o velho Soares se mostre tão desejoso de uma vitória do Syriza nas legislativas gregas. Da sua perspectiva, nada melhor do que uma Grécia entregue à bicharada para (re)lançar o caos na Europa e boicotar aquilo que se conseguiu com tanto esforço.
Mudança

Juros da dívida continuam a descer em todos os prazos. Sim, PS, é a hora de mudar: a situação do país, mantendo-se este rumo, torna-se insustentável.
O Mundo avança…
Enquanto os “coletes vermelhos” vão devorando as sandochas à porta das empresas onde deveriam estar a trabalhar, o Mundo não pára e vai reconhecendo o esforço que, em Portugal, todos estamos obrigados a fazer:
– Descida dos juros da dívida pública
– Standard and Poor’s afirma que Portugal tem boas hipóteses de evitar a reestruturação da dívida
É caso para dizer: os cães ladram, a caravana passa…
Os passos de Passos
Começou hoje a discussão na generalidade do Orçamento de Estado na Assembleia da República. Passos, rodeado de uma equipa jovem e competente, frequentemente acusada de ter falta de experiência política (o que, tendo em consideração o fosso que os nossos políticos experientes escavaram ao longo das últimas décadas, me soa ao mais aberto dos elogios), tem feito o que é preciso fazer. Tirar o Estado de cena enquanto player, liberalizar o mercado, abri-lo ao investimento externo sem obstáculos volumosos e poeirentos, impor ao Estado e, consequentemente, ao País, uma dinâmica de despesa que não ultrapassa o rendimento, são passos essenciais para recolocar Portugal no sítio em que um dia esteve.
O actual ajuste, “empobrecimento”, como lhe chamou o PM, é absolutamente indispensável, apenas colhendo de surpresa os incautos dada a Matrix em que temos vivido: os portugueses serão, ainda este ano, o povo da Europa com maior nível de consumo per capita na altura do Natal. Almoços fora todos os dias, jantares fora com regularidade, férias gloriosas todos os anos… nada disso é compatível com uma economia verdadeiramente sustentável. É lamentável que tenhamos vivido inebriados pelo crédito fácil ao longo de tantos anos, alimentados por uma máquina de propaganda de fazer inveja ao Terceiro Reich.
A factura chegou!