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Posturas diferentes

Sou insuspeito de simpatizar com o secretário-geral da UGT. Não posso, contudo, deixar de reconhecer as diferenças de estilo entre João Proença e Arménio Carlos.

 

Repare-se nas distintas posições de ambos sobre o caso Franquelim Alves:

 

O secretário-geral da UGT, João Proença, reconhece que a nomeação do ex-administrador da SLN/BPN Franquelim Alves para o Governo foi “infeliz”, mas lembra que este apenas esteve ligado à reestruturação do BPN e nunca foi acusada de “qualquer ato ilícito”.

 

Questionado igualmente à entrada da reunião sobre a polémica em torno da nomeação de Franquelim Alves, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, apenas disse: “os amigos são para as ocasiões”.

Diário de um louco

Segundo o jornal Sol, o cretácico Arménio Carlos garantiu: “Tivemos uma grande greve geral”. Disse também que além de ter existido uma “adesão significativa de trabalhadores à greve geral”, “a pressão da greve geral instalou uma dinâmica que foi importante. Houve empresas que tinham mostrado indisponibilidade até para negociar cadernos reivindicativos e que fizeram aumentos e deram prémios salariais consideráveis”. Para finalizar, adiantou que a greve levou ainda à sindicalização de muitos trabalhadores. Leia-se o resto da notícia: é um portento.

 

Não sei o que me assusta mais: se ele ser louco o suficiente para acreditar nisto; se ele ser louco o suficiente para achar que há gente que acredite nisto; ou se a possibilidade de haver gente louca o suficiente para DE FACTO acreditar neste sindicalismo.

Pedro e o Lobo

Eu não me recordo de quais, nestas greves dos últimos meses, foram “gerais”. No entanto, recordo-me perfeitamente das greves gerais de 1982.

 

Pode ser argumentado que esta diferença de percepção explica-se pela minha juventude em 82, para a qual tudo aquilo seria novidade. Não o creio, até porque não é assim que a minha memória fuciona e uma greve geral, na prática, apenas significava um dia sem (ou com muito poucas) aulas.

 

A explicação, acredito, está na banalização. Hoje, as greves gerais são convocadas pelo encrostado Arménio para justificar a existência do seu próprio posto.

 

Resultado da privatização da economia, uma greve geral tem hoje pouco mais efeito que uma greve sectorial nos transportes. A CGTP tinha dois caminhos possíveis. Por um lado, podia revalorizar o conceito de greve, usando-a com mais parcimónia e baseando-a em argumentário sério. Escolheu, claro, o segundo caminho: greves sucessivas e manifestações em fila indiana, que já pouco mais despertam nas pessoas do que a reacção de uma inconveniência folclórica.

 

Corre-se o risco de, tal como na fábula, um dia o lobo vir e ninguém já dar importância aos gritos de Pedro. E isso é mau: mau para os trabalhadores que o sindicalismo é suposto representar e defender; e mau para uma democracia que se quer saudável e perde assim uma das suas ferramentas. 

 

Mas também, quanto mais conheço Arménio Carlos, menos me parece que “democracia saudável” esteja no topo das suas preocupações…

Ensaio sobre a loucura

A primeira impressão que tive de Arménio Carlos foi a de uma pessoa perigosa. Quando diz que “se as medidas de austeridade em Portugal se agravarem, os cidadãos devem sair à rua e protestar, tal como os gregos os têm feito“, cogito se “como os gregos” implica pilhagens, carros e prédios incendiados, pedras e cocktails molotov. Quando afirma crer “que a maior violência que está a ser imposta são as medidas de austeridade“, deixo de ter dúvidas e fico com a certeza.

 

Arménio Carlos tem o olhar esgazeado e o discurso truculento dos fanáticos. A sua evidente ortodoxia quase faz, por comparação, Carvalho da Silva parecer uma pessoa moderada. E embora Eça dissesse que “em Portugal tudo faz sono – até a anarquia”, acredito haver umas franjas, ébrias dos ensinamentos de Assange e Anonymous, que fremem na ânsia de um pouco de ultra-violence. Podem não ser muitos, mas para explodir um barril de pólvora basta um pequeno rastilho – e Arménio parece-me o tipo de pessoa para lhe chegar o fósforo com um sorriso de satisfação.

Mudam-se as moscas…

Decorre, por estes momentos, o congresso da CGTP. Carvalho da Silva despede-se (?) do cargo de líder sindical depois de 35 anos de uma brilhante carreira… de nada. A um sindicalista devoto e profissional, comunista e católico (assim o definiu a RTP), nada mais se lhe reconhece, como contributo social, económico ou qualquer outro, do que a instigação à agitação social gratuita e a organização de manif’s vermelhas a descer a Avenida. Parece ser esta a fórmula mágica para ser um sindicalista de carreira em Portugal: pôr a cassete a tocar e sair para a rua, de cartazes na mão. Em sede própria, nem uma proposta aproveitável.

 

Perante aquilo que seria uma oportunidade para mudar de rumo e colocar o sindicalismo português na senda do excelente trabalho feito por sindicatos em alguns países da Europa, a CGTP adopta a postura que qualquer organização de matriz comunista tem adoptado ao longo da história de erros que tem sido o comunismo no Mundo: assobiar para o lado, cerrar fileiras e ensimesmar-se. Arménio Carlos parece ser mais do mesmo ou pior: um sindicalista encartado com um percurso profissional totalmente desconhecido, fiel seguidor da doutrina comunista desde há 30 anos (não é díficil, está exactamente igual), cego às importantes mudanças sócio-económicas que o planeta atravessou nas últimas décadas, prepara-se para manter a pesada intersindical de cachaço erguido e pêlo eriçado, rosnando à sociedade que vai calmamente passando por si.