A primeira impressão que tive de Arménio Carlos foi a de uma pessoa perigosa. Quando diz que “se as medidas de austeridade em Portugal se agravarem, os cidadãos devem sair à rua e protestar, tal como os gregos os têm feito“, cogito se “como os gregos” implica pilhagens, carros e prédios incendiados, pedras e cocktails molotov. Quando afirma crer “que a maior violência que está a ser imposta são as medidas de austeridade“, deixo de ter dúvidas e fico com a certeza.
Arménio Carlos tem o olhar esgazeado e o discurso truculento dos fanáticos. A sua evidente ortodoxia quase faz, por comparação, Carvalho da Silva parecer uma pessoa moderada. E embora Eça dissesse que “em Portugal tudo faz sono – até a anarquia”, acredito haver umas franjas, ébrias dos ensinamentos de Assange e Anonymous, que fremem na ânsia de um pouco de ultra-violence. Podem não ser muitos, mas para explodir um barril de pólvora basta um pequeno rastilho – e Arménio parece-me o tipo de pessoa para lhe chegar o fósforo com um sorriso de satisfação.