Aquivos por Autor: António Pinto

Revoluções a granel

Otelo Saraiva de Carvalho mostra-nos, aqui, posições curiosamente paradoxais, em especial esta:

“Quanto ao teor das suas declarações, que já provocaram polémica por serem entendidas como um apelo ao tumulto, o ‘militar de Abril’ defende que a ‘Revolução dos Cravos’ teve como um dos seus objetivos garantir-lhe precisamente esse direito: “O de poder dizer as alarvidades que eu quiser, porque o que eu digo é a minha opinião e, num país livre, eu não posso ser condenado por expressá-la”.

Examinando as palavras deste homem com alguma minúcia, esbarramos com a seguinte idiossincrasia: Otelo acha que um golpe militar lhe deu a liberdade para instigar outros golpes militares, ainda que a ideia seja classificada pelo próprio como uma “alarvidade”. Temos, aqui, um vislumbre da extrema complexidade intelectual deste homem. Uma pequena afirmação, que contém três ou quatro conceitos que se incompatibilizam e ridicularizam entre si. Otelo precisa de acordar do sono profundo em que entrou por alturas do PREC e do verão quente de 75 e perceber que a incitação ao tumulto e à insurreição seja de que sector da sociedade for é um crime grave, justamente punido por lei. Existe, no entanto, a muito provável atenuante da inimputabilidade…

Rudolfo, o jovem

Não resisto a deixar algumas palavras acerca do assunto, apesar do post do João.

 

Rudolfo, o jovem, e Sónia Patrícia, a mãe do jovem, protagonizaram, à saída do tribunal, uma cena digna de Rocambole. Após terem ouvido, por parte do colectivo, que o que afastaria Rudolfo, o jovem, da prisão seria um comportamento exemplar e destituído de violência gratuita (algo mais ou menos compreensível para qualquer símio), Rudolfo, o jovem, e Sónia Patrícia, a mãe do jovem (qual o nome modernaço-que-não-fere-susceptibilidades para delinquentes adultos?), agrediram uma jornalista que por ali estava fazendo o seu trabalho.

 

Prováveis beneficiários de um generoso RSI pago por todos nós, Rudolfo, o jovem, e Sónia Patrícia, a mãe do jovem, vão passeando a sua classe e civismo, cometendo aquilo a que alguns atribuem o engraçado epíteto de “pequenos crimes”, de uma forma praticamente impune, à luz dos princípios do famosíssimo estado social e do infinito guarda-chuva da promessa de reabilitação e reinserção social.

 

Não quero que o dinheiro proveniente dos meus descontos para a Segurança Social sirva para habilitar, reabilitar, integrar, reintegrar, inserir ou reinserir seja o que for parecido com esta mole humana incorrigível. Faça-se o que se puder, que se dê apoio a quem o merece.

O palerma do laço

Baptista Bastos dá-nos, aqui, mais um exemplo da sua desconcertante desonestidade intelectual. Fala de assaltos à democracia, fala de desrespeito pela concertação social e pelos vetustos sindicatos, atira-se ao PSD e atira-se ao PS e diz coisas como esta:

As ordens procedem de fora. E as rodas dentadas da grande engrenagem movem-se através dessas cumplicidades ocultas. Lenta mas perseverantemente foram roubando o nosso já de si tão ausente protagonismo. Deixámos, há muito, de decidir o nosso destino; mas, pelo menos, possuíamos uma noção de presente, por obscuro que fosse.

Opinador de outros tempos e de outras vontades, Baptista Bastos mostra-nos como não abordar o problema, incitando a uma revolta revivalista não se sabe de quem nem contra o quê. É, como sempre foi, um intelectual situacionista que agora, sentado na poltrona, aconchegado pelo calor da lareira, se afirma anti-situacionista. Atiça os mastins a partir da sua posição de “líder de opinião” e assiste, de um ponto bem alto, ao triste espectáculo que se vai desenrolando na proto-sociedade portuguesa. O mesmo fizeram, a seu tempo, Cómodo e Calígula, embora se deva ressalvar a diferença abissal, em termos de pegada histórica, entre os romanos e o palerma do laço.

A cultura do passa-montanhas

 

Chegou, de acordo com esta notícia, ao Sporting. A cultura do passa-montanhas tem vindo a fazer escola em Portugal, depois de trazida para a ribalta pelo anterior governo. Sintoma de um país sem rei nem roque, fruto de uma liderança ímpia que veremos até que ponto foi defenestrada a tempo, que sancionou tanto os assaltos de que ouvimos falar todos os dias como incitamentos ao golpe de Estado por parte de um velho tolo, entretanto alvo de um inquérito do MP (sinais de mudança?).

É, portanto, assim que vivemos, tentando erradicar esta utilização compulsiva do “passa-montanhas” metafórico, que permitia, até há bem pouco tempo, a qualquer um meter a mão no jarro dos biscoitos de forma totalmente impune.

As oportunidades do PS

Adorável, absolutamente adorável! É o mínimo que se pode dizer da preocupação socialista em torno do fecho dos afamados Centros Novas Oportunidades. Os responsáveis pela (des)governação nacional em 13 dos últimos 15 anos falam agora de reestruturações estratégicas ao nível da formação dos portugueses. Claro que, do ponto de vista da “torre” do Largo do Rato, distribuir diplomas de uma forma perfeitamente avulsa e indicriminada resolve perfeitamente a situação.

 

É precisamente disso que Portugal precisa: mais licenciados sem lugar no mercado de trabalho, sem motivação e sem a menor das competências críticas que caracterizam um profissional competente e produtivo. O exemplo vem de cima, percebendo-se perfeitamente por que razão um partido que promoveu a eleição de um licenciado sem motivação e sem a menor das competências críticas que caracterizam um profissional competente e produtivo, com um diploma atribuído de forma perfeitamente avulsa e indiscriminada (ainda por cima, a um domingo), a Primeiro-Ministro defende a posição que defende em relação ao encerramento dos Centros Novas Oportunidades.