A Economia do PS

Seguro afirmou, há uns dias, que Portugal não tem Ministro da Economia. 

 

Ainda que fosse verdade, passar de sumidades como manuel pinho ou vieira da silva para nada é uma inegável melhoria. É disto que o suposto líder da oposição tende a esquecer-se com facilidade: lidera um partido responsável pela chegada da famosa troika, pejado de ushabtis inúteis à espera que alguém, finalmente, lhes feche o túmulo e caracterizado, essencialmente, por uma ex-liderança no exílio.

Captcha

Já reparei que o jornal I força ao preenchimento dos “captcha” para a publicação de comentários. Nada contra. O problema é que para além dos “captcha” que obrigam ao reconhecimento de texto distorcido, e são já de si desafiadores para imensa gente, também há a possibilidade de calhar em sorte um “captcha” matemático, onde é necessário proceder a um cálculo “simples”.

 

Ora pela qualidade dos raciocínios que vou lendo nas caixas de comentários dos jornais, um “simples problema de matemática” como este:

é um Cérbero para 75% dos potenciais comentadores.

Léxico insuficiente

O despudor desta criatura abjecta é tal que eu não encontro na língua portuguesa palavras suficientemente fortes para exprimir as sensações que me desperta (“asco” e “repulsa” não chegam a lascar a superfície):

 

José Sócrates diz que “Vemos hoje tudo o que perdemos por ter pedido ajuda externa: níveis de desemprego, de falências, ratings da República, dos bancos: quantos anos vamos demorar a regressar aos níveis de há um ano?” (in Público)

 

E quantas décadas, pergunto eu, teremos de penar para regressarmos aos níveis de antes do daninho Sócrates?

O nosso Messias

Ontem, enquanto apresentava na Figueira da Foz o seu livro “Um Político Assume-se”, Mário Soares deixou escapar que apenas depois de ter tido uma gravíssima discussão com Sócrates é que este acabou por ceder à evidência de ter de pedir ajuda externa.

 

Este Mário Soares é um encanto. As línguas viperinas do costume dirão ser mais um exemplo da egomania soarista, da sua ânsia infrene em ser falado e mostrar-se providencial. Nada disso: Soares É DE FACTO providencial, magistral, gravitacional. Espero com ansiedade as próximas apresentações do seu livro para ser tornado público que:

 

discussão gravíssima com Soares levou Mourinho a adoptar o losango;

 

discussão gravíssima com Soares levou Roosevelt a juntar-se aos aliados contra Hitler;

 

discussão gravíssima com Soares levou Newton a desenvolver o cálculo integral;

 

discussão gravíssima com Soares levou Shakespeare a escrever Romeu e Julieta;

 

discussão gravíssima com Soares levou Viriato a revoltar-se contra Roma.

Ensaio sobre a loucura

A primeira impressão que tive de Arménio Carlos foi a de uma pessoa perigosa. Quando diz que “se as medidas de austeridade em Portugal se agravarem, os cidadãos devem sair à rua e protestar, tal como os gregos os têm feito“, cogito se “como os gregos” implica pilhagens, carros e prédios incendiados, pedras e cocktails molotov. Quando afirma crer “que a maior violência que está a ser imposta são as medidas de austeridade“, deixo de ter dúvidas e fico com a certeza.

 

Arménio Carlos tem o olhar esgazeado e o discurso truculento dos fanáticos. A sua evidente ortodoxia quase faz, por comparação, Carvalho da Silva parecer uma pessoa moderada. E embora Eça dissesse que “em Portugal tudo faz sono – até a anarquia”, acredito haver umas franjas, ébrias dos ensinamentos de Assange e Anonymous, que fremem na ânsia de um pouco de ultra-violence. Podem não ser muitos, mas para explodir um barril de pólvora basta um pequeno rastilho – e Arménio parece-me o tipo de pessoa para lhe chegar o fósforo com um sorriso de satisfação.

Um rotativo na cara

Eu não tenho interesse naquilo a que se chama o futebol português. Repugna-me as gentes muitíssimo pouco recomendáveis que o dominam nas direcções de clubes, ligas e afins; e causa-me estranheza o efeito debilitante que consegue provocar na actividade mental de algumas pessoas por norma inteligentes. Mas tendo olhos para ver e ouvidos para ouvir, não consegui evitar saber as novas vindas do Sporting.

 

Recordei imediatamente uma conversa que tive no ano passado com pessoa amiga (monólogo seu é um termo mais honesto, como é hábito quando a temática é futebol), que conjuga o raro fenómeno de ser fervoroso sócio de um clube (no caso, o Benfica, mas podia ser outro qualquer) sem que isso o faça regredir ao reino vegetal. Na altura, afirmei que no espaço de uma geração o Sporting estaria reduzido ao nível actual de um Belenenses. Ele riu-se, com a ternura que os sábios evidenciam perante um leigo, garantindo que tal nunca aconteceria.

 

Vejo agora que pequei por optimismo. Não será no espaço de uma geração – uma década deve ser suficiente.

I’m not in the Moody’s

A Moody’s fez outro vôo rasante pela Europa e cortou o rating de mais seis países. O problema disto é o que toda a gente sabe: estas agências de notação não são ingénuas, suportando interesses financeiros fortíssimos. Ao desvalorizar a economia europeia, permitem-se criar as condições necessárias para que elas próprias invistam nestes países, comprando “ao preço da uva mijona”.

 

Mais grave é pensar que estes cortes não surgem sustentados em qualquer argumentação objectiva. Ocorrem, inclusivamente, num contexto de (moderado) optimismo após o adiamento da tragédia grega.

 

Está na hora da Europa se começar a defender dos ataques destes postos avançados dos investidores privados norte-americanos. Deixaram crescer demasiado a bolha, agora que andem em cima dela.  

Sócrates fez escola

No Público: o novo Secretário de Estado espanhol da Segurança Social parece ter “empolado” o seu currículo académico.

 

Gosto particularmente do último parágrafo do Público: “A tentação de “melhorar” os currículos não é nova entre nomeados para cargos públicos em Espanha”. Nem uma palavra sobre a polémica socretiana, exemplo bem mais próximo de nós. Este é o Público que vamos tendo.