Ainda sobre a nova rotunda

António Costa, talvez para dar um ossinho ao Zé-que-fazia-falta-Sá-Fernandes, quer levar mais bicicletas para a Avenida da Liberdade. É curiosa esta ideia que ele tem do utente de Lisboa: António Costa vê em cada cidadão – um Joaquim Agostinho.

Eu ontem fiz uma referência (com algum sarcasmo) às simulações por computador que os engenheiros responsáveis teriam feito durante o projecto. Contudo, quanto mais leio sobre o que aconteceu ontem e as reacções da autarquia, mais me convenço que o projecto foi, isso sim, desenvolvido – nas costas de um guardanapo.

A entrevista de Seguro

Vi ontem parte da entrevista a António José Seguro. Foi mais do que fiz em relação à de Pedro Passos Coelho. E fiquei boquiaberto.

 

Seguro tentou passar a ideia de ser coerente. Vi-o dizer (sem corar) que se tinha oposto às PPP, às rendas, a todos e mais alguns dos delírios de Sócrates. Quem o ouvisse, era capaz de pensar estar perante um líder da bancada do PSD. Mas a verdade é que, na altura, nunca lhe ouvi grande coisa.

 

Carrilho pode, a espaços, ser um verme – mas  foi uma voz publicamente crítica dos falhanços guterrista e socratista. Carrilho foi um homenzinho e deu o peito às balas em defesa das suas opiniões. Seguro esteve confortavelmente sentado no seu lugar de deputado, escondido pelas costas largas de Manuel Alegre e a ver, de lugar privilegiado, José Sócrates enterrar o que restava do país. E se Seguro resmungou, fê-lo para dentro.

 

Seguro esteve, na maior parte do tempo, calado. Isso não lhe dá o direito a colocar agora em si próprio o playback que mais lhe convém.

Ainda a manifestação

Independentemente de se concordar ou não com a medida relativa à TSU ou outras, espanta-me algo: este povo activo e atento, participativo e informado, que agora sai à rua por uma causa e se empenha em transmitir os seus sentimentos, é exactamente o mesmo povo que, ao longo de 6 penosos anos durante os quais Portugal caminhou o seu “green mile”, foi passando os seus sábados soalheiros nas praias da Costa.

 

Porque será?

Sobre a Manifestação

Quando eu leio os bloggers da esquerda mais retinta a relatar a manifestação de Sábado – são os amanhãs que cantam, é o sair da longa noite da Direita, é a paz e o amor e a harmonia entre as classes, são os cravos, são os admiráveis mundos novos, é o sol que sorri e os passarinhos que dançam -, questiono-me se algum deles amadureceu para além da adolescência.

 

Ou talvez, simplesmente, passem os dias completamente charrados. Isso explicava aqueles barretes…

A dinâmica do caos


Rotunda na China

Carlos Barbosa, presidente do ACP, chama-lhe “um orgasmo teórico de professores”. Mas quando li que as alterações na rotunda do Marquês foram projectadas por dois engenheiros do IST, José Reis e Nunes da Silva, fiquei mais descansado. Afinal, o Técnico já nos deu antes autênticos fazedores de milagres: quem não se recorda do santo António Guterres?

 

Isto pode bem vir a ser divertido de se ver. Os sôtores podem ter feito múltiplos modelos computacionais; podem até ter passado horas a olhar para pontinhos em movimento no ecrã. Mas o que a realidade nos vai mostrar, estou certo, é a criatividade do condutor tuga: por cada evento aleatório que os engenheiros decidiram incluir nas suas simulações, o taxista de Lisboa é capaz de inventar dez novas ocorrências de caos.

A ciência segundo António Costa

Quando se pretende aferir a robustez e eficácia de um sistema, fazem-se testes em sobrecarga, isto é, procura-se ver como se comporta quando sujeito a condições extremas. Mas não para António Costa! Nããããão! Para este brilhante pensador que pretende revolucionar os métodos experimentais, começam-se os testes à nova rotunda do Marquês – e pede-se aos condutores que não a usem!

 

Os deuses que mantenham estes socialistas bem longe dos laboratórios!

Oh Luis… assim fica melhor ou fica melhor assim?

Eu já antes comentei isto: quando se dá relevância às declarações de alguém, é jornalismo questionável não mencionar detalhes públicos sobre esse alguém que possam influenciar a interpretação que se lhes faz.

 

Há alguns dias, o jornal I fez um artigo sobre a organização da eventual manifestação de hoje à tarde. Nesse artigo, é-nos apresentado um dos responsáveis pelo manifesto da convocação, Luis Bernardo, como ex-jornalista.

 

Resumir o currículo deste sr. Luis Bernardo a “ex-jornalista” parece-me altamente redutor – e desinformativo. Luis Bernardo tornou-se ex-jornalista em 1997, mas tem no seu trajecto profissional alíneas muito mais recentes e que podem fazer-nos reinterpretar o seu papel nesta manifestação: Luis Bernardo foi o fidelíssimo assessor de imprensa de José Sócrates, o seu maior especialista de spin e o tal “Luis” do famoso:

 

 

Luis Bernardo era tão íntimo de Sócrates e da sua comitiva que foi enviado em Março de 2008 (a expensas do contribuinte?) para estudar in situ a campanha eleitoral de Zapatero – como preparação para a campanha das legislativas portuguesas, disputadas daí a um ano e meio(!!!). Luis Bernardo, que é militante do PS desde que saiu da adolescência, até se tornou jornalista por acaso: quando entrou para a TVI, era para escrever guiões (já então um ficcionista). Luis Bernardo é o ex-jornalista que não consegue conceber um jornalismo sem estar ligado a interesses políticos. Luis Bernardo é, afinal, o ex-jornalista que, desde que o deixou de ser, tem trabalhado como assessor para o Partido Socialista.

 

A repórter e a redação do jornal I não consideraram relevante para a notícia a referência a este rico currículo do ex-jornalista Luis Bernardo? Porquê? Será porque, se o fizessem, teriam forçosamente de perguntar:

 

O que faz o assessor de imprensa do Primeiro-Ministro que nos trouxe a troika na organização de manifestos intitulados “Que se lixe a troika”? Não acha haver aqui uma certa hipocrisia?

Pouco Seguro

O nosso caro António José Seguro, que se começa a assumir mais como uma caricatura do que qualquer outra coisa, tomou de assalto os nossos ecrãs, em horário nobre, para bradar uma série de posições, claramente cozinhadas nas caves do Rato. Foi um Seguro ultrapassado pelos acontecimentos, aquele que ontem nos “entrou pelas casas dentro”. Com um ar algo assarapantado, nota-se claramente que sente a matilha socrática a respirar-lhe na nuca, mais à laia de ameaça do que de incentivo.

 

Seguro é a principal causa de desespero dos portugueses. Não vou acrescentar o meu nome à longa lista de encartados economistas que todos os dias comentam e criticam as decisões deste Governo. Não vou dissertar acerca dos méritos e vícios das políticas liberais. Não vou, tão-pouco, assinalar criteriosamente as características de personalidade, positivas ou negativas, do nosso Primeiro Ministro. Compreendo, no entanto, que a maior parte dos portugueses esteja, neste momento, descontente. Compreendo, mais ainda, o seu total desespero ao olhar para o suposto líder da oposição e ver um homem acabrunhado, sem ideias, preso a uma ala fanática e criminosa do seu partido.

 

Seguro é, actualmente, o maior garante da estabilidade política nacional, simplesmente porque ninguém no perfeito domínio das suas capacidades intelectuais pode ver nele uma alternativa.