Vi ontem parte da entrevista a António José Seguro. Foi mais do que fiz em relação à de Pedro Passos Coelho. E fiquei boquiaberto.
Seguro tentou passar a ideia de ser coerente. Vi-o dizer (sem corar) que se tinha oposto às PPP, às rendas, a todos e mais alguns dos delírios de Sócrates. Quem o ouvisse, era capaz de pensar estar perante um líder da bancada do PSD. Mas a verdade é que, na altura, nunca lhe ouvi grande coisa.
Carrilho pode, a espaços, ser um verme – mas foi uma voz publicamente crítica dos falhanços guterrista e socratista. Carrilho foi um homenzinho e deu o peito às balas em defesa das suas opiniões. Seguro esteve confortavelmente sentado no seu lugar de deputado, escondido pelas costas largas de Manuel Alegre e a ver, de lugar privilegiado, José Sócrates enterrar o que restava do país. E se Seguro resmungou, fê-lo para dentro.
Seguro esteve, na maior parte do tempo, calado. Isso não lhe dá o direito a colocar agora em si próprio o playback que mais lhe convém.