É mais forte do que eles

André Figueiredo, homem de confiança de José Sócrates, terá terminado o curso de direito na Universidade Internacional da Figueira da Foz UM DIA antes de esta ser encerrada compulsivamente pelo governo de então (liderado por José Sócrates). Mais: conseguiu receber o diploma quase um mês depois – quase um mês depois de a UIFF já estar impedida de praticar qualquer acto.

 

Acresce que Tiago Castelo Branco, professor do estágio curricular de André Figueiredo, sempre disse que nunca recebeu “uma proposta, nem relatório do estágio. Eu não o avaliei”. Esse estágio terá sido feito onde? Na CIMASA, contratado por Marcos Perestrello, essa outra luminária do PS socrático.

 

E é assim o Ensino pretendido pela cartilha socrática: um faz exames por fax e recebe diplomas ao Domingo; outro faz estágios que nunca passaram pelo professor, termina o curso na véspera da extinção da universidade, e recebe o diploma quase um mês depois disso. Haverá algum canudo desta gente que não deite um odor estranho?

Old habits die hard!

 

É mais forte do que ele. Depois de afirmar, no decorrer da sua tentativa de ressurreição mal amanhada, que só tinha uma conta, há mais de 25 anos, na CGD, o nosso filósofo ex-emigrante viu cheques seus serem encontrados numa escrivaninha abandonada numa quinta ribatejana. E das duas uma: ou os cheques da CGD sofreram um “restyling” radical ou o traiçoeiro do Alijó foi, uma vez mais, apanhado a mentir. Estou mais inclinado para esta última hipótese.

 

Ficámos, ainda, a saber que as modestas poupanças que foi arrecadando deram para, pouco depois de ter sido destronado, adquirir um Mercedes Classe S novo, pois claro, no valor de €95.000, e que o empréstimo que conseguiu obter, de forma miraculosa, sem garantias (algo que só está ao alcance de predestinados), deu para viver aqui. Magnifique!

Relvas sai pela porta pequena

Relvas saiu do Governo. Não faz falta. Foi, desde o início, um espinho cravado na credibilidade que se exige a um Governo em funções numa fase tão delicada da história do País. Faltou-lhe, também, a coragem de lidar com alguns dossiers com a dureza que era necessária. O monstro chamado RTP e os caciques municipais são disto óptimos exemplos. Acobardou-se e sai pela porta pequena.

 

Também sai, ao que parece, sem a licenciatura. Será que o mesmo vai suceder ao novo comentador-estrela da RTP, ou facto de ter ordenado o encerramento da Universidade vai trazer os seus dividendos?

Reserva de 2003

A deputação do PS já carrega um longo historial de substâncias alteradoras do comportamento. Glória Araújo achou por bem conduzir o seu carro com uns vestígios de sangue diluídos em álcool. Isabel Moreira pediu a palavra e começou, à laia de intróito, por balbuciar que estava sob a influência de drogas – lícitas, afirmou ela. Vozes maldosas acusam José Lello de estar constantemente no limiar do delirium tremens – mas eu defendo-o: aquilo não é (só) embriaguez, é simplesmente grunhice.

 

Contudo, o que se passou ontem é demasiado grave. Há que tomar medidas: exigem-se testes do balão à entrada dos deputados no hemiciclo. Quer seja no início da sessão, depois do almoço (principalmente depois do almoço) ou no regresso de uma pausa rápida para responder a um chamamento da natureza, é necessário estabelecer a regra: o deputado quer assentar os quadris na cadeira respectiva, terá primeiro que apor os lábios ao bocalzinho e soprar. Pois manchas destas não se podem permitir na credibilidade de um país. Não se pode permitir que um deputado, ainda por cima líder do principal partido da oposição, vá ao Parlamento e gorjeie enormidades como

 

Há uma Primavera a despontar, há um Abril a nascer em Portugal.

 

É óbvio que isto não é uma posição política, nem sequer é má poesia; são apenas devaneios que se esperam ouvir, não na casa da Democracia, mas sim numa qualquer taberna de aldeia, choramingados por um vulto meio-tombado sobre o banco corrido.

Da micro-finança para a macro-finança

Faz agora uma semana, Almerindo Marques afirmou que, enquanto foi Presidente da Estradas de Portugal, era pressionado por José Sócrates para “ser contratualizada mais e mais obra”. As instruções não lhe eram dadas directamente, mas por interposta pessoa: o então secretário de Estado das Obras Públicas, o omnipresente Paulo Campos.

 

Hoje, o jornal I expõe como a venda de imóveis pelo regime socrático agravou o défice de 2012 em quase 0,5%:

 

As vendas em massa de imóveis do Estado a uma empresa pública, realizadas nos governos liderados por José Sócrates, foram um dos factores de agravamento do défice público de 2012.

 

As transacções incidiram sobre centenas de imóveis, muitos associados à prestação de serviços públicos, e geraram entre 2005 e 2011 receitas extraordinárias de centenas de milhões. O resultado terá ajudado a aliviar défices públicos nesses anos, mas acabou por ter o efeito contrário no ano passado.

 

Já num passado mais distante, José Gomes Ferreira descreveu parte dos crimes desta quadrilha:

 

 

Como é bom de ver, isto é um traço comportamental do homo socraticus: criar uma fachada de fantasia à conta do que não se tem e empurrando a factura para quem virá depois. Paulo Campos, funcionário do partido que saltita há décadas pelas administrações de empresas públicas e com passagens pelo Governo do país, afirmou ser apoiado financeiramente pelos pais. José Sócrates, funcionário do partido desde sempre, deputado desde 1987, com múltiplas passagens por governos e que ganhou, enquanto Primeiro-Ministro, mais de 600.000 euros (repito: 120 mil contos!), afirmou estar a viver em Paris graças a um empréstimo contraído junto da CGD (espero que esse empréstimo não vá pelo menos caminho dos muitos milhões emprestados ao seu comparsa Joe Berardo).

 

E assim se enterrou um país.