Ana Gomes, um Rottweiler com eles no sítio

 

Surge hoje a notícia de que a União Europeia vai investigar Passos Coelho, Relvas e a Tecnoforma, tudo motivado por uma queixa de Ana Gomes.

 

Ponto prévio: concordo com o apuramento de responsabilidades em processos menos claros, independentemente do quadrante político dos intervenientes.

 

Posto isto, parece-me irónico que a queixa tenha partido desta máscula eurodeputada. Ana Gomes esteve com a sua frondosa queixada bem presente enquanto o ex-querido líder, agora reduzido à condição de comentadeiro da estação pública, e respectivos apaniguados transformavam Portugal num tipo de faroeste sem lei. Apesar de fazer parte de um tipo de oposição interna ao sultanato de Sócrates no PS e de ter sido comparada a um “rottweiler à solta” por um dos elementos do seu gabinete, não consta que tenha sido levantada qualquer investigação a Sócrates por iniciativa da senhora.

 

Numa outra perspectiva, finalmente surge uma notícia acerca de Relvas após a sua saída do Governo. Todo este silêncio mediático poderia levar uma qualquer mente paranóica a assumir que houve uma acção concertada para o afastar. Longe de nós pensar que algo deste género se pode passar aqui no rectângulo.

 

A cartilha dos proto-ditadores

Portanto, vejamos o que temos aqui:

 

– a Globovisión é uma estação privada na Venezuela;
– sustentou, durante anos, tensões várias com o governo chavista, dando voz aos seus opositores;
– foi comprada recentemente por um grupo de empresários ligados ao poder;
– o apresentador de um programa político foi sumariamente despedido.

 

Como é bom de ver, isto não é em nada parecido com o que Sócrates tentou fazer com a TVI.

MST, o tudólogo idiota

 

Miguel Sousa Tavares, nos seus delírios etílicos, decidiu chamar palhaço ao Presidente da República. Consequência lógica, a PGR abriu-lhe um inquérito.

 

Após uma análise superficial dos comentários que abundam nas redes sociais, surpreende-me ver a quantidade de pessoas que acham perfeitamente normal dedicar ao Chefe de Estado semelhantes epítetos. Mais estranho ainda, verificar que muitas pessoas acham que o facto de ter sido alguém lamentavelmente vísivel a proferi-los é comparável à conversa de café que tem lugar entre anónimos.

 

Muito mais do que qualquer taxa, imposto, despedimento ou corte salarial, é este tipo de cultura democrática que grassa por aí que me faz não ter qualquer esperança na concretização de um milagre que nos tire da fossa.