James Gandolfini

Com tantos mafiosos que andam por aí, alguns até já mencionados neste blogue, foi o actor que fez de mafioso quem morreu…

Os Sopranos não foi apenas uma excelente série de crime – Os Sopranos marcou o início de uma nova época de ouro na ficção televisiva. Os canais de cabo permitiram a criação de conteúdos menos filtrados, com um ritmo de narrativa mais realista e personagens mais complexos; o DVD trouxe aos produtores um meio adicional de retorno financeiro. Em comparação com uma Hollywood em crise de criatividade, asfixiada pelo peso dos orçamentos, e que se limita hoje a gerir franchises e a refazer (mal) aquilo que fez (bem) no passado, a televisão é agora um oásis de talento e imaginação. E temos que agradecer muito a este mafioso que, como tanta gente, morava nos subúrbios e se metia de manhã no carro para ir trabalhar.

Banalidades

Sérgio Azevedo, deputado do PSD, apresentou um relatório sobre as PPP em que as “opções” do governo Sócrates são arrasadas. Rui Paulo Figueiredo, o homem omnipresente, considera este relatório “uma banalidade confrangedora”.

Confesso que não é frequente, mas desta vez estou do lado do deputado socialista. Infelizmente para (quase todos) nós, as notícias de irregularidades nas decisões socráticas já se tornaram demasiado banais.

Sobre os professores [2]

Sempre achei interessante: Nuno Crato é um professor, investigador, divulgador científico e tem obra publicada sobre Educação. No entanto, para os professores, é alguém que não sabe o que diz. Os professores preferem seguir cegamente, como se fosse o flautista de Hamelin, alguém que não dá uma aula há mais de 20 anos e de quem não conheço uma linha sobre pedagogia – mas muitas sobre “reivindicações”.

Sobre os professores [1]

Quem ouça, veja ou leia blogues da esquerda, ou comentadores da esquerda, ou gente da esquerda, vê sempre o mesmo tipo de narrativa: que os professores são vítimas, que estão a defender as crianças, que o Ministério e Nuno Crato são teimosos e radicalizaram o discurso, etc, etc. Ferreira Fernandes, por exemplo, diz que Nuno Crato “escolheu” a altura dos exames para confrontar os professores.

 

Talvez fosse bom que não se deixasse um pormenor cair no esquecimento ou, pior, tornar-se mentira de tanto se dar a entender o oposto: foram OS PROFESSORES que marcaram greve para um dia em que estavam planeados exames – não o Ministério que marcou os exames para um dia de greve. Quem é que escolheu os exames para confrontar quem?

Organizadores de eventos

Num momento de azar, passei pela SIC-Notícias quando o jornalista/propagandista de serviço entoava loas à manifestação dos professores.

 

É sempre interessante comparar aquilo que se vê presencialmente com aquilo que é anunciado nas televisões, algo que pude fazer ontem.

 

O jornalista exultava com os muitos milhares de pessoas que se manifestavam; não o ouvi comentar que muitos daqueles manifestantes eram menores, certamente trazidos por professores e organizadores para compor a fotografia, e cujo móbil não seria o “ataque à escola pública” – mas ir lambiscando o gelado.

 

O serviço noticioso(?) também mostrava uma professora que teria vindo de bicicleta (não me recordo de onde) para se manifestar. Aqui estava, parecia dizer a SIC-N, a prova do descontentamento de uma classe. As câmaras televisivas conseguiram ver uma professora de bicicleta; o que as câmaras não conseguiram ver, e eu vi, foi o cortejo de oito autocarros vindos de Viseu e da Guarda – 8! -, três deles “veículos longos”, que desceram a Avenida a alta velocidade e com escolta policial. Estes oito autocarros vinham de Viseu e da Guarda. Como estes oito, muitos mais vieram de outros locais, pois os Sindicatos, como bem sabemos, não brincam em serviço. Mas as câmaras conseguiram falhar algo tão grande como uma comitiva de autocarros – quando conseguiram encontrar uma professora de bicicleta.

 

Os sindicatos têm uma evidente capacidade organizativa. Não consigo deixar de pensar que, se colocassem essas capacidades ao serviço da verdadeira reorganização da escola pública, seriam os nórdicos a vir cá estudar-nos.

O chiqueiro

 

“Eu só estava ali a mostrar um cartaz, vem um polícia à paisana e agrediu-me”, diz o manifestante. Como se pode ver no vídeo acima, é verdade: o segurança deu uma violenta cabeçada no punho deste humilde.

 

O sindicalismo cegado pela ideologia é assim: irresponsável e mentiroso com quantos (poucos) dentes tem na boca, mesmo quando é filmado por aqueles a quem mente. E os “populares” que, em vez de lamentarem os excessos de um camarada, chamam fascistas e pides aos agentes da polícia que estão fazendo o seu trabalho, não são menos vermes.

 

Para terminar, um reparo à titulação dos jornais: não foi um manifestante que foi detido em Leiria – foi um agressor de um membro da comitiva ministerial. A sequência causa-efeito aqui não foi manifestação-detenção: foi agressão-detenção.