Tirar do sério

O que aconteceu ontem no Parlamento é mais uma evidência de que a Esquerda radical, que fala amiúde em “debate” e arvora a pose pedante dos “campeões da democracia”, não tem qualquer interesse no debate e só reconhece uma democracia quando está no poder – mesmo que tenha chegado lá sem eleições.

 

As atitudes desta Esquerda são de rufia; os argumentos, pela boca de Ana Avoila e Mário Nogueira, de esgoto. Esta Esquerda só se sente bem a fuçar no chiqueiro.

A D. Constança

Mais soareira do que o velho Soares, mais galambeira do que Galamba, mais pereireira do que Pacheco Pereira, vejo todos os dias Constança Cunha e Sá na TVI24 a bolsar, espasmodicamente, o seu ódio pelo PSD, PP e Cavaco Silva. Não questiono isto. Estamos num país livre e a senhora, visivelmente afectada pela cafeína em excesso, tem a sorte de ser paga para difundir publicamente as suas alucinações em forma de comentário político.

 

Aquilo que eu questiono é outra coisa: é ver no mesmo canal, pouco depois de uma das suas performances, a mesma dona Constança a “moderar” um painel de comentadores sobre a mesma temática. Não haverá algum bom-senso na TVI? Estaria eu disposto a entrar num debate sobre imigração – se soubesse que a moderadora seria Marine Le Pen?

Cavaco: xeque!

 

Esta crise política começa a parecer um enredo de uma novela mexicana, daquelas que preenchiam as grelhas vespertinas das nossas televisões há uns 15 anos atrás. Com intrigas, revelações e traições mal dissimuladas, os ingredientes estão todos lá. 

 

Não me parece que Cavaco tenha evidenciado uma visão desproporcionada dos seus poderes, como já ouvi, e também não me parece que seja suficientemente ingénuo ao ponto de acreditar que o acordo por si proposto seja viável, como também já ouvi. Cavaco entrou neste enredo e encostou o PS à parede. Com sacrifício da imagem deste Governo, talvez merecido, o Presidente da República propôs uma solução que, até aqui, só tinha conhecido o firme desacordo público das hostes socialistas. É, no entanto, a solução mais popular. Seguro, que tem procurado capitalizar o desgaste alheio recorrendo ao seu marasmo genético, vê-se na contingência de escolher: ou fica de fora, mal visto pelo povo e pelas instituições europeias, ou aceita esta solução, e perde o discurso que tem alinhavado para as próximas eleições, sejam estas quando forem.

 

Duas notas reforçam a minha argumentação: ao contrário do que se tem lido por aí, Cavaco não sugeriu eleições em Junho de 2014. Sugeriu a negociação de um calendário que implique eleições a partir de Junho de 2014, o que é completamente diferente. Por outro lado, deixou no ar a ideia de que, caso este cenário falhasse (e é neste cavalo que o PR aposta), há um Governo em funções, perfeitamente legitimado.

 

Imagino assessores socialistas a tentar arrancar Seguro, forçado a agir, de debaixo de uma secretária, num qualquer gabinete do Largo do Rato.

Conversas em família

José Sócrates, que chegou ao (e saiu do) governo cheio de tiques de superioridade de quem achava ter as soluções perfeitas, disse ontem que Vitor Gaspar chegou ao governo “cheio de tiques de superioridade de quem acha que tem as soluções perfeitas”. Como eu não vejo o seu exercício semanal de impudência, não consigo perceber se aquilo é uma censura ou um elogio…

 

José Sócrates disse também, e consta que sem ter tido pelo menos a delicadeza de corar, que Paulo Portas “perdeu aquilo que é mais precioso num político: a fidelidade às palavras dadas”. José Sócrates dizer isto e o/a jornalista que está à sua frente não rebolar de riso é (mais) um sinal do respeitinho que o nosso pobre jornalismo mantém por esta figura.

O elo mais fraco

 

Portas acha-se maior do que o partido, maior do que o Governo e maior do que o País. Agiu, muito cheio de si mesmo, seguro de que daria início a uma jogada de poder brilhante. Não pensou em nada nem em ninguém para além do seu inflado ego. Vaidoso e traiçoeiro como sempre, lançou Portugal numa espiral de indefinição.

 

Nada disto, porém, está a correr como Portas esperava. Ao demitir-se, de forma “irrevogável”, abriu, inadvertidamente, espaço ao impensável: um Governo de coligação sem Portas e, quiçá, um CDS sem Portas. Há alguns sinais neste sentido. Desde o seu insurdecedor silêncio às vozes contundentes de figuras do partido como Lobo Xavier ou Nobre Guedes. E agora isto.

 

Veremos o que acontece, mas é bom não esquecer que quem vive pela espada, pela espada morrerá.

O zero

A perspectiva de eleições antecipadas, apesar de tudo, não seria tão dramática se, em vez do elemento-absorvente-da-multiplicação Seguro, o PS apresentasse (finalmente!) um dos bons elementos que o compõem. Por exemplo, o… o… o…

 

Bolas, estamos mesmo tramados.