Os buracos de Lisboa

25 milhões de euros – esta é a quantia que a Câmara de Lisboa conta gastar em dois anos para tapar os buracos nas vias. Fernando Medina, o edil da cidade, diz:

 

“Isto é reconhecido por todos. É uma evidência o estado de degradação acentuado que muitas das nossas artérias apresentam hoje.”

 

A isto, eu respondo com dois apontamentos.

 

Primeiro: não é verdade que as ruas apresentem uma degradação acentuada hoje – essa degradação vem já de há muito.

 

Segundo: a degradação reconhecida por Medina é uma evidência que, de tão evidente, demorou oito anos de gestão socialista a ser percebida. O que aconteceria se não fosse evidente…?

A preocupação de Elisa

Elisa Ferreira acusa a Europa de se preocupar mais com o Syriza do que com a sra. Le Pen. Bom, eu digo que a Europa até tem razão para a distinção: é que o Syriza está no poder – e a sra. Le Pen, tanto quanto sei, ainda não está.

 

O que não percebo é porque raio a sra. Elisa Ferreira está mais preocupada com os nacionalistas franceses que podem eventualmente chegar ao poder – do que com os nacionalistas gregos que já estão de facto no poder coligados com o Syriza.

Uns e outros

Por um lado, o típico defensor do Syriza afirma não ter sido este que deixou a Grécia na penúria. Por outro lado, os mesmos, ao atacarem o governo de Passos Coelho, já se esquecem convenientemente não ter sido este a deixar Portugal na penúria.

Obviamente afasto-o

Augusto Santos Silva foi afastado do seu espaço de comentário na TVI24. O próprio comenta, com a sua costumada elegância de verbo:

“A TVI exerceu o seu direito contratual e ao exercê-lo afastou-me de antena. Não sei se tecnicamente é censura”. 

Augusto Santos Silva não sabe se foi alvo de censura. Considerando que a TVI continua a dar múltiplos destaques diários à dona Constança, que se engasga em ódio pela Direita, Augusto querer passar a ideia de estar a ser “silenciado” é pateticamente ridículo.

 

Ele não sabe se tecnicamente o seu afastamento é censura – mas eu afirmo que tecnicamente é simples bom-gosto.

Do nosso jornalismo de causas

Da nojeira que foi ontem o Prós & Contras, (mais) um claro frete da frente socialista/socrática para espalhar a dúvida sobre as investigações a Sócrates, sobrou um pequeno serviço público: ficou provado que, pela primeira vez desde que me lembro, um governo não instrumentalizou a televisão pública tornando-a mera caixa de ressonância de si próprio. Aquele Prós & Contras, sobre a Operação Marquês que está em andamento e exibido durante um governo PSD/CDS, pouco diferente seria se fosse sobre a Operação Freeport (que nunca chegou a andar) exibido durante um governo PS.

 

Este país está perigoso.

O mistério dos quadros de José Sócrates

menino_chora.jpg

Sócrates tinha vários quadros em casa, quadros esses de Eduardo Batarda, Almada Negreiros, António Ramalho, Silva Porto ou Júlio Pomar – tudo, como é bom de ver, gente cujas obras podemos comprar no mercado de Azeitão, entre uma fartura e um par de sapatos. Os quadros foram encontrados na casa da empregada doméstica da sua mãe – ele diz não saber como eles foram lá parar. Os quadros terão sido pagos por alguém – mas ele diz não se recordar por quem. Sócrates nem se recorda de comprar o quadro de Júlio Pomar que tinha na sala de jantar.

 

A casa desta empregada doméstica começa-me a recordar as grutas onde uns cavalheiros pouco recomendáveis, no século passado, esconderam o seu saque de obras de arte.