A pulseira do 44

Sócrates recusa ir para prisão domiciliária e diz porquê em mais uma carta. Eu não a li – prefiro ler os livros comprados na Feira do Livro que sempre são melhor ficção. Contudo, é óbvio o porquê de ele não querer ir para prisão domiciliária: em Évora, está a comer à conta do contribuinte; em casa, estaria a comer às suas custas. E como bem sabemos, Sócrates é uma pobre pessoa sem meios, tanto assim que até teve de pedir um empréstimo para ir estudar para Paris.

O Expresso

O Expresso foi o jornal que, em Fevereiro de 2011, garantiu que o FMI já não vinha:

fmi_ja_nao_vem.jpg

 

 O Expresso foi o jornal que, em Abril de 2013, garantiu que o FMI vinha aí outra vez:

novo_resgate_mais_perto.png

 

O Expresso foi o jornal que, em Dezembro de 2012, pela pena de Nicolau Santos, garantiu que Artur Baptista da Silva era um alto quadro da ONU, economista encartado e uma voz que devia ser ouvida pelo Governo:

artur_baptista_da_silva.jpeg

O Expresso é o jornal que, em Junho de 2015, garante que Jorge Jesus irá para o Sporting e expõe os contornos do acordo como se tivesse estado na mesa de negociações: 

jorge_jesus_sporting.png

Perante isto, e até ler declarações em contrário do treinador, do Sporting e do Benfica, vou assumir que Jorge Jesus já assinou a renovação com o Benfica.

Falta de paciência (2)

António Costa considera “dramática” a situação do emprego em Portugal. O desemprego em Abril/2015, governo PSD/PP e após um doloroso ajustamento, desceu para 13%; em Abril/2011, governo PS pré-bancarrota e após esbanjamentos eleitoralistas, estava em 12,4%. Gostaria que algum jornalista lhe perguntasse o porquê de estes 0,6% de diferença fazerem, para António Costa, a separação entre “herança de que se orgulha” e “situação dramática”.

Vou-vos fazer uma oferta que não podem recusar…

 

Se ganhar as próximas eleições legislativas, o Partido Socialista vai querer reabrir negociações com o vencedor da privatização da TAP. E forçá-lo a baixar a participação comprada de 61% para 49%, de modo a manter o controlo da transportadora aérea em mãos do Estado. [in Expresso]

Quando governava, o PS fez um acordo com entidades que emprestaram dinheiro ao Estado. Passou à oposição e negou imediatamente os acordos que assinara meses antes, chegando a dizer, pela boca de Pedro Nuno Santos e quejandos, “não pagamos e os joelhos deles até tremem”.  Agora, o PS ameaça “reabrir negociações” com quem quer que compre a TAP ao Estado, “forçando-os” a baixar a participação comprada.

 

Torna-se evidente que o PS não dá particular importância à palavra do Estado. Honra lhe seja feita, não se mostra preconceituoso: quer seja dada por si, quer seja dada por adversários, a palavra do Estado não é coisa para ser levada a sério. Repudia aquilo que deixou como herança – e repudia aquilo que herda.

 

Isto já seria mau, mas piora quando leio expressões como “querer reabrir negociações” e “forçá-lo a baixar a participação comprada”. “Forçar”, segundo o dicionário Priberam, pode significar:

– Exercer força contra;

– Entrar à força em;

– Obrigar, constranger;

– Violentar.

O que acontece se o outro lado não quiser “negociar” com o PS, uma vez que as condições do acordo de venda serão já definidas? Que armas pretende usar o PS para “forçar” uma entidade que adquiriu uma transportadora a abdicar de parte da sua participação e, mais importante, do controlo daquilo em que investiu muito dinheiro? O PS ameaçará represálias usando o seu peso de controlador do Estado? Sugerirá que não acatar o “pedido” implicará “dificuldades acrescidas” em futuros negócios? Ou irá comprar parte da participação, dessa forma enterrando mais dinheiro do contribuinte nas suas ideias estapafúrdias daquilo que é o papel do Estado?

 

Esta gente é perigosa, muito perigosa, e comporta-se como mafiosos.