Os jornais dizem que o Estado pagou 1.9 milhões de euros para chegar aos 50% de participação na TAP. O que os jornais deviam ter dito era: “Contribuintes portugueses vão pagar 1.9 milhões de euros em impostos para o PS ter sete boys na administração da TAP”.
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Minoritários
É claro que os novos donos da TAP não querem ser sócios minoritários da TAP. Serem sócios minoritários de uma TAP maioritariamente estatal (ainda para mais um Estado socialista) era um pouco como serem sócios minoritários de uma destilaria gerida por alcoólicos.
Vou-vos fazer uma oferta que não podem recusar…
Se ganhar as próximas eleições legislativas, o Partido Socialista vai querer reabrir negociações com o vencedor da privatização da TAP. E forçá-lo a baixar a participação comprada de 61% para 49%, de modo a manter o controlo da transportadora aérea em mãos do Estado. [in Expresso]
Quando governava, o PS fez um acordo com entidades que emprestaram dinheiro ao Estado. Passou à oposição e negou imediatamente os acordos que assinara meses antes, chegando a dizer, pela boca de Pedro Nuno Santos e quejandos, “não pagamos e os joelhos deles até tremem”. Agora, o PS ameaça “reabrir negociações” com quem quer que compre a TAP ao Estado, “forçando-os” a baixar a participação comprada.
Torna-se evidente que o PS não dá particular importância à palavra do Estado. Honra lhe seja feita, não se mostra preconceituoso: quer seja dada por si, quer seja dada por adversários, a palavra do Estado não é coisa para ser levada a sério. Repudia aquilo que deixou como herança – e repudia aquilo que herda.
Isto já seria mau, mas piora quando leio expressões como “querer reabrir negociações” e “forçá-lo a baixar a participação comprada”. “Forçar”, segundo o dicionário Priberam, pode significar:
– Exercer força contra;
– Entrar à força em;
– Obrigar, constranger;
– Violentar.
O que acontece se o outro lado não quiser “negociar” com o PS, uma vez que as condições do acordo de venda serão já definidas? Que armas pretende usar o PS para “forçar” uma entidade que adquiriu uma transportadora a abdicar de parte da sua participação e, mais importante, do controlo daquilo em que investiu muito dinheiro? O PS ameaçará represálias usando o seu peso de controlador do Estado? Sugerirá que não acatar o “pedido” implicará “dificuldades acrescidas” em futuros negócios? Ou irá comprar parte da participação, dessa forma enterrando mais dinheiro do contribuinte nas suas ideias estapafúrdias daquilo que é o papel do Estado?
Esta gente é perigosa, muito perigosa, e comporta-se como mafiosos.