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A imbecilidade como uma forma de estar [2]

 

“Alguém confronta o PR com a necessidade urgente de termos governo que governe também por causa da ameaça terrorista?”

(Ana Gomes no Twitter)

 

Ana Gomes, claro. A mesma Ana Gomes que em Janeiro, quando do ataque ao Charlie Hebdo, tuitou que o terrorismo era resultado da austeridade, usa agora a tragédia de Paris como aríete para insistir numa rápida decisão de Cavaco Silva a favor do putativo governo de Costa. Se, em Janeiro, alguém que não conhecesse o seu palmarés poderia benevolamente pensar que a voluntariedade da criatura a impedia de ponderar aquilo que escrevia, esta reincidência na chafurda só permite concluir que a coisa é isto mesmo: boçal e sem escrúpulos para usar a tragédia alheia como argumentário na luta partidária.

 

Adenda: gosto sempre de ver como o aroma do poder muda as convicções pessoais de alguma gente. A mesma Ana Gomes que, perante o vergonhoso resultado de Costa nas legislativas, lacrimejava o seu estado de choque e exigia reflexão, sente agora urgência numa putativa entronização do mesmíssimo Costa que obteve tal resultado.

Os nossos pequeninos ditadores

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O pequenino e nada augusto César dos Açores – sim, o tal que em Julho queria mudar a lei para impedir “detenções sem acusação” – diz que só mostra o acordo com o Bloco de Esquerda depois de António Costa ser indigitado Primeiro-Ministro.

 

Como é que é?

 

Mas esta gente acha-se mesmo dona disto tudo, e com um direito natural ao exercício de poder sem respeitar as regras e sem qualquer escrutínio! António Costa edil quis esconder documentos sobre decisões camarárias porque “abre caminho a que todas as decisões políticas e documentos que as corporizam fiquem sujeitas ao escrutínio público e, eventualmente, judicial, o que irá conduzir, inevitavelmente, à diminuição/perda da autonomia que deve caracterizar o exercício do poder político”. António Costa candidato a primeiro-ministro anunciou que tinha debatido soluções com os “lesados do BES” mas não as ia expor publicamente antes das eleições. O pretendente-a-indigitado António Costa afirma, pela boca do nosso Little Caesar, que pretende ser primeiro-ministro graças a um acordo – que só mostrará depois de ser primeiro-ministro.

 

Isto já não é um caso para o Ministério da Justiça – mas sim para o Ministério da Saúde.

Crash Bandicoot da política portuguesa

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Costa fecha a porta a um entendimento com a direita e, pelos vistos, o entendimento à esquerda também não está fácil.

 

Costa semeia ventos, colhe tempestades e espalha o caos à sua volta, disposto a desfazer, de uma forma mais, menos ou nada legítima, todos os obstáculos que se colocarem entre si e o poder.

 

Costa é um estilo de Crash Bandicoot da política portuguesa…

Quadratura do círculo

Costa, honra lhe seja feita, conseguiu múltiplos impossíveis: perdeu uma eleição que estava ganha à partida; pode vir a formar um governo – após fortemente derrotado nas urnas – mercê de uma leitura literal das leis que, até hoje, por cortesia nunca foi feita; e, mais impressionante, coloca o PS à beira do poder e, POR ISSO, transforma-o num autêntico saco de gatos.