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Por qué no te callan? [2]

 

Eu sei que a notícia é velha e sem grande importância – mas não faz mal, pois também ele o é.

 

O geológico Mário Soares, com a confusão de alguém perdido no tempo e no espaço, afirma que temos de recuperar o Estado-Saúde. Assim mesmo – os dicionários estão febrilmente a corrigir as suas edições.

 

Mas o mais importante é o seu desejo de uma “democracia a sério”, não esta fantochada a que assistimos. Suponho que uma “democracia a sério” será aquela em que um governo, eleito pela maioria dos votantes, será demitido porque um homem-providencial assim o pretende. Soares apenas está, como vemos, a seguir à letra a sua ideia de democracia como um sistema regido pelo princípio “um homem, um voto”: um homem – ele mesmo – e um voto – o seu.

Eusébio e coisas menores

Morreu Eusébio.

 

Ao contrário do que alguns insistem em sublinhar, não desapareceu apenas um ex-jogador de futebol, mas um símbolo do País. Alguém que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do Mundo fazendo muito bem aquilo que sabia fazer. Sem artifícios, sem rodeios, com a simplicidade que enchia a vida de um atleta profissional na década de 60. Eusébio teve o mérito de nunca se envolver em disputas políticas ou sociais, apesar de aliciado. Nunca se pôs em bicos de pés, reclamando a atenção e o carinho que a sociedade portuguesa lhe dedicava de forma espontânea. A sua simplicidade, que admiro e respeito, é uma das características que o tornaram numa figura unânime, independente de preferências clubísticas, e a razão pela qual, de uma forma mais ou menos intensa, todos choramos a sua morte.

 

O mesmo não sucederá aquando da morte do nojento Soares. Por cuspir coisas destas, por exemplo.

Feios, porcos e maus

 

Depois de tudo o que tem acontecido, a última coisa que os portugueses merecem é conviver com a invasão mediática, na mesma semana, de sombrias personagens como Otelo, Vasco Lourenço e Mário Soares debitando os seus disparates.

 

Levados, quiçá, pelo dissipar da virilidade própria de outras idades, falam de violência, murros e tiros como quem navega na sua própria realidade. As suas afirmações são, no entanto, para levar mais a sério. Seria, concordo com o João, benevolente justificar estes apelos primitivos com o irremediável declínio mental que se apodera destas personalidades.

 

Estão, porém, desfasados da realidade. Não vivem já no país tumultuoso que um dia conheceram e tudo lhes permitiu. São olhados com complacência, da mesma forma que se encaram dois velhos aldeões disputando, à bengalada, um qualquer metro de terra.

Soares, o vendedor de passados

O velho Soares começou o seu monólogo semanal no DN com um elogio a Ramalho Eanes. Pessoalmente, acho que o simples facto de Soares elogiar Eanes é um atentado à Honra deste.

 

Em dado passo, o geronte Soares afirma:

 

“Tivemos divergências depois da reeleição do presidente [Eanes] em quem aliás votei.”

 

Almas caridosas podem dizer que isto é o cansaço de uma mente jurássica, mas eu digo que não. A senilidade, pelo seu carácter imprevisível, tende a ser aleatória. Este episódio de reinvenção do passado não foi casual mas sim objectivo.

 

O triássico Soares afirma que votou na reeleição de Eanes. Terá sido para melhor votar em Eanes que Soares, então secretário-geral do PS, recusou apoiar a sua recandidatura? Terá sido por votar em Eanes que Soares iniciou o processo de ruptura com Francisco Salgado Zenha que acabou na sua saída do partido?

Por qué no te callan?

Este velho pulha, que dedicou anos do seu segundo mandato à mais abjecta guerrilha política contra o governo de então para abrir o caminho do Poder ao seu PS, tem a absoluta falta de vergonha de fazer acusações a Cavaco Silva. E Ana Sá Lopes, que desta vez consegue-se refrear de dizer “o senhor doutor”, parece ter como única função no jornal I – transmitir as flatulências verbais do verme Soares. Ana Sá Lopes, negando o título do jornalista, é toda ouvidos – mas desprovida de boca, olhos ou cérebro.

Por qué no te callas [14]

O velho Soares, claro, não perdeu a oportunidade de debitar mais algumas alarvidades. Eu não as li nem sequer sei onde as perpetrou, mas o incontinente (pelo menos) verbal Soares certamente o fez. É uma daquelas certezas com as quais podemos contar diariamente: a água molha, o sol nasce, o antigo Soares é um pulha.

O vento democrático

Recordam-se de quando António José Seguro, qual emplastro, se tentava colar a Hollande, esse euro-Obama? Recordam-se de quando o velho Soares gabava a suposta língua sem papas de Hollande, o desafiador da “senhora que devia voltar para o sítio onde nasceu”? Ou quando o caduco Soares afirmava que o “vento democrático” que soprava desde a eleição de François Hollande seria “a favor do crescimento e contra a austeridade, contra o flagelo do desemprego”?

 

Pois já se começam a perceber os efeitos desse “vento democrático” que assola a França:

 

“França entrou oficialmente em recessão”.