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Isabel do Carmo é de Esquerda, claramente de Esquerda, ultramente de Esquerda.

 

Isabel do Carmo é uma médica ultra-esquerdista, e como tal uma defensora acérrima do serviço nacional de saúde – que nunca se impediu de ter actividade simultânea na clínica privada.

 

Isabel do Carmo é uma mulher de convicções fortes – que, quando questionada se voltaria à luta armada, responde, com risos, que “agora não lhe apetecia ser presa”. A força das convicções, como é bom de ver, rapidamente esmorece quando coloca em risco o conforto do sofá e da mantinha sobre os joelhos.

 

Isabel do Carmo foi condecorada pelo então Presidente Jorge Sampaio – estou certo que não pela sua participação nos ataques bombistas perpetrados pelas Brigadas Revolucionárias.

 

Isabel do Carmo diz que hoje a estrutura do capitalismo é demasiado ampla para se pôr bombas – e quase ouço, nestas palavras escritas, o tom de desalento da sua voz.

 

Mas Isabel do Carmo, plena de moral, nega-se bombista. Confirma que transportou o material explosivo para as bombas, esteve integrada nas acções, fez observações dos locais. “Participei completamente na organização, mas nunca instalei”, diz orgulhosa – e isso, para a coerente Isabel do Carmo, é suficiente para a desqualificar como bombista. Isto é a mesma linha de raciocínio daquela gente que fuma charros mas, como não prende o fumo, afirma que nunca se drogou. Ou, num registo mais sério, seria uma linha de raciocínio que ilibaria Bin Laden do epíteto de terrorista – pois não foi a sua mão que dirigiu os aviões contra as torres.

 

A neo-burguesa Isabel do Carmo pode já não ser a bombista que foi – mas é, seguramente, uma hipócrita cara-de-pau.

Deixem-nos ser professores!

Os professores só querem o bem das nossas criancinhas. Os professores que, de olhos salientes e espuma aos cantos da boca, berram nas manifs contra toda e qualquer ideia vinda do ministério, só querem que os deixem cumprir a sua vocação – serem professores – e ensinar as criancinhas. Os professores que, nas manifestações, agitam bandeiras da Fenprof mas nunca – nunca! – a fotografia de um aluno, fazem o que fazem e reivindicam o que reivindicam apenas com o supremo interesse dos alunos em perspectiva.

 

Quando é pedido ao professor que esteja mais horas na escola – no fundo, que esteja tanto tempo no seu posto de trabalho como outra pessoa qualquer -, o professor desatina, pois é no aconchego do lar que melhor presta o seu serviço aos alunos.

 

Quando é pedido ao professor que faça um exame de aptidão, barafusta – pois é a manutenção de professores medíocres que melhor defende o ensino de qualidade.

 

Quando é pedido que se examine, no final do ano lectivo, a progressão dos alunos, o professor esperneia – pois será certamente mais eficaz que as criancinhas saltitem de ano em ano num ambiente de dolce far niente.

 

Os professores querem que os deixem ser professores – não estando na escola, não prestando contas da sua capacidade para o serem, não examinando os alunos.

 

Os professores não colocados querem que os deixem ser professores – colocados numa escola sem ter uma única turma.

 

Pois os professores, aqueles que não pensam em mais nada senão em como prestar um ensino de maior qualidade – vão, às centenas, ausentar-se das escolas para participarem na campanha eleitoral.

 

Deixá-los ser professores? Cada vez mais me parece necessário obrigá-los a serem professores.

Dinamite não-cerebral

Vasco Lourenço sonha “voltar a dinamitar uma situação que parece inexpugnável”. Já outro fóssil-vivo, Almeida Santos, não conseguiu há anos melhor argumento contra o aeroporto na margem Sul do que terroristas a dinamitarem uma ponte. Quando temos explosivos plásticos, líquidos, binários e etc, estas velhas múmias, enraizadas no tempo, ainda fantasiam com braçados de barrinhas – e um cigarro atrás da orelha para acender o rastilho.

O cinismo do Tribunal Constitucional

Algumas pessoas, certamente bem intencionadas, têm comentado que esta decisão do Tribunal Constitucional sobre as candidaturas autárquicas, maioritariamente em benefício do PSD, é um pequeno favor prestado – para não parecer que o TC tem uma qualquer má-vontade de princípio contra o Governo e o PSD.

Discordo.

Mais do que discordar, vou mais longe: esta decisão do Tribunal Constitucional é MAIS UMA acha para a fogueira metafórica em que se tornou a sua relação com o Governo/PSD, e é uma decisão claramente destinada a atingi-los. Só uma alma inocente acredita que deixar Seara e Menezes candidatarem-se pelo PSD é fazer um favor a este…