Teixeira dos Santos diz que riscos de um segundo resgate são sérios.
Se ele diz, eu acredito. De resgates percebe ele…
Teixeira dos Santos diz que riscos de um segundo resgate são sérios.
Se ele diz, eu acredito. De resgates percebe ele…
Nesta entrevista à Antena 1, na qual afirma que os candidatos autárquicos apresentados pelo Bloco de Esquerda não eram credíveis e acusa o mau trabalho das bases do partido, João Semedo arrasa a liderança de… João Semedo.
Com o consecutivo esboroar do seu peso eleitoral, proponho que o Bloco de Esquerda se passe a chamar – a Folha de Esquerda.
Há comentadores e comentadeiros que persistem na “narrativa” de que “Passos Coelho deve ouvir os portugueses”, e que estes, no Domingo, “manifestaram não querer mais austeridade” e etc.
Não é possível, com cara séria, defender à Segunda, Quarta e Sexta que os portugueses sabem separar as eleições, e à Terça, Quinta e Sábado que os resultados devem ser lidos com significado nacional.
Eu votei CDU nas autárquicas. Eu nunca consideraria votar CDU para governar o/um país. Apesar disso, sempre votei CDU em autárquicas, pois tenho boa impressão do seu trabalho aqui no poder local. Não votei CDU por gostar ou deixar de gostar do governo Passos.
De igual forma, estou convicto de que o PSD perdeu Lisboa por causa de Seara – e apesar de Costa. O PSD perdeu o Porto porque insistiu em Menezes, e perdeu em Gaia porque propôs o verme Abreu Amorim. Em nenhum destes locais eu votaria no candidato do PSD – por causa do candidato, não por causa do partido. Por isso, aguardo com impaciência que os senhores comentadores deixem de tirar conclusões abusivas daquilo que fiz ou deixei de fazer este Domingo.
Na verdade, esta derrota do PSD é explicável por um simples facto: o PSD apresentou vários péssimos candidatos.

A RTP, paga por todos nós, para comentar a noite eleitoral ofereceu-nos Morais Sarmento e José Sócrates. A SIC apresentou-nos o pequeno Vitorino. A TVI impingiu-nos a demente Constança (e nem sequer me dei ao trabalho de ver quem mais lá estava).
E eu, perante tais escolhas, optei – por desligar a televisão e ir dando uma vista de olhos à Internet.
O pior que estas eleições trouxeram ainda é capaz de ser – o regresso ao frenesim do dinossauro Soares, que prometeu não falar de política antes das autárquicas.
NOTA: vamos fazer de conta que não percebemos que o decano Soares, para quem não ia falar de política, esteve muito activo – a falar de política.
João Semedo passou semanas a invocar que estas autárquicas deviam ser vistas como uma oportunidade para mostrar um cartão vermelho ao Governo, e um sinal para Passos Coelho se demitir, e coisas que tais. O que dirá, então, João Semedo do claro cartão vermelho que o povo português mostrou – ao Bloco de Esquerda?
Enquanto regressava a casa, e passava pelos cartazes dos candidatos à Câmara de Lisboa, pensei como, seja qual for o resultado eleitoral, o derrotado não será o PSD, o PS, Costa ou Seguro: o derrotado será, sempre, Lisboa.
Há tempos, Maria Henrique Espada, jornalista da Sábado, abordou José Sócrates para confirmar que a tese que este estaria(?) a preparar na Sciences Po era sobre tortura. Sócrates desmentiu categoricamente e até adiantou:
“Não. Peço-lhe aliás que não escreva isso porque estará a enganar os leitores da sua revista e estará a dar-lhes uma informação errada.” [Pergunto-me se serei o único com vontade de rir por ver Sócrates preocupado com a hipótese de “enganar” outras pessoas e “dar-lhes informação errada”.]
A jornalista, perante tal desmentido, ficou-se e não publicou nada.
Fast-forward de algumas semanas.
O Expresso publica uma notícia, com declarações do próprio José Sócrates, sobre a tese deste que tem como tema – A Tortura (e os regimes democráticos). Aliás, retiro o que disse: o Expresso não publicou uma notícia – o Expresso publicou uma celebração, como se daqui resultasse a reformulação dos equilíbrios geo-estratégicos, a solução para a Crise Mundial, e Sócrates se tivesse tornado automaticamente candidato ao Nobel da Paz E da Literatura.
Maria Henrique Espada e a revista Sábado, ao terem conhecimento da notícia do Expresso, decidiram confrontar Sócrates com o sucedido. Este, com a fleuma que lhe é habitual, respondeu:
“Não lhe admito isso, nem que me peça explicações.”
“(…) que interessante, um jornalista a pedir-me explicações, costuma ser ao contrário.” [Daqui ficamos a saber que, para Sócrates, e como Judite de Sousa bem o sabe, o normal é ser ele a mandar no jornalista.]
“Você disse que a minha tese era sobre tortura, e não é, a minha tese não é sobre tortura. É sobre tortura em determinadas circunstâncias, embora, é claro, eu não tenha na altura acrescentado esta informação.” [Daqui se vê que, quando tal lhe convém, Sócrates é muito cioso da verdade absoluta dos detalhes.]
“Isto é um assunto privado e não quis permitir que amigos meus, ainda que bem intencionados, usem informação que só a mim diz respeito para efeitos de quando deve vir a público. Eu é que decido a quem digo e como o digo.” [Aqui se vê que, para Sócrates, o homem que os jornalistas/hagiógrafos afirmam defender ferozmente a sua vida privada, esta é um valor absoluto e irrevogável – para ser exposto quando, onde e como for mais vantajoso.]
E assim percebemos, pela história da sua polémica tese na polémica Sciences Po, noticiada no polémico Expresso do polémico Balsemão e editoriado pelo polémico Ricardo Costa, e que será publicada com o apoio da polémica Fundação do polémico Soares, sendo prefaciada pelo polémico Lula da Silva – assim percebemos como o polémico José Sócrates, numa inversão de 180º, tomou o gosto à Verdade Absoluta e à Impecável Correcção Factual.
Ou será…?
É que basta ler esta investigação de António Balbino Caldeira sobre a notícia do Expresso, onde um esfuziante Ricardo Costa anuncia que:
“(…) Sócrates escolheu este tema para a sua mémoire (tese de mestrado), que defendeu em Julho na Sorbonne, em Paris (…)”
para se perceber que uma mémoire não é bem, bem, bem uma tese, tal como a Sciences Po não é bem, bem, bem a Sorbonne (esta, aliás, nem tinha nada a ver com a tese de Sócrates), tal como… enfim, em se tratando de Sócrates, receio virmos a descobrir que a sua Paris não era bem, bem, bem Paris – mas sim Casal do Marco.
Sócrates, o eterno empolador da sua própria realidade – ajudado por Ricardo Costa, aqui apenas ligeiramente melhor do que o seu colega Nicolau Santos.

valter hugo mãe (acompanho a grafia do próprio) é um pateta. Não há problema algum nisso. O que não falta no nosso mundinho literário e artístico é patetas, idiotas e loucos com mais jeito para a autopromoção do que para a literatura ou arte. Não me preocupo com este tipo de gente – enquanto não começam a acreditar na sua própria lenda.
valter hugo mãe é apenas mais um escrevinhador a quem, algures no tempo, alguém encontrou talento – certamente no fundo de uma garrafa. Resultado: ganhou prémios com as suas torturas em forma de livro e é entrevistado como alguém “seguido com atenção no panorama literário nacional” (eu também o sigo com atenção – para evitar cruzar-me com ele).
Pode parecer, por estas palavras, que eu tenho alguma má-vontade pessoal para com o nosso valter. Nada disso. Não tenho qualquer problema em acreditar que o rapaz é uma excelente pessoa, amigo do seu amigo, e que nutre um verdadeiro amor pela escrita (amor esse, infelizmente, não correspondido). A questão é que a simpatia e o amor à arte não são (não deviam ser) suficientes – como é fácil de ver nas audições de programas como American Idol.
Veio-me isto a propósito das metáforas sexuais que valter hugo mãe tem usado nas suas intervenções recentes. Já é um facto reconhecido que a literatura portuguesa tem um enorme problema com o sexo, com as metáforas sexuais e com a descrição da sua execução. Recordo-me de um interessante (e divertido) debate na nossa blogosfera a propósito da ridícula sopa de peixe de José Rodrigues dos Santos (in Codex 632):
Tomás trincou um pedaço de peixe, pareceu-lhe abrótea, temperada pelo líquido branco do caldo.
“Porque razão é branca a sopa?”, admirou-se ele. “Não é feita de água?”
“Leva água, mas também leva leite.”
“Leite?”
“Sim”, assentiu ela. Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. “Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?”
“Hã?”
“Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.”
Tomás quase se engasgou com a sopa.
“Como?”
“Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas”, repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. “Gostava de provar?”
Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul; era lácteo como a sopa, com um largo mamilo rosa-claro e a ponta arrebitada e dura como uma chupeta. A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca.
Tomás não resistiu.
Agora, para subir a parada, valter hugo mãe confidenciou há dias em entrevista ao Diário de Notícias:
Afinal, o sexo do homem é muito mais honesto, visível e mais facilmente lavável, enquanto o das mulheres é mais sinistro.
e hoje, no I Online, pode-se ler:
A primeira vez que editei um livro de poemas, tinha 24 anos, dormi com o livro na cama. Pu-lo ao meu lado um pouco entalado na almofada e passava a noite toda a acordar, a olhar para ele. Fiz isso outra vez quando saiu o meu primeiro romance e agora voltou a acontecer. Alude a uma satisfação com o texto mas é um objecto impecável. Estou apaixonado por este livro. E se é verdade que os livros são gente vou exigir que a lei, já que se podem casar pessoas do mesmo sexo, que se possam casar pessoas com livros independentemente de os livros terem sexo.
Pois: é óbvio, pelo segundo naco de texto, o porquê das confusões que mostra no primeiro. O caro valter hugo mãe é como os marinheiros antigos: imagina adamastores naquilo que desconhece.