O pateta

valter hugo mãe (acompanho a grafia do próprio) é um pateta. Não há problema algum nisso. O que não falta no nosso mundinho literário e artístico é patetas, idiotas e loucos com mais jeito para a autopromoção do que para a literatura ou arte. Não me preocupo com este tipo de gente – enquanto não começam a acreditar na sua própria lenda.

 

valter hugo mãe é apenas mais um escrevinhador a quem, algures no tempo, alguém encontrou talento – certamente no fundo de uma garrafa. Resultado: ganhou prémios com as suas torturas em forma de livro e é entrevistado como alguém “seguido com atenção no panorama literário nacional” (eu também o sigo com atenção – para evitar cruzar-me com ele).

 

Pode parecer, por estas palavras, que eu tenho alguma má-vontade pessoal para com o nosso valter. Nada disso. Não tenho qualquer problema em acreditar que o rapaz é uma excelente pessoa, amigo do seu amigo, e que nutre um verdadeiro amor pela escrita (amor esse, infelizmente, não correspondido). A questão é que a simpatia e o amor à arte não são (não deviam ser) suficientes – como é fácil de ver nas audições de programas como American Idol.

 

Veio-me isto a propósito das metáforas sexuais que valter hugo mãe tem usado nas suas intervenções recentes. Já é um facto reconhecido que a literatura portuguesa tem um enorme problema com o sexo, com as metáforas sexuais e com a descrição da sua execução. Recordo-me de um interessante (e divertido) debate na nossa blogosfera a propósito da ridícula sopa de peixe de José Rodrigues dos Santos (in Codex 632):

 

Tomás trincou um pedaço de peixe, pareceu-lhe abrótea, temperada pelo líquido branco do caldo. 


“Porque razão é branca a sopa?”, admirou-se ele. “Não é feita de água?”

 

“Leva água, mas também leva leite.”


“Leite?”


“Sim”, assentiu ela. Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. “Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?” 


“Hã?”


“Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.” 


Tomás quase se engasgou com a sopa. 


“Como?” 


“Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas”, repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. “Gostava de provar?”


Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul; era lácteo como a sopa, com um largo mamilo rosa-claro e a ponta arrebitada e dura como uma chupeta. A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca.


Tomás não resistiu.


Agora, para subir a parada, valter hugo mãe confidenciou há dias em entrevista ao Diário de Notícias:


Afinal, o sexo do homem é muito mais honesto, visível e mais facilmente lavável, enquanto o das mulheres é mais sinistro.


e hoje, no I Online, pode-se ler:


A primeira vez que editei um livro de poemas, tinha 24 anos, dormi com o livro na cama. Pu-lo ao meu lado um pouco entalado na almofada e passava a noite toda a acordar, a olhar para ele. Fiz isso outra vez quando saiu o meu primeiro romance e agora voltou a acontecer. Alude a uma satisfação com o texto mas é um objecto impecável. Estou apaixonado por este livro. E se é verdade que os livros são gente vou exigir que a lei, já que se podem casar pessoas do mesmo sexo, que se possam casar pessoas com livros independentemente de os livros terem sexo.


Pois: é óbvio, pelo segundo naco de texto, o porquê das confusões que mostra no primeiro. O caro valter hugo mãe é como os marinheiros antigos: imagina adamastores naquilo que desconhece.

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