Crash Bandicoot da política portuguesa

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Costa fecha a porta a um entendimento com a direita e, pelos vistos, o entendimento à esquerda também não está fácil.

 

Costa semeia ventos, colhe tempestades e espalha o caos à sua volta, disposto a desfazer, de uma forma mais, menos ou nada legítima, todos os obstáculos que se colocarem entre si e o poder.

 

Costa é um estilo de Crash Bandicoot da política portuguesa…

Quadratura do círculo

Costa, honra lhe seja feita, conseguiu múltiplos impossíveis: perdeu uma eleição que estava ganha à partida; pode vir a formar um governo – após fortemente derrotado nas urnas – mercê de uma leitura literal das leis que, até hoje, por cortesia nunca foi feita; e, mais impressionante, coloca o PS à beira do poder e, POR ISSO, transforma-o num autêntico saco de gatos.

Correcção ao Expresso

O Expresso, honra seja feita ao Balsemão que não parece abandonar os amiguinhos, titula:

Juiz acusa Ministério Público de fazer “ficção jurídica” no caso Sócrates.

Permite-me, caro Expresso, fazer uma pequena correcção ao que anuncias. Uma coisa pequena mas que, penso, tem pertinência jornalística:

Juiz amigo de Sócrates acusa Ministério Público de fazer “ficção jurídica” no caso Sócrates.

Servir no Inferno

A coligação está a fazer o possível – mostrar que António Costa, com Centeno a reboque, vão para a mesa de negociação dispostos a tudo menos à negociação.

 

António Costa foi-nos vendido pela máquina de propaganda socialista – e comunicação social – como o portador da luz que nos iria guiar para fora da noite austeritária. Como o outro “portador da luz”, vemos que também prefere reinar no Inferno.

Estabilidade

Já várias pessoas, em blogues e jornais, referindo-se ao putativo governo de esquerda unida (apesar de cada um desses partidos ter perdido as eleições por larga margem), disseram que o importante é termos estabilidade governativa, em particular no momento de precariedade que ainda se vive. Ora eu contraponho que esse argumento é pernicioso: no limite, leva a defender a ditadura por ser o tipo de regime mais estável; e curiosamente, ao pormenorizar a precariedade como um incentivo maior para a estabilidade, estão a defender – com seriedade – aquilo que Manuela Ferreira Leite disse como piada (e por vós tão vilipendiado foi).