Sócrates diz que “quando se prende 11 meses sem acusação, Estado perde autoridade moral”. Ora convém Sócrates recordar-se de que as leis que regulam as prisões preventivas foram criadas – no seu governo. O que, até certo ponto, acaba por ser um argumento circular – pois o governo socrático não teve qualquer autoridade moral.
Parodiante de Lisboa
Muralhas… muros… cortinas…
O Público publica hoje que o PS promete “muralha de aço” erguida até segunda-feira. O partido que equivalia o putativo acordo a alcançar com o PCP a “deitar abaixo o resto do muro de Berlim” quer agora, com o mesmo partido, erguer uma muralha de aço – talvez todos saudosos da pretérita cortina de ferro.
Quando o telefone toca
O agora presidente da Assembleia da República em antiga conversa telefónica com o agora pretendente a primeiro-ministro:

Considerações acerca da situação política actual – a extrema-esquerda
A extrema-esquerda está finalmente a mostrar de que massa é feita. Movida não pelo desejo de dar um contributo construtivo num momento particularmente sensível da nossa história política, mas antes pela sede de vingança, sem olhar a meios, que sempre alimentou, mal disfarçada, nos seus obscuros corredores. É a mais pura anti-política.
Qualquer força extremista, totalmente descompassada face aos preceitos democráticos que nos guiam e orientada unicamente pelo impulso destruidor de se definir contra algo e nada mais deveria ser ilegalizada. É verdade para o nazismo e outros movimentos radicais e xenófobos, também o deveria ser para a extrema-esquerda, responsável, por esse Mundo fora, por algumas das maiores atrocidades que a humanidade conheceu. Uma força política que não recrimina de forma inequívoca e veemente o regime comunista soviético ou a selvajaria de Pyongyang não deveria existir. Simplesmente. Assumo esta opinião sem qualquer reserva.
Há quem goste de pensar que Portugal é um país de “esquerda”. Acontece que Portugal é um país de burgueses, pseudo-burgueses e proto-burgueses. Quando juntamos estes dois ingredientes, a mistura fétida que resulta é um estilo de esquerda caviar, intimamente hipócrita. Cavaco salvar-nos-á de um governo de esquerda (ou, pelo menos, nisso quero acreditar), e é só por esse motivo que Portugal continuará a ser um país de esquerda. Nenhum país, em nenhum continente, que tenha sofrido os horrores da governação comunista é de esquerda, pelo menos de forma voluntária. O mesmo se passaria em Portugal. Perante o caos, esta pequena turba burguesa voltar-se-ia rapidamente para a direita, como já fez no passado, por bem menos.
PCP e Bloco, que há menos de um mês, e com uma agenda muito própria, vilipendiavam o anafado golpista Costa, são os mesmos que agora se propõem a viabilizar um governo seu. A vontade de canibalizar o PS é indisfarçável. Não simpatizo com o PS mas tenho, contrariado, de lhe reconhecer o peso que tem no centro-esquerda democrático. Está esse peso sob fogo cerrado. PCP e Bloco, mais separados do que juntos, soltaram amarras e procuram capitalizar este momento. Ao aceitar, de forma maliciosa ou ingénua, negociar com esta trupe de circo, Costa torna o voto no PS completamente inútil e, pior do que isso, perigoso. Será este o seu legado.
Alunos problemáticos
Os socialistas não recebem lições do prof. Aníbal Cavaco Silva. Pois, o nosso problema tem sido precisamente esse…
Considerações acerca da situação política actual – o Presidente
- Licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeira.
- Doutorado em Economia pela Universidade de York, Reino Unido.
- Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
- Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa.
- Diretor da revista Economia, da Universidade Católica Portuguesa, entre 1977 e 1985
- Investigador da Fundação Calouste Gulbenkian.
- Dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal.
- Ministro das Finanças e do Plano em 1980-81 no Governo do Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro.
- Presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984.
- Exerceu funções como Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995.
- Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (Reino Unido), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia).
- Membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha, do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation.
- Distinguido na Alemanha com o Prémio Carl Bertelsmann que a Fundação Bertelsmann decidiu atribuir a Portugal pelo sucesso das políticas de melhoria do mercado de trabalho e de luta contra o desemprego.
- Prémio Joseph Bech (1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua contribuição para a construção europeia.
- Freedom Prize (1995), na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua ação como político e economista.
- Distinguido, em Nápoles, com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e ação no reforço da solidariedade e de uma ativa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”.
- Autor de vasta obra relevante nas áreas de Economia e Finanças.
Sei que para muitos o mérito é algo totalmente irrelevante, mas é este o currículo do homem que agora se sujeita, sem precisar desta merda para nada, a ser invectivado por pequenas e sabujas criaturas, subprodutos de um sistema político perverso e corrupto.
Alguns usam o seu nome em tom mesquinho e jocoso. Eu uso-o para lhe agradecer. Muito obrigado, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.
Os amigos são para as ocasiões

Noronha Nascimento, ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça que, por ordem do então PGR Pinto Monteiro, foi a galope apagar as escutas telefónicas entre Sócrates e Armando Vara gravadas no processo Face Oculta, vem agora dizer que Sócrates deve ser julgado no Supremo Tribunal de Justiça.
E quem é Noronha Nascimento?, pergunta o leitor. Pois é o indivíduo à direita de José Sócrates na fotografia anexa, tirada durante a apresentação do livro assinado por este último. À esquerda de Sócrates, por acaso e apenas mero acaso, está Pinto Monteiro.
Arquivo
Claude Drumm levantou-se.
– Senhor juiz – prosseguiu ele -, penso que pedirei à corte que este processo seja arquivado.
O juiz assentiu.
– Muito bem – disse -, se…
Perry Mason levantou-se.
– Senhor juiz – disse ele -, protesto contra o pedido. Creio que esclareci com antecedência a minha posição em face disto. A acusada deste processo merece ter o seu nome limpo. Com uma dissolução da causa, isso não seria possível.
(Erle Stanley Gardner, O caso do cão uivador)
Já os advogados de Sócrates querem o seu caso arquivado – não vá a coisa correr mal…
Os nossos pequeninos ditadores
O pequenino e nada augusto César dos Açores – sim, o tal que em Julho queria mudar a lei para impedir “detenções sem acusação” – diz que só mostra o acordo com o Bloco de Esquerda depois de António Costa ser indigitado Primeiro-Ministro.
Como é que é?
Mas esta gente acha-se mesmo dona disto tudo, e com um direito natural ao exercício de poder sem respeitar as regras e sem qualquer escrutínio! António Costa edil quis esconder documentos sobre decisões camarárias porque “abre caminho a que todas as decisões políticas e documentos que as corporizam fiquem sujeitas ao escrutínio público e, eventualmente, judicial, o que irá conduzir, inevitavelmente, à diminuição/perda da autonomia que deve caracterizar o exercício do poder político”. António Costa candidato a primeiro-ministro anunciou que tinha debatido soluções com os “lesados do BES” mas não as ia expor publicamente antes das eleições. O pretendente-a-indigitado António Costa afirma, pela boca do nosso Little Caesar, que pretende ser primeiro-ministro graças a um acordo – que só mostrará depois de ser primeiro-ministro.
Isto já não é um caso para o Ministério da Justiça – mas sim para o Ministério da Saúde.



