“O dinheiro é do Estado, é do PS”

Elisa Ferreira, em 2009, dizia que “o dinheiro é do Estado, é do PS”. Será que alguém com tal convicção deve ser vice-governadora do Banco de Portugal? Eu nem sequer a deixaria ser vice-governadora de uma gestão de condomínio, mas a realidade é que a teremos no BP – e agora, talvez se compreenda o porquê de não mais termos visto Costa (António) fazer guerrilha contra Costa (Carlos).

Palhaçadas

António Costa, além de um ventre, tem uma visão: quer as cidades quase sem carros. Parece ser um tipo de visão muito socialista: cidades quase sem carros e aeroportos internacionais quase sem aviões.

 

A entrevista ao director do aeroporto de Beja seria divertida – não fosse trágica. O aeroporto internacional de Beja (não estamos a falar de um aeródromo de avionetas) está actualmente a ser usado como – parque de estacionamento de 3 a 5 aviões. O tráfego de passageiros, diz José Natário, “não está excluído” (afirmação surpreendente em se tratando de um aeroporto internacional), mas afirma que nenhuma companhia aérea quis voar para Beja. E quando questionado sobre o número de passageiros que passaram por Beja, fala vagamente em alguns milhares mas explica que prefere não adiantar números por serem pouco relevantes – retrato de uma transparência muito costista que vai grassando pelo país.

 

Mas não desesperemos: tal como o Sporting diz que para o ano é que vai ser, José Natário está convencido de que mais cedo ou mais tarde o aeroporto vai ser fundamental para o Alentejo. Nós cá estaremos à espera.

O valor simbólico para Costa

Ontem, dizia-se que o governo pagava ao melhor amigo de António Costa um “valor simbólico” para negociar vários casos importantes (reversões de privatizações, “lesados” do BES, etc). Hoje sabe-se que o valor simbólico é… 2000 euros mensais. Simbólico para Costa – mas bem real para todos nós porque é o contribuinte que o paga.

Nº 185

Francisco José Viegas, pessoa inteligente e que conhece bem o meio cultural, escreveu na sexta-feira a propósito da demissão do filho-do-pai Soares:

António Costa irá finalmente indigitar um daqueles que lhe garantiram que «a cultura está com António Costa», porque, lá está, ou são os proprietários da cultura, ou a cultura os informou da sua preferência, ou entre eles e a cultura não há diferenças essenciais.

Dois dias depois, eis que é anunciado o novo ministro da Cultura: Luís Filipe Castro Mendes. Pessoa que sabe usar talheres e assoar-se num lenço (ao contrário do seu antecessor), o embaixador é retratado pelo próprio Francisco José Viegas como “uma escolha muito sensata, em termos políticos, e uma pessoa muito adequada ao cargo”. Não tendo razões para não dar o benefício da dúvida ao sr. embaixador, não posso deixar de acrescentar um detalhe: Luís Filipe Carrilho de Castro Mendes foi o signatário nº 185 da petição “A Cultura Apoia António Costa”.

Onde já vi isto antes?

Teixeira dos Santos, o homem que estava na pasta das Finanças e que pediu o último resgate, diz não antever “risco significativo” para novo resgate. Bom, talvez tenha razão – afinal, hoje em dia ele é, por (in)acção própria, um dos grandes construtores de resgates financeiros que temos no país.

 

Por outro lado, não consigo evitar a sensação de que este “não há risco significativo” (o que implica, pelo adjectivo, que não inexiste o risco) é um pouco como os dirigentes de futebol que “reiteram a confiança” num treinador que vem perdendo jogos – uma semana antes de o despedirem.

Naturalmente esperou sentado

João filho-do-pai Soares lá apresentou a demissão. Não o fez por achar que tivesse feito alguma coisa mal, mas por “solidariedade com o executivo” – o que evidencia as prioridades do molusco. António Costa lá aceitou “naturalmente”, segundo o próprio, a demissão do primeiro. O problema nem é Costa ter aceitado “naturalmente” a demissão do filho-do-pai. O problema maior foi a “naturalidade” com que António Costa convidou tal alimária para o ministério da Cultura.