Não pode ser só isto

Vejo este caso Face Oculta celebrado por alguns como sendo a desejada punição judicial das falcatruas do socratismo. Eu, habitual céptico, só posso atribuir tais festejos à inocência de quem os emite.

 

É verdade que estão ali alguns distintos elementos da quadrilha formada no Largo do Rato. Se exemplares como Vara e o clã Penedos fossem retirados da esfera pública e passassem uma temporada em recolhimento, o ar ficaria de imediato mais respirável.

 

Mas dizer que o julgamento destes meros aríetes marca a punição da pilhagem socrática, é como dizer que se está a punir Al Capone prendendo um dos seus esbirros por queimar estalinhos de Carnaval. Há muito, muito mais para remexer, investigar, catalogar e julgar. Há muitos mais elementos da camarilha de Sócrates que têm de responder pelos seus actos, a começar pelo próprio. O caso TVI não pode ficar impune. O caso Cova da Beira não pode ficar impune. O caso Magalhães não pode ficar impune. O caso SCUT não pode ficar impune. E muitos, muitos mais que eu me escuso de enumerar por medo de esquecer outros tantos.

O sindicalismo de pacotilha

Numa altura de enorme gravidade, em que o País precisa de produzir, de sacudir o estupor catatónico que o dominou ao longo dos últimos anos, de demonstrar que não é uma Grécia, de provar que aqui também se trabalha, eis que aparecem aqueles grunhos com maus cortes de cabelo, dentes amarelos e kispos azuis coçados pelo tempo gabando-se da paralisação que a turba sindicalista conseguiu induzir em Portugal.

 

Puta que os pariu!

 

Um PS partido

O PS, aquele partido que ocupa uma faustosa sede no Largo do Rato em Lisboa, está partido.

 

De um lado, uma ala com um líder que virou subterrâneo, exilado até, mas cuja influência se faz claramente sentir. É esse líder que têm em comum seres como silva pereira, josé lello e ricardo rodrigues, entre outras destacadas figuras do plantel do PS de sócrates. Afirmam estes que o PS deve votar contra o OE de 2012 pois um voto de sentido oposto seria a admissão de responsabilidade rosa no buraco financeiro por onde se vai escoando o País. Para estas sumidades, é perfeitamente lógico que os que governaram o rectângulo nos últimos 6 anos não têm qualquer responsabilidade pelo estado a que o Estado chegou. Deliciosas idiossincrasias.

 

Do outro lado, uma ala que não tem líder, apesar de ter eleito um. Seguro, cujo momento alto da liderança foi, até agora, “roubar” uma entrevista em directo a antónio costa, consegue o pleno da inutilidade: não une o partido, não faz uma proposta palpável, não assume uma posição clara em relação às decisões estratégicas nacionais. Nada! Veio, ontem, afirmar que o OE tem uma folga de 1.000 milhões de euros que devia ser, desde já, “torrada”. São assim, estes socialistas que temos, dinheiro a mais no Estado é para derreter, a bem ou a mal.

 

 

7.000 milhões

Não de euros, mas ao que parece, de pessoas. Nasceu hoje, ou vai nascer, ou já nasceu há uns meses, ninguém sabe bem, a pessoa 7.000 milhões. Somos, descontando aquela malta que nunca é contabilizada para as infografias giras, cerca de 7.000 milhões de seres humanos sobre a Terra. Em 1798, 6 anos antes da estimativa de população ter atingido o primeiro milhar de milhões, Malthus publicou o seu “Ensaio sobre a população”, alertando, imagine-se, para os perigos iminentes da explosão demográfica. Mais ou menos o mesmo fez Erich, em 1968, quando a população atingia já perto de uns robustos 4.000 milhões.

 

Alheia a todo isto, a massa humana continuou a estender-se, muito para além, sabe-se agora, da capacidade de sustentação do planeta. Falar, portanto, de desenvolvimento sustentável, da forma como habitualmente se fala de desenvolvimento sustentável, parece dar a ideia de que estamos preocupadíssimos a aparar o arbusto, quando toda a floresta arde violentamente atrás de nós. Seguimos, algo despreocupados, algo ignorantes, para um beco sem saída. Esgotando recursos, avançando para outros territórios e lá explorando e corrompendo tudo o que puder ser aproveitável, vamos trilhando o nosso percurso.

 

Existe, curiosamente, outro organismo que se comporta assim: o vírus.