A RTP, que durante o consulado socrático não passou de uma caixa de ressonância do seu programa; a RTP, que enquanto Sócrates governou, se prestou, pelas mãos amigas e submissas de Judite e Alberto Carvalho, ao papel ignóbil de lhe dar tempo de antena para limpar a sua (salpicadíssima) imagem; a RTP, que para manter o seu status-quo de intocabilidade, tem exibido linhas editoriais mais próprias do Acção Socialista; a RTP, que todos os Domingos exibe uma homilia a solo de José Sócrates sem qualquer tentativa de contraditório; esta RTP foi processada pelo PS porque “parte da direcção de informação comporta-se como servente do Governo”. A parte, imagino, que se recusou a comportar-se como servente do Partido Socialista.
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Pôr-se a jeito
Tão diferentes, tão iguais
Quando alguém do PSD não gosta de alguém do PSD, não tem problemas em demonstrá-lo publicamente, incluindo em tempo de eleições – mesmo que a alternativa signifique a ruína para o país.
Quando alguém do PS não gosta de alguém do PS, não tem problemas em demonstrá-lo publicamente, excluindo em tempo de eleições em que o apoia contra “a Direita” – mesmo que isso signifique a ruína para o país.
Sou todo ouvidos

O PS tem “dúvidas fundadas” de que está sob escuta. Por outras palavras, o PS “duvida com fundamento” que esteja a ser escutado. E aqui está um soundbyte criado por analfabetos funcionais.
Quem quereria escutar o PS se este, politicamente, não tem nada para ser escutado? Só por puro masoquismo é que alguém passaria horas a fio, de auscultadores na cabeça, a ouvir as nulidades de Seguro e companhia. Seria múltiplas vezes mais interessante – gravar um feijoeiro a crescer.
A transparência segundo António Costa

A Câmara de Lisboa, presidida por António Costa, avançou com um recurso para o Tribunal Constitucional para travar sentenças judiciais que obrigam à divulgação de um documento interno da autarquia intitulado “Obras Públicas Municipais – Sobre o Estado da Arte”, elaborado em 2011 pelo vereador Fernando Nunes da Silva, eleito pelo movimento Cidadãos por Lisboa”, noticia hoje o jornal “Público”.
O documento em causa, apenas revelado parcialmente, foi inicialmente remetido à Comissão para a Promoção das Boas Práticas da Câmara de Lisboa e apontava falhas às práticas de contratação de empreitadas em vigor nos serviços da autarquia, nomeadamente número reduzido de concursos públicos face aos ajustes directos.
(…) A câmara avançou agora para o Constitucional por considerar, segundo o “Público”, que a obrigatoriedade de divulgar este tipo de documentos “abre caminho a que todas as decisões políticas e documentos que as corporizam fiquem sujeitas ao escrutínio público e, eventualmente, judicial, o que irá conduzir, inevitavelmente, à diminuição/perda da autonomia que deve caracterizar o exercício do poder político”.
A câmara em abstracto, e António Costa em concreto, acham que as decisões políticas e documentos que as corporizam serem sujeitos ao escrutínio público é algo a evitar. Parecem julgar, em suma, que a transparência na administração da coisa pública é um perigo para a democracia.
O zero

A perspectiva de eleições antecipadas, apesar de tudo, não seria tão dramática se, em vez do elemento-absorvente-da-multiplicação Seguro, o PS apresentasse (finalmente!) um dos bons elementos que o compõem. Por exemplo, o… o… o…
Bolas, estamos mesmo tramados.
Falta de autocrítica
Freitas do Amaral, que foi ministro de José Sócrates (repito: de José Sócrates), diz que “estamos entregues a um grupo de irresponsáveis”:
“Nós estamos entregues a um grupo de irresponsáveis, de pessoas que não sabem o que é governar um país, não sabem o que é a dignidade do Estado e não sabem as regras mais elementares da democracia (…). Não sabem nada, fazem tudo mal”
Quase fico com a impressão, pelas linhas acima, que Freitas do Amaral teve uma crise de senilidade e pensa estar em 2009, 2010 ou 2011…
O papão da Matemática
O programa político de Seguro é este: se a Matemática descreve uma realidade da qual não se gosta – altere-se a Matemática.
O companheiro Seguro
António José Seguro quer o Estado a entrar no capital de empresas “sem gastar um cêntimo”.

Imagino que, depois disto, Seguro proporá a instituição de um Conselho de Revolução.
Dança das cadeiras
Seguro diz que já tem ministro das Finanças para apresentar a Cavaco Silva. Mas acho que seria interessante sabermos primeiro quem é que ele propõe para primeiro-ministro…