
Enquanto Passos Coelho recebia os partidos em São Bento, a propósito do período pós-troika, Seguro provava moscatel. Assim se vê a pequenez desta amostra de estadista.

Enquanto Passos Coelho recebia os partidos em São Bento, a propósito do período pós-troika, Seguro provava moscatel. Assim se vê a pequenez desta amostra de estadista.

As finanças do PS têm, segundo notícia do Expresso, um buraco de 3,6 milhões de euros. O PS continua a mostrar, é inegável, um talento especial para dívidas e bancarrotas.
Eu às vezes acho que somos um pouco injustos para com António José Seguro. Dizemos que o homem é aborrecido e sonso, mas ele até é um pândego, sempre pronto a alegrar o ambiente com uma piada:
Se o PS podia governar com rigor e disciplina orçamental? Podia, mas não era a mesma coisa.
Sócrates vai entrar na campanha para as europeias para dar um sinal de grande unidade no PS. Sim, unidos – na falta de vergonha na cara.
João Galamba, com quem tenho a má fortuna de partilhar o primeiro nome, diz que o PS ainda não está preparado para ser governo. Pois não – e a presença de João Galamba é a prova disso.
O “mau socialista” Pateta Alegre, na sua ânsia de avermelhar o PS, até se escuda num argumento do Papa Francisco. Aqui.
Na passada quinta-feira, uma homenagem a Manuel Tito de Morais juntou na mesma sala Mário Soares, Manuel Alegre e Almeida Santos – e o habitual rebanho de jornalistas que segue tais pastores. Manuel Alegre afirmou:
“Estou a pensar nas mesmas pessoas em que vocês estão a pensar”, respondeu o frontal e corajoso Alegre quando questionado pelos jornalistas sobre a quem se referia. O que não deixa de ter a sua piada, pois quando eu penso em gente que usou o Poder (ou a sua proximidade) para “se governar”, há três nomes que imediatamente me vêm à memória: Mário Soares, Almeida Santos – e, em menor escala, Manuel Alegre.
Há uns tempos, expus a minha convicção numa aproximação de Daniel Oliveira ao PS. Isto parece-me uma evidência desse caminho: Daniel Oliveira assume-se, hoje em dia, como um dos mais visíveis actores do Processo Reabilitacionário [de Sócrates] Em Curso.

António José Seguro já vem dizendo que Portugal não pode voltar à despesa de há dez, vinte ou trinta anos. Vamos passar por cima do detalhe de muito do mal ter sido causado pela despesa de há quatro, seis ou oito anos. A questão é que Seguro, agora, hoje, já quer um “acordo alargado” sobre a despesa. Amanhã, logo se verá.
Isto, vindo de quem vem, só pode ser para rir. Tendo Seguro, na prática, sabotado a hipótese de acordo alargado sobre a reforma do Estado que Cavaco Silva propôs, e tendo Seguro radicalizado cada vez mais o seu discurso, vir agora fazer cara de santo e propôr “acordos alargados definindo limites para a despesa primária” é de uma hipocrisia digna do seu partido. Que se seguirá, Seguro propor que o défice e a dívida tenham limites impostos na Constituição?